STREET OF STYLES 2015 - CURITIBA
Um pouco do trabalho das minas que representaram a cena no evento que rolou durante o fim de semana.
Artistas: Tikka, Suzue, Mari Pavanelli, Lola, Kueia, Crica, Nika, Shiro_one e Nay.
Fotos: Mari Pavanelli

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@coletivoefemmera
STREET OF STYLES 2015 - CURITIBA
Um pouco do trabalho das minas que representaram a cena no evento que rolou durante o fim de semana.
Artistas: Tikka, Suzue, Mari Pavanelli, Lola, Kueia, Crica, Nika, Shiro_one e Nay.
Fotos: Mari Pavanelli
ALINE TSC APRESENTA: DIEGO <3
O pequeno Diego acaba de completar 1 mês de vida. Para homenagear esse novo momento na vida da Aline, publicamos o ensaio feito nos últimos meses de gravidez.
Fotos: Bela Gregório
ENTREVISTA - MARI PAVANELLI - SÃO PAULO
Nascida no interior de São Paulo, mais precisamente na cidade de Tupã, Mari Pavanelli chegou na capital direto para o berço da arte de rua, o bairro do Cambuci. Não demorou muito para que o graffiti entrasse na vida dessa artista plástica, que já era apaixonada por ilustração.
Como surgiu a sua relação com a arte de rua?
Eu comecei a desenhar ainda criança. Nasci e cresci em uma cidadezinha do interior de São Paulo, chamada Tupã. Entretanto, quando cheguei na capital (há 10 anos) que tive contato com a arte de rua.
Fiquei encantada com os muros na cidade, e como eles se conectavam comigo. Foi então que começou a minha relação com as ruas, pois percebi que eu poderia tirar os meus desenhos da gaveta e usar os muros como suporte para também me conectar com a cidade.
Em um dia bem típico de São Paulo (cinza e meio chuvoso) sem instrução alguma, comprei umas latas e sai pelas ruas do bairro onde vivo, o Cambuci, e começei a pintar. Descobri ali uma paixão que queria carregar por toda minha vida. Um momento só meu, entre eu e o muro, foi mágico.
Desde então não parei mais!
O seu trabalho, além de bem feminino, tem uma forte ligação com a ilustração e traços muito delicados. Conta um pouco do seu processo criativo.
A figura feminina sempre esteve presente em minhas criações, assim como a natureza. Vejo muita relação entre a delicadeza das flores e a beleza da mulher.
Eu amo sentir o vento, o toque suave das flores... Quando fecho os olhos, me imagino em um mundo paralelo, sentindo flores em meu cabelo, e embora eu leve uma vida muito urbana e agitada, esse sentimento sempre esteve presente na minha vida.
Meu processo criativo vem disso, mas essas coisas não tem porque, eu simplesmente sinto e busco transmitir esse sentimento no papel.
A cena do graffiti feminino no Brasil tem crescido, mas ainda é pequena. Como foi a sua chegada nas ruas? Houve algum desafio?
Muitos! São preconceitos que enfrento até hoje. Desafios esses que só me fortalecem a continuar nessa jornada, buscando fazer o que amo, sem me rotular, com o único objetivo de espalhar a minha arte e fazer sentir.
Existem artistas brasileiras ou gringas que te inspiram? Quais? Por que?
A primeira artista de rua que conheci foi a Nina Pandolfo. Achei sensacional saber que existia mulheres na cena do graffiti, mas existem artistas femininas que me inspiram muito no mundo todo. Desde Georgia Okeeffe, Frida Kahlo à Alice Pasquini. Todas com estilos diferentes, mas com fortes personalidades.
O que você acha da cena feminina atual e o que você acredita que falta para essa cena crescer cada vez mais?
Acho que tem muito talento feminino por ai, mas para crescer precisam se unir, deixar o orgulho e preconceito de lado e juntar forças, principalmente com a nova geração, meninas que como eu estão se descobrindo na arte e buscando seus sonhos. Todas temos o mesmo objetivo e acredito que existe espaço pra todas brilharem!
Descreva o que a arte de rua representa na sua vida em uma frase.
Com a arte de rua evolui como ser humano, aprendi a me doar e a respeitar muito mais. Descobri minha real felicidade!
Mais sobre a Mari em:
https://www.facebook.com/maripavanelli.art
Fotos: Arquivo da Artista
ENTREVISTA - MATHIZA - SÃO PAULO
Mathiza escolheu a colagem como plataforma de trabalho. Envolvida com a street art desde o fim dos anos 90, ela fez parte da primeira "crew" feminina de Sampa.
