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PRIDE AND PREJUDICE (2005) + Joe Wright’s DVD Commentary
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Uma tarde em na vizinhança da Jane Austen. Típica Hampshire cottage.
Once we start loving ourselves, people no longer seem good to us unless they are actually good for us.
@shawtyimmaparty
Hoje é seu aniversário e não te parabenizei
Quantas vezes você abriu o aplicativo e apareceu a notificação de aniversário de certo alguém? No vazio das felicitações, uma mensagem pré digitada, mas nunca enviada. Por que devo desejar saúde, paz e amor para quem há tanto tempo se silenciou?
No pra sempre da mensagem que eu sei que você abriu e optou por não responder, não faria sentido enviar um Feliz Aniversário para quem já não se interessa mais por conversar.
Quando foi que você decidiu ficar em silêncio? Ou melhor, por que você escolheu se silenciar?
Hoje é o seu aniversário, mas eu não te felicitei. De antevéspera meus pensamentos se preencheram com "depois de amanhã, é aniversário do R", mas eu já havia decidido que este ano não iria te parabenizar.
Não deixo de parabenizar por pirraça, mas porque quem escolheu se ausentar sem dar um motivo sequer foi você. Nós vemos tantos especialistas falando sobre o amor, o romance, a responsabilidade afetiva, mas não há uma resposta clara, uma razão que explique a lógica de porquê naquele dia, naquele ano, você decidiu mudar seu comportamento e se silenciar.
Não é curioso que a gente pode se apaixonar pelo outro mesmo não estando juntos? Que a gente se sente ligado mesmo sem ouvir a voz do outro. Que a gente sonha e sente que o outro também pensa em você. Ahhh, será que as mentes mais românticas, as que mais se permitem olhar pras expectativas com menos julgamentos, são as mais corajosas? Se você respondeu que sim, eu sei que mergulharia de cabeça, mesmo que perdesse.
No mundo do consciente a gente até sabe que vai dar errado, afinal, podem existir um trilhão de teorias, mas o 6º sentido da intuição já nos alerta quando a história de amor acabou. Bicho do amor demora pra desistir, e o mais cruel é que aquela faiscazinha proveniente da fonte nunca se apaga. No fundo a gente não teme, por isso que não apaga. A faísca do amor pode sim ser escondida, mas por alguma razão que eu desconheço, quem a gente ama não sai do nosso bem querer.
Mandar um simples Feliz Aniversário pode carregar um peso e ser o novo fardo pra se carregar, pois vem pesado do silêncio de uma história que não foi.
O Feliz Aniversário se torna o "e se", a cruel realidade onde permeiam os pensamentos mais corajosos e perigosos. Mas tem horas que a cabeça ordena pro coração deixar passar, porque ela precisa respirar e conectar quem era você com quem é você agora.
Um Feliz Aniversário, R. Pro "e se" que existe só dentro da minha cabeça, onde a gente entrelaça as mãos e contempla mais um ano da sua vida cheio de vida.
📷 Marnie Hawson
Talvez o seu destino seja ficar só
Pode soar negativo ou desesperançoso, mas por que evitamos tanto pensar sobre essa possibilidade? Um tempo atrás pensava como nos primeiros anos das nossas vidas somos ensinados a ficar sozinhos. “Você tem que aprender a dormir sozinho”, “você tem que brincar sozinho”, “você precisa estudar sozinho”, “você tem que viajar sozinho”, “você tem que ir ao cinema sozinho”, tanta insistência para isso se transformar no “você está muito sozinho e precisa de alguém”. Será mesmo que precisa e será mesmo que você vai encontrar?
Desde sempre, pode colocar qualquer década, escolher qualquer livro, em todo enredo existe a história de um casal. Quando não é a principal, tá lá, o casal coadjuvante ou a pessoa solitária que todo mundo acha que a vida dela seria mais completa com a outra metade da laranja. Mas isso ocorre no mundo do entretenimento ou naquela história bonita que alguém leu, a vida real, traz dados bem diferentes. Em 2019, cerca de 11,7 milhões de pessoas viviam sozinhas no Brasil, isso dá mais ou menos 14% da população, dessa no qual 30 milhões afirmam que preferem viver sozinhos e sim, são mais felizes. De todos esses números, temos apenas 1% que se sentem abandonados, 3% tristes e olha lá, são 10% que reclamam da solidão.
