A Memória da Inocência
Hoje eu pus o coração pra fora, e deixei ali
a vista de quem quisesse vir me salvar.
Pensei por tanto tempo em fugir, me esconder por ai,
sumir do radar, porque sei lá, quem é que me queira bem.
Tem tanta coisa aqui que nem sei como explicar,
e mesmo que soubesse, não saberia nem por onde começar.
Mas me lembro daquela vez em que
fritamos peixe com olhos verdes por horas e horas,
falando sobre Wittgenstein, e depois
pegamos um trem solitário.
Ficamos até as seis horas da manhã entre bares, biqueiras e puteiros,
ensinando Idealismo Alemão aos rejeitados, marginalizados.
Nem sei como foi que tudo se perdeu, mas perdeu.
Os sonhos que parimos suados, destruídos pelo calor,
revelaram-se natimortos.
Perdoa-nos Ruy Belo, perdoa-nos:
não há mais Sol para onde crescer.