Como a arte de rua entrou na sua vida?
Tudo começou em 1997, com os amigos da escola andando de skate, ouvindo um Hard Core e Punk Rock. A partir desse momento, o universo da rua se abriu para nós! Passei a ter contato com diversos personagens do ambiente urbano, entre eles pixadores e grafiteiros.
Você fez parte da primeira geração de meninas que se uniram no começo dos anos 2000. Fala um pouco dessa história.
Nessa época, a Vila Madalena era um bairro onde grande parte dos grafiteiros se encontravam, em função de uma ONG que existia por lá. Nesse ambiente, conheci a Pankill, Tikka e Miss. Foi um período muito bom! Estávamos começando e foi uma ótima oportunidade para fazer amizades e pintar em São Paulo.
O seu trabalho agrega ilustração e lambe lambe, que é algo muito interessante. Me conta como essa ideia surgiu e o que te chamou atenção nas colagens.
A colagem é um processo muito presente na construção do meu trabalho, mesmo quando desenho. Sempre chamou minha atenção as intervenções de colagem dos aristas Onesto e Toia. Assim, percebi que seria algo possível e eficiente como plataforma para rua.
A cena do graffiti feminino no Brasil tem crescido, mas ainda é pequena. Houve algum desafio para você?
Eu não acompanho muito a cena da graffiti atualmente, mas percebo que há uma quantidade muito maior de meninas pintando, e com trabalhos interessantes. O desafio é fazer.
Quais artistas brasileiras ou gringas te inspiram? Por que?
Vânia Mignone, Ana Amorim, Marina Abramovick Barbara Kruger, Pussy Riot, entre outras. Porque todas conseguem construir um pensamento feminista e não só feminino.
Descreva o que a arte de rua representa na sua vida em uma frase.
Me fazer presente.
Mais Mathiza em: https://www.flickr.com/photos/mathiza/
Fotos: Bela Gregório
Assistente: Marcela Bruscato
ENTREVISTA - ALINE TSC - SÃO PAULO
Aline Lorenzon tem 32 anos e começou a pintar os muros de São Paulo no ano de 1997. Através da forte relação com a pixação, passou a observar os trabalhos de grafite pela cidade.
A descoberta da rua como suporte para arte foi muito importante no envolvimento de Aline com o graffiti. “Descobri a rua como um suporte gigante para me expressar, uma galeria gratuita de diversos artistas e estilos”.
Nesta entrevista, ela conta um pouco da relação pessoal com a rua e a paixão pelo “bomb”.
Qual é a sua relação com o “bomb” e com o ato de pintar na rua?
Sempre foi uma relação muito boa. Acho que o bomb me traz uma sensação de liberdade, talvez porque na maioria das vezes são feitos sem autorização, tem que ser rápido, tem a adrenalina, tem a coisa da transgressão… E quanto a pintar na rua, graffiti é isso! Tem o contato com a realidade. Aliás, graças ao graffiti e a rua eu sou a pessoa que sou hoje. Convivo com muitas pessoas que com certeza se chocam com notícias que vêem e ouvem, mas pelas minhas experiências pintando na rua, pude conhecer muito mais de perto realidades que muitos só conhecem pela TV.
Quando começou, surgiu algum tipo de empecilho ou desafio por ser uma mulher escritora de graffiti?
Não tive empecilhos, nem mesmo da minha família que sempre me apoiou em tudo o que quis fazer. Também não posso dizer que sofri preconceitos, sempre fui muito incentivada. Já o desafio… Sempre me sinto desafiada principalmente por mim mesma a me descobrir, a fazer algo legal, a superar os meus limites. Nem eu e nem nenhuma grafiteira tem que ser considerada inferior a qualquer grafiteiro, aliás, tem muita mulher pintando por ai quem põe muito homem no chinelo.
Quais foram as suas principais inspirações quando começou a pintar na rua?
Acho que minhas inspirações sempre vieram do meu interior, daquilo que eu estava sentindo no momento, das coisas que eu vivo e vivi.
O que você acha da cena feminina em São Paulo?
A cena cresceu muito da época em que eu comecei até hoje em dia. Tem muita gente com um trabalho muito bom. Tenho visto que tem muitas meninas fazendo letras também, o que eu acho ótimo!
Cada pessoa tem sua história, sua vida, mas acho que ainda falta um pouco mais de atitude. De sair pra rua e chegar pintando.
Como você se vê na rua?