O curioso é que talvez a mesma pessoa que é feliz sozinha, deve reclamar da solidão. Mas não é porque todos os amigos estão casando e tendo filhos, é que ficar ou estar solteiro tem ganhado cada vez mais um peso negativo. É engraçado pensar que quando você faz uma viagem sozinho, tipo Nova York, o entendimento de diversão é visto como 100% positivo pelas pessoas. Mas se for pra Paris, sempre vai ter aquele colega que vai dizer “Nossa, mas você foi sozinho? É uma cidade tão romântica”. Te garanto, já que eu passei pela capital francesa, que teria sido muito legal ter uma companhia romântica, mas pode acontecer da Vida estar te falando não.
As pessoas não querem ter um relacionamento só para postar foto no Instagram, bom, tem gente que quer e tem muita gente que tem pânico de ficar sozinho. Quantas pessoas você conhece que se não estão namorando ou estiverem com um contatinho atrás do outro, dá tela azul na cabeça? Parece que a criatura não respira. Alô, é da terapia?
Mas quantas pessoas tão aí, na esperança de viver uma história? Afinal de contas, é para isso que serve o amor, para você contar uma história. Eu sei, está muito, mas muito difícil, e não é sua culpa. O estereótipo romântico, a vida compartilhada e tudo no mundo que nos indique que precisa ser 1+1 e não apenas 1, nos deixa sem energia. As pessoas sozinhas estão cansadas, principalmente cansadas por nenhuma história emplacar ou se desmantelar no terceiro encontro.
Existem aquelas, que começam a achar que é zica do universo, porém eu começo a pensar que pode ser enfim uma resposta do universo, então pessoa, tenho uma notícia pra te dar: você oficialmente recebeu o não.
Sabe aquele boy que você paquerava direto no ônibus, que o universo fez vocês se encontrarem no app e tiveram dates superquentes e conversas incríveis, mas ele acabou voltando pra ex-namorada? Isso foi um não. Ou aquela vez que você encontrou um cara gato no Facebook, que tinha as fotos mais lindas da última viagem pro Japão, pois é, o algoritmo te recomendou adicionar a namorada que ele estava omitindo todo esse tempo. Isso também foi um não. E não vamos nos esquecer daquela garota do trabalho, que você faz questão de falar todo dia e fica irracionalmente feliz e além do tempo na call ou na sua sala falando das amenidades mais interessantes do mundo, pois é, quando você toma atitude, adivinha? Mais um não.
Notem que não falo sobre fazer um tratado de desistir do amor, mas a falta de interesse de tantas pessoas tem resultado em muita gente desacompanhada e que verdadeiramente não se sente incompleta. O que mudou então na cultura de uma espécie que desde os primórdios sempre andou e conviveu em bando? Não precisamos citar um filósofo para tentar explicar, o ser humano sempre foi e sempre será egoísta, infelizmente é sim um resquício de sobrevivência que nos custa perder com a evolução. É esse egoísmo que está ferrando com as relações, o que pode te transformar num ser mesquinho que não quer abrir mão por ninguém ou mesmo um egoísmo positivo de entender que também é importante viver bem sozinho.
Confuso e um pouco triste, eu sei, mas nem sempre estamos no jogo para ganhar. Existem muitas coisas boas em estar sozinho, além da parte do autoconhecimento, muitas conquistas em grande parte da sua existência serão feitas sozinhas. Amar também é algo que você constrói sozinho, afinal isso é algo que só se aprende amando, isso é só mais uma coisa que você faz sozinho. Porém manter o amor já não dá, sempre precisaremos do complemento do outro.
Aceite o não, mesmo que doa. É possível estar feliz sozinho, é diferente de ser sozinho, pois todo mundo tem uma rede de pessoas. Pode ser que a sua história romântica não ocorra ou seja uma temporada curta, mas existem muitos mistérios que o universo guarda ou às vezes é melhor entender que ele disse não e continuar a vida.
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O TikTok irá acabar com o Instagram?
A disputa entre instagramers e tiktokers
Você provavelmente deve estar como eu, entre altos e baixos nessa quarentena da maior pandemia do século XXI. Para quem leu o meu outro texto sobre o ficar em casa é uma questão de cultura, já deve ter passado da fase produtiva para a do tédio e agora se pegou agarrada as redes sociais como forma de entretenimento.
