Nostalgia.
Hoje, eu acordei nostálgica.
Decidi ouvir a música que você me recomendou uma vez, disse que lembrava de mim ao ouvi-la. E depois, ouvi uma música da minha banda favorita da adolescência. Confesso que não consegui chegar até o final. A nostalgia me atravessou de tal maneira que não resisti e quis chorar. Esses dias, resolvi desistir de coisas que fazíamos juntos, porque não faz mais sentido fazer sozinha. Encarei as pessoas que eu amo sem entender o que elas diziam, porque eu apenas imaginava o quanto sentiria falta delas. Me lembrei, tão detalhadamente, do dia em que te conheci. Da irresponsabilidade de dormir tarde, conversando bobeiras, prometendo besteiras sem medo algum. Da paixão repentina que nunca cessava, do esforço de acordar cedo para me ver, que você nunca mais faria porque a vida adulta te engoliu.
Apesar de tanta nostalgia, nunca quis te ligar. A sua voz não seria mais a mesma e os nossos planos nunca aconteceriam. O meu jeito de ser charmosa, hoje, seria drama para você.
Hoje, prometer para mim em uma madrugada seria medonho. Antes, era amor, era divertido. Antes, você achava todos os meus gostos incríveis, mas hoje me sinto um peixe fora d’água quando preciso contar sobre eles a alguém novo. Hoje, vejo meu esforço para fazer alguém ficar, mas antes eu tentava entender, todos os dias, o que você achava tão incrível em mim. A vida não tinha linha de chegada, futuro ou medo. E, se houvesse algum futuro, ele estaria tão longe que não nos amedrontaria. É curioso porque, hoje em dia, eu sinto medo das próximas duas horas que estão por chegar.
Talvez eu não fosse tão amável como você dizia. Talvez a vida fosse mais encantadora, mais fácil, mais leve. Talvez amar fosse mais simples.
Simples de um jeito que jamais será. Se algum dia, na velhice, me questionarem o que me faz tanta falta, eu vou dizer que é amar.