Tenho muitas dúvidas na minha vida… O graffiti é uma das poucas certezas que tenho. Deste modo, quando estou na rua pintando, me vejo e me sinto uma pessoa mais importante, mais feliz, mais completa e satisfeita.
Diga o que a Aline representa em uma frase.
Sou péssima nisso… Então, vou colocar um pedacinho de uma música do Bob Marley: “I’m a rebel, soul rebel. I’m a capturer, soul adventurer”.
Mais Aline em:
https://www.flickr.com/photos/alinetsc
Fotos: Bela Gregório
AS EFÊMMERAS NA CASA VERDE
No mural: Trinny, Siss, Bela e Niu!
Fotos: Bela Gregório
Pentax MX - Filme Kodak / ISO 200
BOLINHO APRESENTA: O GIGANTE MEXICANO
A Bela aproveitou as férias de janeiro para visitar a Raquel Bolinho em Belo Horizonte. O passeio rendeu esse ensaio fotográfico que também vai se tornar um vídeo, em breve!
Fotos: Bela Gregório
GABI NIU
Mural coletivo realizado no SESI - Santo André.
Novembro de 2013.
Fotos: Mateus Avila
PANKILL IN THE HOUSE!
Fim de tarde. Avenida 23 de Maio. São Paulo.
Fotos: Bela Gregório
BELA & TRINNY
Rolê de domingo no Jardim 3 Estrelas.
Evento: Guetto 3 Estrelas recebe Mozziyah Hi Fi Meets Leggo Violence & Jurassic Sound.
Fotos: Tabyta Ysmm
NINA PANDOLFO - SERENDIPIDADE
Meu primeiro contato com a Nina aconteceu em meados de 2011, quando gravei uma entrevista para o blog ALETRADA, que foi o embrião criativo e inspirador para o Coletivo Efêmmera. Com o gato enroscado nos ombros, ela pintava telas e contava um pouco da sua trajetória.
Ao entrar na Leme para prestigiar a mostra intitulada Serendipidade, me deparei com aquele gato enorme ocupando um bom espaço da sala. Nada poderia transmitir um pouco do que a Nina é quando cria, do que aquele gato imenso rosnando como se fosse de verdade.
Os detalhes e a poética sempre lúdicas, mas recheadas de signos, fazem parte do imaginário encantado dela. A natureza sempre representada com delicadeza , na forma de flores, bichinhos e pequenos desenhos que se transformam em texturas e movimentos.
Tudo que estava ali representava e refletia o encanto e a feminilidade que é a Nina por completo. As cores, a sensualidade no ponto certo, as obras sempre exaustivamente detalhadas e pensadas com o maior cuidado em todos os espaços.
A exposição é mais um trabalho lindo feito pela Nina. Sem dúvida, é resultado de muitas horas de produção rodeada dos gatos e tintas no seu ateliê intimista no bairro do Cambuci. Como sempre, vale à pena visitar e se encantar!
VÍDEO PARA ALETRADA
Fotos e texto: Bela Gregório
Última foto: Bela com a artista chilena Luna Lee durante visita na exposição da Nina.
WALESKA NOMURA - SÃO PAULO TO LONDON CITY
A primeira vez que conversei e fotografei a Wá foi em 2011, quando ela voltou para São Paulo em uma visita aos familiares... Algum tempo se passou e eu voltei a encontra-la agora, em 2013. As fotos dessa matéria são dos últimos trabalhos que ela pintou por aqui, mas a entrevista data de 2011, do primeiro contato que tive com ela.
Meu projeto, que começou com o blog intitulado Aletrada, se transformou no Coletivo Efêmmera. Através do apoio de outras meninas, a ideia tomou forma e gerou essa página nova. A Wá que me incentivou lá no começo, continua apostando na ideia de falar sobre as meninas que estão representando por ai!
ENTREVISTA
Waleska Nomura, 37 anos, conheceu o graffiti através do irmão, e também artista urbano, Tinho. Pegou a primeira lata de spray aos 11 anos, enquanto mexia nas coisas do irmão mais velho. Após pintar a porta do quarto inteiro, não quis parar mais. Nessa entrevista, ela conta um pouco daquilo que o graffiti representa para ela.
Qual foi o seu encanto pela arte de rua, pelo graffiti? Como isso se tornou parte da sua vida e do seu cotidiano?
Quando eu peguei numa lata de spray pela primeira vez, foi quando eu tinha 10 ou 11 anos, achei no quarto do meu irmão, ele tinha uns 13, 14 anos. A porta dele já estava toda pintada e resolvi testar a lata, aquilo me fascinou tanto que pintei toda a porta do meu quarto também. Mas o encanto mesmo veio quando eu comecei a pintar nas ruas, com contato direto do público. Podendo pintar o que eu quisesse e passar a mensagem que quisesse para milhões de pessoas que passassem pela rua.