Você já ouviu falar no TikTok? E não, não é a música da Kesha. O queridinho da geração Z soltou a criatividade dos adolescentes e forneceu uma onda de conteúdo que é pra deixar qualquer publicitário de cabelo em pé.
Eu que sou da geração Y, passei pelos amados ICQ, MSN e Orkut, e agora vejo a ascensão, apogeu e queda da popularização do Facebook e Instagram. Desde 2015 sigo no Twitter e foi lá que conheci o tal do TikTok. Só os tuiteiros de plantão entenderão o significado do perfil pq o tiktok tem que ser proibido.
Mas por que a disputa instagramers X tiktokers se intensificou tanto nessa pandemia? Pra mim a resposta é clara: além do tédio houve uma enxurrada de patrocinados no Instagram. A coisa cresceu tanto que eu abro o app, vejo três fotos e aparecem 15 patrocinados.
A popularização crescente do TikTok poderá passar o Instagram?
Talvez já tenha passado, mas os profissionais de marketing têm de fazer uma simples pergunta “Será que essa rede social é ideal para a minha/sua empresa?”. O TikTok tem um público bem segmentado, principalmente por jovens de 14 a 24 anos, que correspondem a 41% dos usuários da rede social segundo a Rock Content. Ele foi o segundo aplicativo mais baixado em 2019, atrás apenas do WhatsApp. No total, a rede social possui 1,65 bilhões de downloads e 800 milhões de usuários ativos por mês, desses, 18 milhões no Brasil segundo reportagem do Estadão.
Mas isso é o suficiente para criar uma nova conta?
Essa resposta é não!
Voltamos ao velho embate de quem são hoje os verdadeiros criadores de conteúdo. Será o TikTok apenas uma ferramenta de conteúdo divertido? Para mim, a geração Z está dando um show de entretenimento e ensinamento com as próprias mãos. Nessa brincadeira, quantos grupos de trabalho já se formaram? Como os adolescentes ensinam uns aos outros com um simples vídeo? Quantos experimentos foram produzidos? Não falamos mais só em uma inundação de vídeos bobos, de audiência para dar like e muito menos só venda venda venda. Falta um entendimento gritante dos profissionais de comunicação&marketing e das empresas para compreender o que querem e sobretudo o que fazem seus usuários e clientes.
Isso tudo é questão do meio social e cultural em que vivem os tiktokers. E como eu sei disso? Aprendi com minha vizinha Valentina!
Valentina Bellusci, minha amiga e vizinha de 14 anos, que daqui uns anos estará brilhando no mercado de trabalho, me deixa com a pulga atrás da orelha com seus questionamentos e reflexões sobre o mundo em que vivemos. Segundo ela “muitos jovens se concentraram no TikTok e passaram a consumir muito mais nessa quarentena. Eu acho que isso começou a atrair mais patrocinadores e adultos, já que primeiramente estava bombando mais entre os jovens”. Alguém aqui já viveu esse fenômeno de invasão em outra rede?
Eu continuo e pergunto: Valentina, você gosta mais de qual rede?, e ela “O Instagram, por dois motivos. Dentro da plataforma você tem mais possibilidades, você consegue ver tanto as postagens, fotos e coisas que as pessoas escreveram no dia a dia delas. Tem os stories, as postagens e os directs. Uma outra coisa, é que a maioria das pessoas têm Instagram, então eu sigo muitas páginas (marcas) e pessoas que frequentemente postam. E apesar do TikTok estar alcançando mais pessoas, acho que ele não tem tanto esse foco em informação de forma objetiva. E porque o TikTok é mais vídeo”.
Os seguidores Z entendem muito bem o que é e como tudo é postado numa rede social. A Valentina pode não entender de estratégia de venda ou pensar nas mudanças futuras para a qual caminha o TikTok, mas ela percebe as diferenças.
Mas Valentina, você acha que o TikTok vai passar o Instagram?
“Então, eu acho que ele pode até ter mais sucesso, ter mais downloads, mas passar o Instagram não, porque a maior parte dos jovens estão no TikTok, mas muitas pessoas que estão no Instagram são pessoas já mais de idade, são pessoas mais famosas que não estão adequadas a essa nova geração. Então seria muito difícil todas as pessoas passarem pro TikTok e se adequarem a ele, apesar de ser um aplicativo fácil de você manusear”.
