And all of the ghouls come out to play ♕ Eillela & Militsa
— Chega. — Foi a única palavra proferida desde que havia recebido as criadas, suas únicas companhias depois daquele tempo em que estivera afastada do núcleo social de Mystras. Sem demora, uma das mulheres, a mais velha delas, apressou-se em fechar o vestido da mulher. O espartilho, mais apertado que o normal, a impedia de respirar direito mas não era nada que já não estivesse acostumada. Talvez fosse até uma espécie de punição por uma culpa que não era dela, mas que ainda assim a fazia sentir-se mal. Aquele gosto amargo na boca e sensação de embrulho no estômago eram característicos de quem sentia nojo, e não poderia existir palavra mais correta para descrever a forma que ela se sentia. É claro que, fora isso, existiam nuances e nuances de sentimentos e sensações complicadas... Alguns os quais ela não tinha tempo para tentar explicar ou entender, já quanto a outros... Não conseguia pensar em outra coisa.
De certa maneira, sabia que não era nada saudável isolar-se daquela forma. Sabia que precisava ter companhia e que estar rodeada de pessoas talvez, a fizesse sentir-se melhor, mas como poderia ela se dar ao luxo disso se estava num lugar onde não tinha ninguém? Ou talvez tivesse, só não conseguia enxergar um palmo diante dos olhos quando estava frágil daquela forma, fraca. Quebrada.
Durante seu período de reclusão, foram poucas as pessoas que ousaram bater à porta do quarto onde estava hospedada a filha mais velha de Athanasius. Nos primeiros dias o esforço para tirá-la de seu exílio era notável, porém, com o passar do tempo, simplesmente desistiram ao notar que nunca eram correspondidos. O intervalo de tempo em que era visitada então passou a ser maior, até que ela percebesse que, finalmente, estava em paz. Em paz para viver seu luto, para tentar organizar os pensamentos embaralhados em sua mente e, o mais importante, para conseguir manter-se sã até que o Palácio Real estivesse habitável novamente.
Todavia, apesar de apreciar e acolher a calma que a solidão a proporcionava, ela não teve como deixar de notar que ainda existia alguém que tinha esperanças. Que insistia nela, que não havia desistido. E ela sentia o coração se esquentar com aquela possibilidade, embora não tivesse correspondido. Pelo menos, até aquele dia.
Três batidas de fizeram ouvir no interior do quarto. As amas, já acostumadas com a recusa da princesa herdeira, não fizeram nada além de trocar um olhar cúmplice como que para decidir que dispensaria a "visita" daquela vez.
— Mande ir embora. — Eillela respondeu, fitando o próprio reflexo no espelho. Os olhos castanhos, sempre brilhantes, estavam agora opacos. Era como se sua luz tivesse se apagado.