Sendo uma das poucas mulheres na rua quando começou, em algum momento teve medo ou se sentiu vulnerável?
Eu sempre fui meio doidinha quanto a minha segurança, sempre fui muito atirada para tudo. Bem antes de eu começar a pintar, já freqüentava muitos shows de Hardcore e me jogava do palco, confiando em alguns amigos que iriam me pegar lá embaixo, se eu gosto ou acredito em algo, eu pulo de cabeça mesmo. Quando eu comecei a fazer o graffiti, um dos motivos que me fascinou mesmo, foi esta sensação de perigo, de adrenalina. Quanto à vulnerável, eu sempre me sinto vulnerável! Andando pelas ruas, dirigindo o carro a noite, no ônibus, dormindo… Mas o único momento que eu não me sinto vulnerável é quando eu estou pintando, seja na rua ou no atelier, eu me sinto feliz e protegida. Porque ali eu me coloco em um mundinho só meu.
Você observa algum tipo de distinção ou peculiaridade no graffiti feminino?
Não em todas as artistas, mas na maioria, da para notar sim, pois as mulheres são, na maioria, mais sensíveis que os homens. Os homens têm uma visão mais direta, mais prática, a mulher, geralmente, tem uma visão mais romântica, mais florida, eu acho.
Fala um pouco do seu trabalho intitulado “Espalhando Amor e Energia Positiva pelo Mundo”, como surgiu esse conceito dentro de você e por que.
Por eu estar sempre pintando nas ruas, as pessoas sempre me paravam para elogiar e diziam como minhas pinturas as faziam felizes. Isso me fez pensar muito sobre o meu trabalho e decidi dar início a este projeto, isso me fez muito feliz, pois tinha a possibilidade de estar pintando nas ruas, em contato com milhões de pessoas que estariam passando por lá e eu poderia estar mandando uma mensagem positiva, passando um pouco de conforto a muita gente.
O que o graffiti representa na sua vida como um todo?
É uma plataforma para eu me expressar com o mundo, algumas pessoas escrevem livros, outras, escrevem música ou poesia, eu uso minha arte para expressar meus sentimentos.
Fotos e texto: Bela Gregório
Site da Wá!!!
MUSA - BELO HORIZONTE
A mineira Louise Líbero, mais conhecida como Musa, escolheu as letras como forma de se expressar na rua. Desde nova, adorava riscar nomes no papel, mas fez o seu primeiro muro em 2007. Hoje em dia, trabalha oficialmente como empresária e participa da crew feminina Minas de Minas, em Belo Horizonte.
Como surgiu o seu envolvimento com a arte de rua?
Eu já gostava de observar os muros de Belo Horizonte desde nova e as vezes arriscava algumas letras no caderno. Nessa época eu não tinha ninguém como referência por perto, era apenas o que eu via na rua.
O meu contato com o graffiti se deu de fato quando comecei a namorar. A partir dai fui me envolvendo mais com o movimento e conhecendo mais pessoas ligadas ao graffiti. Ai não parei mais!
Por que escolheu as letras?
Os letreiros sempre me chamaram mais a atenção, como citei, desde nova já riscava letras no caderno. Acho também que é uma forma mais “agressiva” de expressar a minha arte e é o que eu realmente gosto de fazer.
O que você acha da cena feminina atual?
O número de meninas grafitando vem crescendo em número e qualidade, mas algumas meninas entram pela “moda” ou porque o namorado pinta... Isso faz com que elas parem de pintar ao longo do tempo. Além do mais, graffiti é amor e dedicação, coisa que não se vê muito entre as mulheres que resolvem começar.
E em Belo Horizonte, como é a cena?
Em Belo Horizonte, a cena feminina é bem restrita e são poucas as que estão na ativa atualmente! Exatamente por esse fato, nós formamos a “Minas de Minas Crew”, que é composta por mim, Krol, Nica e Viber. A proposta da crew é incentivar outras mulheres e mostrar a força do graffiti feminino para nossa cidade e para o mundo.
Se você pudesse descrever a sua relação com o graffiti em uma frase, qual seria?
Faço por amor, por gostar, independente se o meu estilo agrada ou não.
Fotos: Arquivo da Artista
Minas de Minas Crew
Flickr da Musa
SOBRE RODAS
Bia Sodré é uma skatista profissional, carioca, de apenas 19 anos que já conheceu diversos países através do esporte. Futura estudante de comunicação, ela contou como as 4 rodinhas surgiram na vida dela e o que já aprendeu com elas.