Quem aqui está tendo percepção e valor de marca aos 14 anos?
Segundo a pesquisa da Opinion Box, o Instagram é o preferido dos mais jovens (35%), enquanto os mais velhos têm ainda mais resistência e são só 12%. Mas será que eles estariam preparados e adequados para o TikTok? A Gen Z Insights dá uma dica de ouro: envolva a geração Z em sua estratégia de marketing e não simplesmente anuncie para ela. Estamos lidando com a geração mais à prova de anúncios dos últimos tempos.
Se a Valentina e seus amigos criam conteúdo, as marcas precisam ficar mais atentas com a rapidez e o tipo de informação que é realmente relevante. Como sua empresa está negociando com esse novo poder de compra? A instantaneidade do TikTok é um alerta para nós repensarmos o valor daquilo que tanto defendemos. Cabe a nós enxergar as necessidades dos clientes e virar essa chavinha da escuta ativa para finalmente compreendermos que as marcas (também) são pessoas.
Ficar em casa também é cultura
Muita gente tem falado sobre a questão do ficar em casa em meio à pandemia global do coronavírus (COVID-19). Sofrimento e angústia infelizmente perpassam pelas pessoas que não sabem o como será o dia de amanhã, mas diante de tamanho caos, criamos correntes de solidariedade. As instituições se transformam para cuidar de seus funcionários, órgãos e celebridades doam suas fortunas, redes de supermercado aplicam a política do consumo consciente, políticos correm contra o tempo para antecipar uma recessão econômica mundial e muita gente está tendo contato pela primeira vez com seus vizinhos de porta ou se autoconhecendo nesse período de clausura.
Nós, que somos os privilegiados sim por estarmos abastecidos em nossas casas, temos de lembrar todos os dias que não vivemos num país em guerra como a Síria, ou temos um terremoto como a Croácia no meio da pandemia ou ainda convivemos com diversas doenças como nos países africanos. Entretanto sabemos que essa crise vai atingir os mais pobres do nosso Brasil, aqueles que vivem em casas de dois cômodos com 20 pessoas e vivem de trabalhos informais para sustentar a família.
É por eles que temos que nos policiar e não surtar neste momento.
Mas o ser humano, como diz o filósofo Edgar Morin é um “homo complexus”, então estamos lidando com a crise e a nossa evolução biológica que nos apresenta um homem integralmente que é sapiens (sábio) e ao mesmo tempo demens (louco). Quem aqui se identifica com essa mescla humana? Somos tudo isso e mais um pouco, mas só nos momentos de crise é que começamos a enxergar os papéis humanos e ter empatia pelo outro.
No Brasil nos é requisitado que fiquemos em casa, porém sabemos que nem toda população ativa poderá fazer isso. Entretanto a ordem do AGORA é seu dever de cuidar daquele que nunca pôde e não poderá se defender nessa pandemia.
É nosso dever trabalhar o costume do ficar em casa, esse hábito cultural do lar que remete desde as cavernas como forma de abrigo de nós e do outro. Também destaco a forte corrente de empatia e paciência que precisamos praticar, pois estar seguro em casa é um preço muito pequeno diante do que está por vir.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou em 2019 que 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno da ansiedade, muitos deles sem saber que o tem ou não fazem uso de medicação. Esse dado tão importante deve ficar em alerta para o decorrer dos próximos meses, afinal a ansiedade predomina com o receio (o futuro) do que está por vir.
Para quem está neste momento em casa, seja sozinho ou com a família, é muito importante entender que esse ato é uma cultura. Agora é a hora de criar (novos) hábitos, recultivar as relações familiares e aprender mais sobre nossos limites pessoais. Dá medo, mas terá de ser assim.
Lembre-se: estamos todos no mesmo corpo celeste que é a nossa Terra. Fique em casa.
