Eu juro pra você, não fui eu que fiz aquele menino desmaiar durante o captura a bandeira, eu sempre jogo justo, por que acha que eu teria feito isso?
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Eu juro pra você, não fui eu que fiz aquele menino desmaiar durante o captura a bandeira, eu sempre jogo justo, por que acha que eu teria feito isso?
"Eu to falando sério, eu estou com um mal pressentimento sobre essa missão. Ou talvez seja essa quantidade de Lares que tem por aqui que estão causando um certo distúrbio"
----- Ah, me perdoa, mas é que eu estava tão distraída pensando nos últimos acontecimentos que acabei não escutando o que você falou. Pode repetir de novo, por favor. Eu prometo que dessa vez ‘tou atenta.
A confusão ao seu redor já começava a dar-lhe uma enorme dor de cabeça. O cenário bastante parecido com um de seus pesadelos de meses atrás se tornava real. Como um de seus poderes nunca havia sido muito confiável, a concretização do ataque previsto nos sonhos veio com muito mais tardar do que era costumeiro; Hanne, porém, não se surpreendia com isso. Com um bufo irritado por uma empousa rasgar mais um pouco da camiseta surrada do Camp Jupiter, o semideus atacou-a sem pestanejar, embora não fosse o exemplo ideal de guerreiro para aquele tipo particular de combate. O monstro, mais uma vez, tentou lhe arranhar, seus próprios reflexos o defenderam e o moreno abaixou para desviar no último segundinho, aproveitando da distração momentânea para arrancar uma flecha de sua aljava e cravá-la na empousa que se desintegrou. Ao tentar arrumar a postura e sorrir para isso, Hanne escorreu na lama e caiu sentado no chão. Porque claro, poderia vencer alguns monstros mas continuava o mesmo desastrado de sempre. “Ainda não sei o que fiz para Fortuna.” resmungou, a vista sendo levantada rapidamente ao notar uma sombra à sua frente. “Meus deuses! Se eu não morrer pelas mãos de um monstro, morro de susto hoje! Me ajuda aqui a levantar.” soltou um riso baixo estendendo a mão para x colega de batalha.
A filha de Plutão estava no mínimo entediada, algo um tanto curioso levando em conta que tiveram uma confusão como aquela há pouco tempo. Ela revezava seu tempo entre ler e ajudar alguns semideuses a porem as coisas em ordem, carregava algumas coisas, ajudava a limpar outras e estava até mesmo se arriscando na enfermaria como agora. — O quê? Não é só por que sou filha de Plutão que não posso ajudar os feridos. — Encarou a pessoa enquanto pegava alguns curativos. — Sem falar que preciso treinar minha biocinese, no máximo mato uma pessoa, mas não é nada demais, certo? — Debochou se controlando para não rir com o que era uma óbvia brincadeira, visto que achava impossível fazer isso com tal habilidade. — Posso colocar um curativo nesse corte ou vai dar um chilique como a última pessoa?
Era como se o pescoço tivesse se deslocado com a pancada, tornando difícil o simples ato de engolir a saliva. Ele devia prever que algo daquela natureza poderia acontecer em se tratando de um minotauro, mas a teimosia e arrogância impediam que recuasse. Estava convicto de que poderia derrotar o animal, e já erguia a espada novamente, ignorando a dor latente não apenas no tronco, mas também nos braços, quando percebeu que a visão começava a embaçar. Um abaixar de cabeça foi suficiente para que visse a camisa empapada com o próprio sangue, que se misturava com o pó dos lugares pelos quais rolara. “Não vou morrer hoje, se é o que está se perguntando”, falou, ao ver que alguém o observava. Internamente, contudo, só conseguia xingar todas as gerações da criatura que provocara aquilo.
Depois da batalha, todos no Acampamento Júpiter estavam abalados -- gregos, romanos, o que fosse. Claire não era exceção. Estava muito preocupada com de que maneira, exatamente, a situação se seguiria, sem contar que estava ansiosa para as missões que seriam anunciadas em pouco tempo. Sua face poderia estar tranquila, mas, por dentro, estava eufórica. A filha de Minerva estava sentada ao lado dx semideus, já sem qualquer expectativa para aquela noite. Nem mesmo sabia porque havia aceitado acompanhá-lx naquilo. Estavam próximos dos Campos de Marte -- onde se realiza os jogos de guerra -- e ela jurou que a aventura tinha algo a ver com ele. “Vai me dizer que ficamos acordadxs até tarde por nada?”
Cabana da coorte cinco 07:30am
Tudo o que eu podia esperar era que depois de tudo o que havia acontecido, alguma espécie de rotina sobreviesse a todos. Reconstruir o acampamento, os treinos e as refeições proveram isso com facilidade, mas ainda sim nem tudo estava de volta ao normal. Por exemplo, o fechamento dos portões e a proibição de sair do acampamento. Não demorou muito para que alguns itens ilícitos começassem a ser considerados itens de luxo. Demorou algum tempo para entender que como filha de Baco eu devia ter algum tipo de galpão cheio de bebidas para caso o apocalipse surgisse, mas não, esse não era o meu lance. Infelizmente, eu falhei em deixar isso claro nos últimos treze anos já que duas pessoas me esperavam do lado de fora da minha cabana, com a maior expressão de pidões na cara. “― Não, eu não tenho nenhuma bebida. Como eu disse para todo mundo ontem e ante ontem... e na noite anterior.”