“Vivemos nessa busca incansável pela fonte da vida. Aquilo que sustenta nossos dias, que dá sentido aos nossos passos — sejam sonhos, objetivos ou um grande amor. Existe uma sede constante dentro de nós, uma necessidade de abastecer todos os planos que carregamos no peito e, ironicamente, torcer para que eles não acabem indo por água abaixo.
Não digo que não me sinto vivo. Pelo contrário. Há vida em mim, há movimento, há caminhos sendo percorridos. Mas existe também essa sede que não cessa, como um rio que nunca encontra o mar. Uma vontade persistente de viver algo que ultrapasse a rotina, algo que toque a alma de um jeito novo, que faça os olhos brilharem e o coração lembrar por que continua batendo com tanta esperança.
Mas existem dias em que essa sede pesa mais do que os sonhos que a criaram. Dias em que olho para tudo o que ainda não vivi e sinto como se estivesse parado diante de um poço vazio, esperando uma água que nunca chega. E então percebo que o mais doloroso não é a falta de respostas, nem a distância dos meus desejos. O mais doloroso é continuar carregando dentro de mim uma vontade imensa de viver, enquanto uma parte silenciosa da minha alma começa a duvidar que aquilo que procura realmente exista.”
Nebulento.