#coronavirus #covid19 #fiqueemcasa #ficaremcasa #homeoffice #pandemia #cultura #antropologia #homosapiens
Webgrafia:
https://exame.abril.com.br/ciencia/brasil-e-o-pais-mais-ansioso-do-mundo-segundo-a-oms/
https://jornal.usp.br/atualidades/brasil-vive-surto-de-depressao-e-ansiedade/
https://www.bbc.com/portuguese/geral-51959967
https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/03/22/quarentena-profissionais-de-saude-dao-dicas-para-manter-a-saude-mental-em-tempos-de-coronavirus.ghtml
RECEITA DE SORVETÃO
Por Débora Nazari
Minha mãe sempre foi uma grande cozinheira. Para mim, ao longo dos anos ela sempre diz: “Eu sei preparar, mas não sei enfeitar”. Fosse para fazer um recheio de torta de massa folheada, de embrulhar a carne no papel alumínio antes de ir para o forno, para misturar os ingredientes de um bolo, ou mesmo preparar um dos seus famosos doces. Tudo sempre foi feito com cuidado e capricho. E precisa saber enfeitar?
Como boa professora ela sempre quis e permitiu que eu participasse da preparação das suas deliciosas experiências. A arte da doceria não é para qualquer mão. Lá vai minha mãe, passa pela porta vai e vem até a despensa e pega dentro de uma caixa velha de camisa social, o conhecido caderninho de receitas. Amarelado, com um desenho meio natureza morta de uma jarra de louça com flores ao lado de ovos. O tal caderno provém da época de sua mocidade, no qual muito provavelmente já anotava algumas receitas passadas pelas tias e as guardava em meio aos recortes da lata de leite moça.
Ela abre com cuidado e passa algumas páginas da sua letra bonita e pousa o marcador de tecido na página de um dos seus maiores sucessos do calor adamantinense: Sorvetão (Helena).
Helena é a minha memória de menina, de alguém que montei a partir de narrativas de suas filhas, dos aromas vindos de uma grande cozinha e das páginas de uma receita. “Você tem que usar mel de verdade, não karo”, são a primeira e última fala vindas de mamãe sempre que começa a separar os ingredientes. Ovos, mel, leite condensado, açúcar, chocolate do padre, leite e uma pitada de baunilha. Não esquece de tirar a pelezinha do ovo, para não dar cheiro.
Poesia é saber dar o ponto ao bater manteiga com açúcar. Lamber a espátula de batedeira embebida no chocolate meio amargo se tornou um protocolo infantil. O sorvete da Tia Helena conta uma história naquele velho caderninho, sem medida de tempo do amor das duas amigas, que aninham quem dele se alimenta, mesmo elas estando em um diferente espaço-tempo no presente.
Museus compartilhados
por Débora Nazari
Quem nunca ouviu a expressão “quem vive de passado é museu”? A resposta seria: muita gente! Uma das instituições mais antigas do mundo e detentora de formas de conhecimento de inúmeros povos tem passado por uma releitura de si desde o surgimento da Internet.
Este sistema global de redes que se democratiza e se reinventa, estabelecendo cada vez mais conexões entre pessoas, também é um campo de experimentações para os museus que procuram, por esta via, se aproximar de usuários online. São milhares de dados compartilhados a cada hora e, sendo assim, a pergunta que inicia este texto é: seriam as redes sociais ferramentas de comunicação museológica?
O pensador Manuel Castells afirma, em seu livro A Galáxia da Internet (2003), que “a Internet é o tecido de nossas vidas” (CASTELLS, 2003, p.7). Tecido este que se espalhou para lares do mundo inteiro e leva conteúdo de todos os tipos para os mais de três bilhões de internautas, segundo dados divulgados pela União Internacional das Telecomunicações, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU)1. De acordo com o autor:
Nem utopia nem distopia, a Internet é a expressão de nós mesmos através de um código de comunicação específico, que devemos compreender se quisermos mudar nossa realidade (CASTELLS, 2003, p.11).
Seria por isso, então, que os museus têm procurado entender estes códigos para se conectar às pessoas? Ou será que eles querem se afirmar como instituições produtoras de conhecimentos? Ou, ainda, será que os museus querem se desfazer dessa imagem de lugar antigo? São muitas as questões que englobam o universo museológico, sendo que algumas delas convidam o leitor para refletir sobre o momento em que vivemos na era digital e como usufruímos desta cultura tecnológica em uma época composta por imagens em selfie e compartilhamento constante de absolutamente tudo.