Quando e como surgiu o seu interesse pelo skate?
Eu moro em área de praia e sempre fui de fazer esportes junto com meu irmão. Surfávamos numa escolinha e a galera falou para irmos andar de skate também, nessa mesma época, estava rolando um evento de skate no Rio, vi na TV e fiquei fascinada pelo skate! Fomos logo procurar um lugar para andar e foi amor a primeira vista.
A partir de que momento você se deu conta que andar de skate estava virando coisa séria?
Sempre fiz varias coisas, de teatro, jazz, dublagem, até chegar nos esportes, como handboll e agora o skate. De todas as coisas que eu fiz, foi o skate que me prendeu de verdade. A sensação de ser livre, conhecer novos lugares e fazer muitos amigos de varias partes do mundo.
Comecei a participar de varias competições , de um tempo para cá fui indo para o lado do bowl, de andar em transições e mesclar com manobras de street... Ai fui para o circuito mundial na Europa e depois acabei passando para profissional e competi no vertical aqui no Rio, onde fiquei em 3º lugar. Foi algo que aconteceu por etapas. Procuro me divertir ao máximo fazendo o que gosto.
O que você acha da cena do skate feminino atualmente? As meninas estão aparecendo mais ou ainda são poucas?
A cena está crescendo muito! Desde que comecei a andar de skate. Antes via poucas meninas onde eu andava, hoje chego lá e tem varias... Desde pequenininhas até as mais velhas. Isso é muito legal!
As meninas também estão se jogando mais, querendo evoluir, procurando andar em lugares novos... Espero que continue evoluindo. Ainda falta o incentivo para o skate feminino, mas estamos chegando lá.
O que o skate representa para você como um todo?
Liberdade! Formar uma família de milhões de skatistas pelo mundo todo, onde você chega com o skate, seja num skate park no Rio ou em outro país, a galera sempre recebe bem. Conhecer outros lugares, culturas e esse lifestyle que só o skate nos proporciona.
O que o skate já mudou na sua vida? O que já te proporcionou?
O skate já me levou para vários lugares que eu nunca imaginei pudesse ir. Fiz uma tour por 8 países da Europa ano passado e até um tempo atrás nunca tinha pensado em fazer isso. Conhecer novos lugares, fazer amizades, criar uma família do skate pelo Brasil e pelo mundo. O skate é livre, você pode andar onde quiser porque sempre vão te receber bem em todos os lugares.
FAST QUESTIONS
Uma cidade? Barcelona
Uma música? Wish You Were Here – Pink Floyd
Uma palavra? PAZ
Uma Lembrança? Euro Tour 2012
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Fotos: Adriana Brito, Gustavo Suisso e René Junior.
MULHERES QUE INSPIRAM: CÁSSIA TABATINI
Ela é uma fotógrafa que inspira e transborda personalidade. Começou a dar os primeiros clicks na platéia de shows de rock e virou uma queridinha da moda. Cassia cedeu essa entrevista para as Efêmmeras e contou um pouco sobre a sua trajetória e seus novos trabalhos, que ainda estão para sair.
Me conta um pouco da sua trajetória no fotografia. Desde as bandas underground, passando pelo fanzine durante sua temporada em Londres e a volta para o Brasil.
Ganhei minha primeira câmera do meu avô ainda bem pequena. Anos se passaram e eu voltei a fotografar na época da Faap, nos Gigs, adorava assistir as bandas e comecei a fotografa-las também. Naquela época as câmeras ainda eram analógicas. Eu trabalhava com um amigo que filmava e ninguém tinha celular com câmera, como agora, isso foi mais ou menos em 1998. Eu vendia as fotos para as bandas junto com os vídeos produzidos pelo meu amigo.
Em Londres eu fotografava só aquilo que eu gostava no meu dia a dia. Então resolvi fazer uma pós em estúdio e iluminação. Bem nessa época rolou o "boom" do digital, fotos cheias de retoques e eu não me identifiquei com isso tudo e fiquei um bom tempo sem fotografar. Quando eu descobri que a fotografia era o que eu mais amava fazer, voltei para ela e conheci o Fábio Gurjão, artista plástico brasileiro que estava por Londres, a gente criou um fanzine chamado FUR de papel jornal e foi um sucesso! A maior parte dos meus amigos trabalhavam com moda, comecei a fotografar para eles e depois me profissionalizei na área. Assim, comecei a entender o que eu realmente gostava na fotografia e a minha linguagem própria.
