Começou com uma briga de três horas.
Estendeu semana a dentro, com fúria.
Três séculos de agonia cultivadas com cuidado
Foram colocados a tona.
E cada palavra dita,
E cada olhar dirigido,
E cada gesto não contido,
E cada tentativa frustrada
Tinha sido planejado mil vezes em sonhos acordados.
Nada daquilo era obra acaso.
Um ódio tão profundo precisa ser antes pensado.
E então, tão imprudente como começou,
Terminou, e fez-se silêncio,
Profundo e tenso.
A isto segue-se anos de derrotas e tragédias
Eu, envolvido em cada uma delas.
Havia em mim a vontade e o desejo de sobreviver, mas
Como disse Chinaski antes de mim,
Me faltava a habilidade.
Eu só queria ter como dizer aquilo que, supus,
Nasci pra dizer:
Que sempre houve tanta dor e miséria
Espalhadas pelas ruas, entre as pessoas que bem e vão
Que se houvesse um Deus, por ele eu juraria:
Pensei ser capaz de ajudar.
Que sabia eu sobre a derrota apenas
Por ter caçado pássaros para ter o que comer?
Que sabia eu de minha força apenas
Por ter sobrevivido a violência e a tragédia?
Por isso eu estava despreparado e desesperado
Quando a vida aconteceu, e
Entendi não ser suficiente.
Por isso chorei e chorei e cuidei
Com raiva e tristeza por igual,
Com ódio e violência acima do nornal.
Houveram noites em que eu tinha certeza:
Poderia matar alguém a dentadas,
Canibalizar alguém sem rancor.
Há coisas que somente um homem muito pobre e doente é capaz de sentir.
Que apenas a frustração e a derrota são capazes de produzir.
E então a bílis ferve
E o câncer se espalha pelo corpo.
E então a carne envelhece
E a fraqueza se apodera do corpo.
E nós, de volta ao começo,
Outros três mil malditos anos de agonia vividos,
Desembocados na certeza fria de que eu,
Eu, maravilhosamente, fracassei.