Este artigo é um convite para todos aqueles que gostam de museus. Ele não procura se aprofundar sobre a questão “O que é ser um museu na contemporaneidade?”, mas é um pequeno recorte que propõe uma reflexão sobre essas instituições que tanto encantam milhares de visitantes e conquistam, a cada dia, mais espaço no mundo virtual. Antes de tudo, ele é um trabalho que acaba em aberto, uma vez que foi feito um pequeno estudo de caso do museu Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, entre os anos de 2013 a 2016, época em que trabalhei na instituição.
Leia o texto completo em: http://bit.ly/CRmuseu
#museu #casadasrosas #sp #museusbrasil #museologia #redessociais #museusconectados #museusdigitais #museudigital #acervoonline
Dualidad robotica.
Una idea que lleva tiempo en mi cabeza y quería compartir-la:
Existirá algun dia un modo de transferir nuestra configuración mental completa a algun tipo de ordenador?
Si eso fuera posible, además de instalar/conectar ese robot a un robot humanoide, estariamos hablando de un ser vivo immortal?
Deberia este robot/persona ceñir-se a las tres leyes de la robotica de Isaac Asimov?
Es más: si en el proceso, la persona física sobreviviera, podriamos decir que existe dos veces la misma persona, o de dos personas con exactamente el mismo pasado?
Para onde foi o Amor?
O poeta Carlos Drummond de Andrade tem um poema que abre com a seguinte reflexão: “Que pode uma criatura senão, Entre criaturas, amar?”. Em tempos de Tinder, cada dia mais as relações tornam-se complexas e estéticas. Não há um dia que não cruzo com amigos ou mesmo conhecidos com histórias do coração. O que por um lado surpreende, como aquele casal que não imaginamos separados ou aquela sua amiga que tem um relacionamento feliz e está incompleta, por outro lado choca ao notar a quantidade de pessoas infelizes em busca de um amor ao mesmo tempo em que está envolvida com alguém, mas se dispersa por medo de encarar aquilo ou por cultivar incertezas.
Sempre foi uma luta comigo mesma compreender por que as pessoas têm medo de expressar seus sentimentos ou de se permitirem sentir algo. Assim como é estranho ouvir que a pessoa está num “momento” não muito claro, mas não parece se mexer para lidar com isso. Não sei se sou uma pessoa muito aberta a falar o que sinto, uma vez que desde a infância sempre vi que a sinceridade e o sentir, por mais dolorido que fosse, exige uma compreensão e coragem para se expor. Para mim amar é não ter medo do desconhecido, é poder ser humano por inteiro.
Difícil é lidar com o outro que não está nessa mesma sintonia ou sequer abre espaço para o duvidar e arriscar. A situação é simples: você conhece alguém e tem alguns encontros e tudo bem, tudo é fofo, receptivo, tem conversas constantes e rolou uma química, mas de repente essa pessoa some. Para onde vai esse sentimento? Algumas pessoas dizem que amor é questão de sorte, eu não acredito nisso. Penso que amor é construção.
No mundo das redes sociais, o curtir tornou-se o inimigo Número Um das ilusões, pois não quer dizer nada e faz de você um eterno contatinho para um dia solitário. As pessoas não suportam serem sozinhas dentro da própria casa. Se o seu encontro foi bom e você deu trela para a pessoa, respeite a capacidade de comunicação dela ao receber uma mensagem. Não demore horas para ler e curta a foto do Instagram. Se uma pessoa te chama para sair e você decidiu que não está afim, diga apenas que não. Esqueça o “Hoje não posso, qualquer dia marcamos”, isso não é verdade e não é uma resposta clara. Se o outro já for bem calejado ele irá entender de primeira que você não quer nada, só não vale mandar “Oi sumida” depois de um mês.
Para onde foi o amor? Começando pelo amor próprio em que nos respeitamos e falamos logo de cara o que queremos? Em que momento o ser humano deixou de sentir e esconder de si mesmo aquele sentimento que fere ao invés de lutar ou tentar compreender? Sabemos que a vida é dura, porém cada vez que você se anula ou não consegue dialogar e expressar os seus sentimentos, mais estranho e vazio você se torna.
O amor começa dentro de si, não deixe esse sentimento tão poderoso te dar medo e te impossibilitar de conhecer um alguém que pode ser muito especial.