Coexistir
Maria Lúcia se aproxima com o guarda-chuva. Se põe atrás da menina, e agora ela também está coberta. As duas embaixo daquele teto. Um teto que (sim), ela (essa mesma Maria Lúcia) alcança e pode deslocar como desloca o próprio corpo , preenchendo aquele espaço que no fundo todos sabem que são pertencentem (muito mais do que lhes pertence). A menina custa a perceber. Ela se demora no molhado. Até que olha pra trás. Maria Lúcia fita as luzes. Percebe- se observada e elas se entreolham um pouco. O pouco que sabem uma sobre a outra não as impede de coexistir ali.
Texto de Isabel Moreau
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