ENTREVISTA - MARI PAVANELLI - SÃO PAULO
Nascida no interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Tupã, Mari Pavanelli chegou na capital direto para o berço da arte de rua, o bairro do Cambuci. Não demorou muito para que o graffiti entrasse na vida dessa artista plástica, que já era apaixonada por ilustração.
Como surgiu a sua relação com a arte de rua?
Eu comecei a desenhar ainda criança. Nasci e cresci em uma cidadezinha do interior de São Paulo, chamada Tupã. Entretanto, quando cheguei na capital (há 10 anos) que tive contato com a arte de rua.
Fiquei encantada com os muros na cidade, e como eles se conectavam comigo. Foi então que começou a minha relação com as ruas, pois percebi que eu poderia tirar os meus desenhos da gaveta e usar os muros como suporte para também me conectar com a cidade.
Em um dia bem típico de São Paulo (cinza e meio chuvoso) sem instrução alguma, comprei umas latas e sai pelas ruas do bairro onde vivo, o Cambuci, e começei a pintar. Descobri ali uma paixão que queria carregar por toda minha vida. Um momento só meu, entre eu e o muro, foi mágico.
Desde então não parei mais!
O seu trabalho, além de bem feminino, tem uma forte ligação com a ilustração e traços muito delicados. Conta um pouco do seu processo criativo.
A figura feminina sempre esteve presente em minhas criações, assim como a natureza. Vejo muita relação entre a delicadeza das flores e a beleza da mulher.
Eu amo sentir o vento, o toque suave das flores... Quando fecho os olhos, me imagino em um mundo paralelo, sentindo flores em meu cabelo, e embora eu leve uma vida muito urbana e agitada, esse sentimento sempre esteve presente na minha vida.
Meu processo criativo vem disso, mas essas coisas não tem porque, eu simplesmente sinto e busco transmitir esse sentimento no papel.
A cena do graffiti feminino no Brasil tem crescido, mas ainda é pequena. Como foi a sua chegada nas ruas? Houve algum desafio?
Muitos! São preconceitos que enfrento até hoje. Desafios esses que só me fortalecem a continuar nessa jornada, buscando fazer o que amo, sem me rotular, com o único objetivo de espalhar a minha arte e fazer sentir.
Existem artistas brasileiras ou gringas que te inspiram? Quais? Por que?
A primeira artista de rua que conheci foi a Nina Pandolfo. Achei sensacional saber que existia mulheres na cena do graffiti, mas existem artistas femininas que me inspiram muito no mundo todo. Desde Georgia Okeeffe, Frida Kahlo à Alice Pasquini. Todas com estilos diferentes, mas com fortes personalidades.
O que você acha da cena feminina atual e o que você acredita que falta para essa cena crescer cada vez mais?
Acho que tem muito talento feminino por ai, mas para crescer precisam se unir, deixar o orgulho e preconceito de lado e juntar forças, principalmente com a nova geração, meninas que como eu estão se descobrindo na arte e buscando seus sonhos. Todas temos o mesmo objetivo e acredito que existe espaço pra todas brilharem!
Descreva o que a arte de rua representa na sua vida em uma frase.
Com a arte de rua evolui como ser humano, aprendi a me doar e a respeitar muito mais. Descobri minha real felicidade!
https://www.facebook.com/maripavanelli.art
Fotos: Arquivo da Artista