Seu trabalho tem uma energia e inspiração muito urbana. Qual é a relação da cidade com as suas fotos?
Eu sou mais urbana mesmo! Gosto das grandes metrópoles, mas acho que isso também é coincidência. Eu estava em Londres e fotografava o que via por lá, agora estou em São Paulo e faço a mesma coisa. Gosto de partes da cidade que não se revelam muito, nem na época, nem no lugar exato.
Em 2011, você lançou o projeto "The Nude Project" como um livro, no qual fotografou uma série de amigos nus. Como essa ideia surgiu e o que esse trabalho representou para você?
Esse projeto não era nada demais. Era o meu universo, os meus amigos… A história era que eles tinham um look incrível e eu queria ver se eles tinham a mesma essência sem roupas. Para mim, eles eram montados demais, mas também me inspiravam muito, eram os novos dândis e foi assim que o Nude Project começou. Demorou quatro anos para que essas fotos fizessem realmente um sentido para mim. Não lembro direito como surgiu a ideia, mas lembro de duas pessoas que apoiaram muito no começo, a curadora Kika Mazzuchelli e o curador mexicano Pablo Leon de la Barra. Quando eu finalmente terminei as fotos, outro grande incentivador foi o artista Amilcar Packer. Eu imprimi o livro de forma independente e achava que apenas os meus amigos iam comprar, mas vendo esse livro até hoje e recebo pedidos do Brasil inteiro e de outros países como França, Alemanha, Inglaterra e Espanha.
É um trabalho documental, retratos de uma época. Acho que as pessoas gostam desse realismo. Estou editando uma nova revista de retratos masculinos, que deve sair muito em breve, conto com colaboradores… Está ficando linda
Atualmente, você trabalha muito com fotografia de moda. Tem feito vários editoriais belíssimos para revistas como L'Officiel e a marca de jóias Skull. Qual é a sua relação com a moda e o que te chama atenção nesse meio?
Quando comecei a fotografar, adorava revistas como a Dazed, Sleazenation, ID, Dutch… Gostava muito de street style, gangues e moda raw. Isso era em meados dos anos 90. Quando voltei para o Brasil, fiquei hospedada na casa do stylist Dudu Bertholini e a primeira história que fotografei foi para a U Mag e o convidei para fazer comigo. Não esperava que ele tivesse tempo, mas ele se dedicou muito e me deu total liberdade para fotografar. A gente se entendeu muito bem e tanto a marca Skull, quanto a revista L’Officiel foram convites do Dudu.
Temos muitos outros ensaios idealizados que ainda queremos realizar. São ensaios trabalhosos e precisamos de veículos que nos dêem liberdade porque são muito autorais. No Brasil, não existem muitos veículos que proporcionam essa liberdade.
Para terminar, o que a fotografia representa na sua vida?
Nunca penso nisso. Penso no que a fotografia representa e para o quê ela me serve. Acho que para me comunicar. Também penso em quem ama a imagem, a fotografia e o que essas pessoas tem em comum. Algo como a paixão pela beleza, independentemente do que essa beleza seja para cada um.
Mais Cassia: http://www.cassiatabatini.com
Fotos: Arquivo da artista
AS MENINAS DO ABAYOMI ATELIÊ
Nascidas e criadas na zona leste de São Paulo, três meninas criaram um projeto para incentivar a cultura urbana no bairro onde moram. Com um toque feminino e muita atitude, elas mostram nessa entrevista que a força de vontade é capaz de realizar sonhos.
Qual é a história do Abayomi Ateliê? Como ele surgiu e se desenvolveu?
O coletivo Abayomi Ateliê é um espaço cultural aberto à produção de arte. Trabalhamos com graffiti, música, customização de vestuários e fabricação de artesanatos. Além disso, produzimos eventos com foco nas comunidades. O projeto é formado pela Laís Fernanda, Marisa Souza e Pamela Rosa, todas nascidas na zona leste de São Paulo.
O desenvolvimento do espaço se deu graças união das nossas forças em parceria de amigos, colaboradores e familiares, que acreditaram no nosso trabalho e participaram diretamente desta evolução, tanto presencialmente, quanto no envolvimento com os eventos que produzimos.
Nosso trabalho está ligado diretamente com a comunidade do entorno, fortificando a arte na região. Produzimos encontros de graffiti, intervenções fotográficas e desfiles de vestuários artesanais.
Qual é a relação de vocês com o graffiti e como esse envolvimento deu origem ao Ateliê?
