Sempre fui o tipo de garota que gosta de companhia, infelizmente nem tanto da de si mesma. O que me ocasionava aceitar várias companhias que me tiravam pra dançar, e eu ia, só para não ficar ali sozinha, só para não ser a garota rejeitada que todos olham e sentem pena. Não, eu não queria ser essa garota, mas sempre que acabava a música e logo tocava outra, lá estava eu, abandonada, com medo e se sentindo rejeitada, infelizmente eu era aquela porra de garota, até surgir um outro par pra dançar, eu ficava aliviada, rodopiava e contava como estava feliz por ter me tirado daquela situação embaraçosa, até que depois de duas ou três músicas, estava eu ali, naquele loop infinito uma dança que acabava e logo outra já começava e ao mesmo tempo que ficava com medo de aceitar um novo par pra dançar, tinha medo da solidão. Até que aceitei novamente, mas dessa vez eu que interrompi e decidi ficar parada, decidi ser a garota cansada, até alguém me chamar pra conversar antes de dançar, mas eu estava bastante traumatizada. Não queria mais dançar, até que um antigo par me chamou, e eu me perguntei: “bom, por que não?”.. Deveria ter falado não, mas foi bom ter falado sim. Porque aquela música eu já não gostava mais, os passos eram repetitivos, o ambiente não me agradava, eu só queria sair dali e ir pra outro lugar. Eu precisava dançar aquela música, com aquela pessoa pra saber onde era meu real lugar e com quem eu gostaria de estar. Me lembrei do rapaz que me chamou pra conversar, e fui até ele perguntar se ele não queria dançar, foi diferente dessa vez, eu que tinha escolhido e estava disposta e decidida de verdade, eu estava feliz por ter dado aquele primeiro passo, mas antes ele pediu pra eu esperar. É claro que eu ia esperar, mas passou minutos, horas e o rapaz não voltava.. Eu não sabia o que tinha acontecido, pensei em diversas coisas que poderia ocasionar aquele atraso ou abandono? Eu não sabia o que era, só sabia que a vida tinha que continuar, eu pensei em voltar pra aquela dança com aquele par só para não ficar sozinha, mas sei lá.. Dessa vez eu estava disposta a ser a garota abandonada mas a que dançava mesmo sozinha e que não precisava de um parceiro pra aquela batida, eu inventava meus próprios passos, chorava internamente, pois claro.. eu fui abandonada, mas dessa vez eu ia fazer diferente, ia dançar a música que eu gostava, em um ambiente que me agradava e não me importava de estar sozinha, contanto que eu estivesse feliz em aproveitar aquela música, porque eu não sei quantas músicas me falta e nem sei, quantos álbuns me resta. Só estava cansada de me contentar com qualquer coisa, só para não ser a garota que todos sentem pena. A última dança de Maria Fernanda














