Me Chame Pelo Seu Nome
Eu assisti ao filme um mês depois do seu lançamento nos cinemas americanos, em dezembro de 2017, e quando eu terminei o filme eu estava me sentindo cheio de vida e amor. Pode parecer estranho sentir essas coisas quando o filme tem um final triste. Ninguém morre, mas mesmo assim, parece que os dois nunca mais iriam se encontrar (para aqueles que não haviam lido o livro). Então parecia um pouco desalinhado que eu tivesse saído do filme com tanto amor e vida.
Me chame pelo seu nome é um filme centrado no jovem de 17 anos, Elio, um garoto prodigioso, entediado com sua pacata vida no norte da Itália. Todo verão, os seus pais, um renomado pesquisador chamado Samuel Pearlman, também conhecido como Sr. Pearlman, e sua mulher Annella, recebem um estudante como hóspede para ajudar o Sr. Pearlman em suas pesquisas, enquanto podem trabalhar em seus doutorados, e no verão de 1983 eles recebem o jovem de 24 anos, Oliver.
O Elio e o Oliver têm um começo um pouco frio, o Elio, aparentemente, não cai nas graças do “movie star” que é o Oliver e que encanta a todos da casa com o seu charme e inteligência. O Oliver logo tenta mudar esta situação com o Elio, mas o garoto parece estar intimidado com a personalidade do Oliver e seu encanto. O filme trabalha de forma silenciosa o desejo que vai crescendo entre um e o outro, tanto que o Elio tenta em vários momentos surpreender o Oliver com suas habilidades no piano e seu intelecto, o que acaba funcionando mesmo quando ele nem está tentando seduzi-lo. Mal sabia o Elio que o Oliver já estava interessado nele logo na primeira semana que o jovem “movie star” havia chegado em sua casa.
Existe um sutil jogo de atração entre os dois que é muito bem dirigido pelo Luca Guadagnino, trabalhando bem algumas cenas de tensão, sejam de desejo, de poder ou de confusão, entre os dois. Quando os dois alcançam um ponto de entendimento e se sentem confortáveis um com o outro para poderem expressarem seus desejos e transmitirem carinho um com o outro e construírem uma relação de sintonia em que nem um ou nem o outro se sintam rebaixados, você consegue sentir que tudo no filme faz sentido, como a fotografia, a edição, o posicionamento da câmera, a trilha sonora e tudo o mais. A química entre o Armie Hammer e o Timothée Chalamet é genuína ao ponto de você querer shippar os dois fora da câmera e realmente acreditar que aqueles dois se amavam e tudo o que nós testemunhamos, foi real.
Na fotografia, trabalham com muita cor verde e azul. Eu sinto como se fosse para representar o amor novo e jovem que nasceu quase do nada e simbolizar que aquele cenário é como se fosse o paraíso ou Oasis desse casal jovem. Existem muitas cenas estáticas, em que a câmera só observa ou anda junto com os personagens, o que dá muita liberdade para os atores se sentirem bem à vontade. O filme foi feito quase todo na mesma sequência que o roteiro, o que quer dizer que conforme as cenas vão acontecendo no roteiro, também foram sendo filmadas “cronologicamente”, mas o diretor também revelou ter gravado várias cenas à mais, porém foram cortadas na edição final porque senão o filme teria mais de três horas de duração e “eles tinham um filme para ser feito”. Ter sido gravado assim permitiu que os atores “crescessem” junto com a narrativa e a relação dos dois parecessem genuína.
A trilha sonora é uma curadoria de músicas clássicas e músicas do rádio que tocavam na época em que o filme se passa. As músicas originais do filme são do Sufjan Stevens que captura bem o sentimento de amor jovem que ao mesmo tempo pode ser desconcertante e proibido.
Tudo é feito para culminar nas fortes emoções que o filme transmite. Para alguns é a melancolia de uma despedida, para outros é a nostalgia de viver um grande amor. Eu me senti vivo e cheio de amor porque o filme transparece algo sincero e intocável, algo que você só pode achar em um filme de romance bem-feito e que tudo pareça estar no lugar certo, algo que parece ter saído de um sonho ou uma memória bem preservada.
