Antes que o Abayomi sonhasse em nascer, Lamah (Laís e Marisa) e Bien Rosa (Pamela), já faziam graffiti. Com o tempo, começaram a pintar camisetas e perceberam que poderiam transportar o sentimento do muro para o próprio corpo, através do tecido.
A princípio, as peças eram para uso pessoal e produzidas em casa, mas os amigos começaram a encomendar camisetas e se interessar pelas pinturas. Foi quando a proporção cresceu de forma que sentimos a necessidade de um espaço para essas produções. Inicialmente, nos instalamos no prédio do Projeto AZU, que consiste na pintura de azulejos artesanais.
Com o passar do tempo, locamos nosso espaço atual, onde desenvolvemos não só peças de roupas, mas uma articulação artística dentro de Ermelino Matarazzo. Além dos nossos trabalhos individuais, somos completamente influenciadas pela linguagem do Hip Hop e suas vertentes. São Paulo, apesar de suas deficiências é um palco para arte urbana. Suas galerias à céu aberto revelam expressões que nos inspiram. Os becos, vielas, a arquitetura peculiar da favela, as pessoas que vivem nela e entram na composição… Tudo isso influencia aquilo que produzimos, seja no desenho, nas poesias ou nos trabalhos realizados pelo Abayomi Ateliê.
Atualmente, as três integram a crew de graffiti N.E.V. (Novo Estilo de Vida), grupo formado desde 2000. O graffiti não nos trouxe só realização e reconhecimento, nos trouxe uma parceria empreendedora.
Por que Lamah? Como surgiu a parceria de vocês duas e quando?
Laís e Marisa formaram a “Lamah” em 2008, no momento em que pintavam juntas as iniciais LA e MAH. A partir da união das duas assinaturas, e coincidentemente através de uma paixão musical de ambas pelo Nação Zumbi, percebemos que poderíamos nos apegar no significado da LAMA, e compartilhar sentimentos nas paredes.
As principais referências são as letras da banda, os pensamentos de Chico Science, do manguebeat e da lama. A ideia é transportar para o muro todo pensamento subjetivo e expressado através do desenho e letras de graffiti. O projeto é renovar o apagado e encantar com o simples, resgatando a cultura bela das nossas origens.
O que vocês acham da cena feminina atual?
Observamos a todo momento que a cena feminina está em constante evolução, e crescimento.
É importantíssimo a ação das mulheres, não só no graffiti, mas na música, skate, fotografia e toda forma de cultura urbana. Dentro do conceito artístico, a mulher já possui um capricho natural, nascemos com ele, e isso torna o trabalho além de bonito, especial. A mulher faz toda a diferença na comunicação das linguagens, fortalece a cena, e desperta o interesse de outras mulheres, criando elos, parcerias e incrementando a beleza dos movimentos culturais.
Qual é a relação particular de vocês com a rua e com a cidade?
Nossa relação com a rua é única, essencial, inspiradora. Sem a rua e suas preposições estéticas, não alcançaríamos tamanho crescimento. A rua é referência. Um moleque com um pipa, um grupo jogando bola e sua arquitetura peculiar, transforma nossa visão estética em movimento. Desenhamos as histórias que gritam em nossos ouvidos e corações. A rua nos faz crescer, produzir, ter idéias e aproxima as pessoas. São Paulo é uma galeria de arte a céu aberto, cada traço, cada cor, cada efeito é uma surpresa. Nos apropriamos o máximo que podemos da cidade e seu cotidiano, tanto para intervir, quando para demostrar, através dos eventos que produzimos, que todos nós somos capazes. Basta querer, sonhar e LUTAR.
Se vocês pudessem falar o que o graffiti representa para vocês em uma frase, qual seria?
O graffiti é a nossa vida, o nosso futuro. Nos trouxe realização, reconhecimento e uma parceria empreendedora, chamada Abayomi Ateliê.
Blog das meninas: http://www.abayomiatelie.blogspot.com.br
Fotos: Divulgação
TOOFLY - NYC GIRL
A grande e querida Toofly deu uma entrevista muito legal para o Coletivo Efêmmera. Ela falou sobre sua história e do que um verdadeiro artista é feito, com estilo e boas habilidades.
The great and gorgeous Toofly gave a nice interview for Coletivo Efêmmera. She talked about her story and the important things to be a real artist, with style and skills.
Você representa a cena feminina “novaiorquina" dos anos 90. O que você pode me falar dessa época? Como era a experiência de ser uma mulher do graffiti naquele tempo?
