O envelhecimento representa um processo natural e fisiológico onde as experiências emocionais, psicológicas e ambientais, o tornam um ser singular. As alterações fisiológicas, ao se somarem, diminuem a capacidade funcional do indivíduo e, consequentemente, comprometem sua qualidade de vida.
As alterações que ocorrem em vários sistemas diminuem a funcionalidade dos idosos. Para entender melhor, o equilíbrio e a marcha dependem de uma complexa interação entre as funções nervosas, osteomusculares, cardiovasculares e sensoriais, além da capacidade de adaptarem-se rapidamente as mudanças ambientais e posturais. Com a idade o controle de equilíbrio se altera, causando instabilidade na marcha, o que, associado à interação de vários fatores ambientais e do próprio indivíduo, pode resultar em queda, podendo levar a uma fratura.
A fratura do fêmur está entre as lesões traumáticas mais comuns na população idosa. Este tipo de fratura representa perda significativa da capacidade funcional, assim sendo, cerca da metade dos idosos tornam-se incapazes de deambular e um quarto necessita de cuidados domiciliar prolongado. O tratamento da maioria destas fraturas é cirúrgico, são utilizados vários métodos de osteossíntese proporcionando fixação rígida e segura, permitindo um início da marcha precoce.
Após a fixação da fratura a fisioterapia se torna de extrema importância, uma vez que limitações de mobilidade são muito comuns e podem ser parcialmente relacionadas à falta de força e potência muscular. A perna fraturada pode ser 20% mais fraca do que a não fraturada entre 3 a 36 meses.
A fisioterapia tem a finalidade de promover à mobilização precoce e o treino de marcha para manter ou restaurar possíveis déficits. O treinamento de força muscular é fundamental para estes pacientes, podendo ser realizados em supino e em posição bípede, com descarga de peso parcial. Contudo, na sessão também pode ser realizada a neuroestimulação elétrica transcutânea (TENS) no controle da dor, o fortalecimento por corrente de estimulação elétrica para os músculos dos membros inferiores e o exercício aeróbio para ganho de resistência cardiopulmonar.
Devemos também levar em conta um fator que pode influenciar em nosso tratamento, a dor. Esta pode atrasar a recuperação, sendo um motivo de menor adesão ao tratamento fisioterapêutico e também a dificuldade em realizar os exercícios, a ansiedade em realizar as atividades de vidas diárias (AVD’S), reduzindo assim, a capacidade de deambulação do paciente idoso acometido por fratura de fêmur.
B.C.B, sexo feminino, 83 anos portadora de demência senil, história de queda em domicílio, com fratura de colo de fêmur à direita e fratura de Colles. Realizou cirurgia colocando prótese de quadril e hastes no punho. Após a alta hospitalar foi encaminhada a fisioterapia, em que realizou-se avaliação fisioterapêutica, constatando perda da funcionalidade do membro acometido, com presença de encurtamentos musculares e fraqueza muscular de quadríceps, adutores de quadril, isquiotibiais, glúteo médio e tibial anterior, relatando parestesia no pé, dificuldade de movimentar este membro e dor. No punho refere dor sem restrição de movimento.
Após dois meses de tratamento segue vídeo acima: