“Can you say sitcom? Cause I can. Three guys and a baby?”

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“Can you say sitcom? Cause I can. Three guys and a baby?”
He’s killing us all 😩🥰
David & Max Peck💕
Watching Jason's new vlog and all the baby toys. My HEART IS PURE!!!
Mini David Dobrik jacket!!! 💗
David commenting on the clothes and the swaddling bath towel made him sound like he gave birth to Max lol
This whole video was so pure and David is so in love with little Max that I cannot imagine how he will be with his own children 🥰😭
Yuri Gagarin’s brother Boris on the phone. “Max Peck? You have wrong number, comrade!”
Copideska pra mim?
por Débora Nazari
Max Peck era filmado pela equipe como pessoa de personalidade excêntrica. Figura esquia, magra com aquele tom de voz quase de narrador de documentário. Não era de falar muito, mas o olhar observador que vinha de sua mesa, localizada numa ponta extrema da redação, permitia que visse e ouvisse tudo que estava ao redor. Era daqueles que se escondia por uns três dias na baia do escritório para apurar uma boa matéria ou passava horas fumando um maço de cigarros no telhado. Sozinho.
Na redação, metade dos jornalistas dizia que ele era surdo de um ouvido e a outra metade afirmava ter visto uma perna de madeira por baixo do box do banheiro. Talvez intriga, calúnia ou inveja dos seus textos primorosos, para mim era apenas um homem na casa dos seus 47 anos vivendo consigo e seu contrário.
Particularmente ficava fascinada ao observar a maneira que ele organizava a coleção de miniaturas de tartarugas de madeira. Será que sonhou em ser biólogo marinho ao invés de escritor? A vida dá dessas, você almeja, mas a realidade acontece e você precisa de reinventar.
Seus desaparecimentos constantes agora passavam despercebidos pela maioria dos colegas. Que tanto faz um escritor? O único que ficava aflito ao procurá-lo era o editor chefe, mas para cobrar o prazo da entrega das matérias que ironicamente sempre era cronometrado e com correções mínimas ou nulas de seus textos. Eu mesma notava nesse ínterim, que cada sumida equivalia a uma mudança na ordem das miniaturas das tartarugas.
Eram 12 tartarugas marinhas, entalhadas numa madeira castanha, meio cor de tijolo fresco de construção. Da primeira para a décima segunda, a variação de tamanho era quase imperceptível, mas curiosamente ele virava uma delas organizadas em fila indiana um dia antes de desaparecer. Para onde vai um escritor?
Foi numa terça-feira véspera de feriado que ao sentar em minha mesa noto de canto de olho a oitava tartaruga virada na fila. Rebobinei o dia anterior em minha mente, Max estava como sempre, inclinado em sua mesa e digitando calmamente no computador. Às 12:48 em ponto deu sua pausa para fumar, voltou após duas horas no telhado e terminou o texto com a entrega na risca do deadline. Arrumou as tartarugas e se foi pontualmente às 19:05.
Não sei como nem quando ele me ouviu sobre minha pauta da passagem do tempo. Se chegou a ler a versão final muito menos sei, mas ao abrir o computador pela manhã eis um e-mail com o título “Copideska pra mim? Use como quiser”.
...
Interessante o texto. Mas tenho alguns pontos de vista que não vi contemplados. Me sinto subsidiado para argumentar, afinal, não tenho agenda, tenho demanda, não ando devagar na terra, ando no limite tentando reduzir tempo - seja num carro de corrida ou evitando os lerdos na Vinte e Três (com segurança). Sou intenso: quero ouvir todas as músicas, ler todos os livros, ver todas as peças, conhecer todas as pessoas interessantes. E para piorar, adoro ver o mesmo filme várias vezes e ler o mesmo livro, assim como ler livros diferentes simultaneamente, enfim. Aos quarenta me toquei que não conseguiria bater a meta levando em conta a expectativa de vida do IBGE para homens. Então comecei a: priorizar, saborear, fugir a regras e a viver cada dia como se fosse o último. Como disse o Verissimo, um dia você acerta. Um ponto crucial: não sei quanto tempo tenho. A expressão “tempo é dinheiro” é simplista ou monasticamente ambígua. O que devo fazer com meu dinheiro? Às vezes ter paciência e esperar a Bolsa subir. Senti no texto a falta da opinião de um físico para falar do tema, mas fiquemos no campo humano. Sim: um dia me encontrei em um mundo em que vi minha energia de workaholic ser aproveitada e virar uma vantagem, com a Internet, um onipresente Blackberry, telefone e e-mail em aviões, e fui entusiasta dessa revolução, pois a sensação de estar em todos os lugares me seduziu e me fez adicto. Quando o WhatsApp surgiu, eu usava para conversar em noites insones com uma única amiga. Parecia que só havia a gente usando a plataforma. Do nada, a ferramenta, associada a redes sociais encantou os afoitos derrubando ditaduras, mobilizando jovens, fabricando primaveras, influenciando eleições. E aí uma primavera virou a guerra da Síria. E as ditaduras expulsas deram lugar a regimes distópicos. Informações falsas viraram uma indústria e eleições foram definidas por informações falsas. A AlQaeda perdeu espaço para o mais tecnológico e de linguagem mais juvenil Estado Islâmico, expandindo sua capacidade de arrebatar mentes vazias em momentos de apatia nos lares menos suspeitos, mas hiper conectados e carentes de humanidade. Agora: quando começou a guerra na Síria? Não lembramos. Há quanto tempo o avião da Malásia desapareceu? E mais grave ainda: onde está nossa urgência em salvar as meninas roubadas pelo Boko Haram? Alguém lembra que este assunto está em aberto? O que houve com a iraniana Sakineh Ashtiani, condenada ao apedrejamento por adultério? Não temos tempo ou interesse para persistir em uma causa? Sim, temos ferramentas que aceleram processos e isto deveria ser bom para o “nosso tempo”. Mas a justiça está mais célere? As pessoas estão mais informadas? As relações humanas foram harmonizadas? Chegamos a Marte? Não, mas lemos sem refletir, recebemos informações que nos inflamam e não checamos, perdemos o controle de nossas caixas de e-mail e vivemos uma intensa sensação de culpa e medo. Rodrigo Turim falou do trem, mas esqueceu do jato. Foi o avião a jato que diminuiu o mundo fisicamente. A Gripe Espanhola dizimou cem milhões de pessoas em todo o mundo, cinco por cento da população mundial em 1918 ao longo de dois anos. Uma nova pandemia nos dias de hoje atingiria todo o planeta em questão de dias com as rápidas conexões a jato, enquanto boatos e desinformação criariam o pânico. A “desempatia” das redes facilita para Trump e Bolsonaro acelerando as conversões de almas em busca de mestres e catarse para seus ódios e temores particulares. Na década de trinta os fascistas usavam panfletos e cartazes com mentiras e desculpas para o que se transformaria em matança. Assim como os comunistas e jihadistas. O poder e a velocidade de se estabelecer ordens e novos regimes foram agilizados e com a velocidade de propagação ainda mais potente na idiotização coletiva de um mundo egoísta, imediatista e onde não há tempo para pensar no outro. Tudo é commodity. Não se aproveita mais a vida, pois se viajamos mais, usamos tempo de usufruir postando, publicando e fotografando em tempo real, trocando a abóboda celeste e o horizonte pela perspectiva de prender uma aurora boreal ou um golfinho para sempre numa telinha de smartphone. Dá pra reverter? Não. Quando a Revolução Industrial começou, trabalhadores resistiram destruindo as máquinas. Elas simplesmente eram repostas. E aqui estamos, escravizados pelo senhor, pelo feitor e por nós mesmos. Podemos conviver melhor com isso? Depende. Vivemos o avanço da I.A. que me dá medo. E ao mesmo tempo um movimento em parte espontâneo, em parte gerenciado e encorajado de anti-intelectualismo e anti-globalismo. Um retrocesso ao tempo feudal, onde pouquíssimos detinham os meios de produção e o poder e as trevas convinham aos poderosos. Estamos claramente vendo os ideais do Iluminismo serem destruídos. Para não precisarmos de uma nova Renascença, podemos resistir. Fugir ao sistema. Aproveitar o paradoxal anonimato entre bilhões de microcelebridades virtuais e decidir como usar um recurso que não temos como saber quanto temos na conta, o tal do tempo. Façamos como Carmem Miranda na música de Assis Valente “E o Mundo não se Acabou”, faça o que achar que lhe fará bem, sem abrir mão de princípios humanos, óbvio. E claro, não podemos abrir mão de uma mínima prudência, mas, escolher como usar este ativo é mais simples do que parece: preciso ouvir um idiota e obedecer a uma ordem que não faz sentido? Preciso de um crachá, um cubículo, palestras motivacionais e a sensação de pertencer a algo? Preciso mesmo da falsa sensação de estabilidade e segurança quando poderia estar conquistando pontos para a humanidade seguindo meus valores e instintos? Preciso assistir algo por que todos estão falando sobre isso? Preciso acertar sempre? E devo fazer o que os detestáveis normais chamam de loucura? Tatcher em a “Dama de Ferro” falava que antes queríamos ser e hoje queremos ter. Antes fazíamos por uma causa, hoje queremos crédito. Devemos nos libertar: da pressão, da culpa, da impaciência, do que nos faz mal, das angústias, da ansiedade, do imperativo dogma de “ser normal”. Nossos cérebros estão diminuindo pois só arranhamos a superfície das informações, nos atrofiamos abrindo mão da memória e da reflexão. Como Woody Allen disse sobre sua experiência com a leitura dinâmica: estava indo bem, estava terminando de ler “Guerra e Paz” em menos de um dia e pelo que já tinha compreendido, aparentemente era sobre a Rússia. Tempo é uma métrica para muitos, mas é mais uma dimensão da física. E num campo mais relativo cientificamente, o que é ganhar ou perder tempo? Se minha mente for livre posso sonhar uma ideia genial dormindo, decifrar um teorema centenário escovando os dentes, sentir prazer sozinho ou acompanhado, enfim, se não sei se sou eterno ou terminal, se o futuro e o passado são abstrações pois só o presente existe em nosso mind set, what matters? Tenho coisas a fazer e tenho um ritmo. Vivo agora assim. Descobri na pista que ao tirar o pé do acelerador a curva sai redonda, sem deixar o pneu andar de lado e o que parece ser loucura numa corrida (desacelerar) me garante um tempo melhor, ganho segundos ao invés de perdê-los. Não precisamos destruir as máquinas. Precisamos revolucionar nossas mentes, resistir, pensar, pausar, usar o tempo a nosso favor. Trânsito? Áudio book, um amigo no viva voz, uma música. Pressa? Só se for urgente mesmo: uma crise, uma doença, uma perda irreparável ou a vontade afetiva de encontrar alguém ou um lugar, de dizer “eu te amo”, dar o primeiro de uma série de beijos de uma vida em comum, de ajudar alguém em necessidade. Precisamos reverter o anti-intelectualismo, enfrentar a crescente ignorância orgulhosa e pretensiosa, assistir ao filme até o projetor apagar para não perder o easter egg após os créditos, não ser idiota e levantar do assento antes do avião parar totalmente. Aproveitar os sabores, os odores, os sons, as visões, os sentidos. Pois para que a aceleração do tal do tempo me domine eu preciso permitir. E estou pra ver a quem me dobro nesta vida. Adorei escrever tudo isto. Não tenho ideia do tempo que levei. Mas escrevi enquanto pensava, refletia, lembrava, sentia, expressava, desafiava, então, que sentido faz essa informação?
Max Peck