Em primeiro lugar, não existia internet naquela época e era difícil encontrar livros que falassem sobre o tema. Isso era bom porque tudo que a gente criava era original. Nós possuíamos apenas o trabalhos dos amigos para observar na rua e nos inspirar. Eu cresci na “Era de Ouro” do Hip Hop e era um momento especial para música e arte. Eu estava vivendo em uma cidade culturalmente diversa com uma cena incrível e e cheia de atitude e energia no graffiti. Antes da “street art” um grupo de artistas do stencil e que pintavam com pincéis vieram para Nova York e criaram o seu espaço. A vida antes deles era mais crua e verdadeira. Como uma mulher crescendo nesse meio, eu me desenvolvi com inteligência e independência sobre a rua. Você ganha respeito com suas habilidades e não por usar uma mini-saia que mostra a sua bunda enquanto pinta! Era um tempo diferente e você carregava sua história com integridade.
You represent the New York female scene from the 90’s. What you can tell about that time? How was the experience of being a female writer in those times?
First of all there was NO INTERNET, and hardly any books to look at about graffiti. This was a good thing because whatever we created at the time was ORIGINAL. We had each other’s work to look at on the street and get inspired. I grew up during the golden era of Hip Hop. This was a special time for music and art. I was raised in a culturally diverse city with an amazing graffiti street energy and attitude. Before “street art" and a bunch of little brush and stencil artists came to this city and built their condos. Life in New York back then was raw, and true. As a female growing up in this environment it made me tough, street smart, and independent. You gained self respect for your skills, and not for wearing a cute little outfit to show off your ass while you paint. It was a different time, you carried yourself differently and with integrity.
Como você criou a assinatura Toofly? O que esse nome representa para você?
Esse apelido foi dado pelo meu primo. Surgiu para representar várias coisas, acima de tudo representa um sentimento em ascensão como um voo em alta velocidade.
How you discovered the name Toofly, what this represents to you?
The name was given to me by my cousin. It has come to represent many things most of all a sense of rising up to higher levels and of a fast flight.
Hoje em dia podemos ver mais garotas pintando na rua. O que você pode dizer da cena feminina quando você começou em comparação com os dias de hoje?
Não existiam muitas. Quando eu surgi em público pela primeira vez, com o meu trabalho usando latas de spray, eu conhecia apenas a Lady Pink e sua amiga Muck. No meu bairro, no começo dos anos 90, haviam 2 meninas do bomb que pintavam a Linha 7 de trem, Jakee e Ms Mags. Eu não conhecia ninguém mais.
Today, we can see more girls painting and writing on the streets. What can you say about the female scene when you started and now?
There wasn’t many. When I first went public with my street aerosol work in 2002 I only met Lady Pink, and her friend Muck. In my neighborhood in the early 90’s there were 2 bombers that hit the 7 line train. Jakee, and Ms Mags. I didn’t know of anyone else.
Você criou um projeto chamado Younity, o que você pode falar sobre ele?
Eu comecei a pintar com meninas em 2003 e começamos a colaborar umas com as outras em exposições e murais em diversos bairros. Começaram a nos chamar para eventos sobre as meninas do hip hop em diversas partes do país e achamos que era o momento de usarmos um nome em conjunto. Eu coloquei o nome do coletivo de Younity e como um time produzimos exposições, murais, workshops educacionais para a juventude de cidades do interior.
You founded a project called Younity, what can you say about this for us?
I began painting with women aerosol artists in 2003 and we began to collaborate on doing exhibits, and productions in various neighborhoods. We were invited to Women in Hip Hop events throughout the country and felt it was time to come together under one name. I named the collective Younity and with a team we began to produce exhibitions, murals, and education workshops for inner city youth.
Deixe uma mensagem para as grafiteiras brasileiras, que se inspiram no seu trabalho e estão começando ou querem melhorar os trabalhos feitos na rua.
Melhore suas habilidades e trabalhe duro para ser original. A internet deixa as coisas mais fáceis e as pessoas tendem a copiar o estilo de outro artista. Você não vai ganhar respeito com isso e suas ideias e habilidades não podem crescer se você não “sair da caixinha”. Muitos artistas copiam o trabalho de outros e é muito fácil de detectar. Isso degrada a qualidade do seu trabalho.
Can you leave a message for the brazilian female writers that are inspired by your work and are starting or improving their works on the streets?
Improve your skills, and work hard to be an original. The internet makes it very easy for you to copy someone else style. You will not get respect for that, and your skills and ideas will only improve if you step outside the box. Too many artists try to copy another artists work and it’s very easy to spot and it downgrades the quality of your work.
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Fotos / Pictures: Arquivo da Artista