Os olhos contam demais sobre a vida
Lapso, Gabriel Bernardo
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Os olhos contam demais sobre a vida
Lapso, Gabriel Bernardo
A ti, minhas sinceras mentiras.
- Você está bem? – Alguém pergunta. E sua resposta é o que convém ao outro ouvir. - Sim! – Você diz, calando seus sentimentos que gritam NÃO!
Te perguntam sobre seus pensamentos e você os esconde, diz não ter nada em mente, quando na verdade ela trabalha incessantemente.
Querem te ver contar novidades a todo instante, e você os responde com um “não há”. Escondendo muitas vezes um compartilhamento feliz.
Você deseja um encontro e ao marca-lo renuncia sair, suas prioridades são Netflix e um edredom, se agarra as cômodas reclamações e diz não poder naquele dia. Se aquecendo com seu egocentrismo.
Amigos te pedem sigilo, e você os da audiência. Fazendo de suas vidas uma novela, contando aos outros próximos a você os capítulos de escândalo.
Ignora as horas e se atrasa. Enganando os pontuais com promessas de agilidade. – Chego em 5 minutos. – Você diz. Minutos eternos. Tardia sua prontidão. – Só mais 10 minutos. – Continua, deixando os demais na espera.
Promessas comuns entre amigos e namorados que abrem abscessos no coração. – Nunca te abandonarei. – Alguém diz sem consciência do peso da promessa.
- Você pode contar comigo. – Dizem, e o desaparecer da vida, deixa o outro sem base de apoio. Fechando portas para outro alguém com a intenção de ficar, de cuidar e ser abrigo. Quantas você já contou?
Preso aos vícios fez juras de desapego. – Essa é a última vez. – Afirmou, escondendo a compulsão interior. Cruzou os dedos, e logo se saciou.
Quantos risos foram feitos reféns, encarcerados em seu interior. Deixando soar elogios convincentes? – Você ficou ótima, está linda. – Diz, prendendo uma gargalhada debochada e pensamentos traiçoeiros, “Que ridículo”, “Se olha no espelho”, “Eu não sairia assim”.
- Prometo amar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe. – Falou a todos, mas não especificou a morte que os separaria. Seria a morte de seus sentimentos, de seu amor, de seus desejos, a morte da visão por alguém especial que agora mudara?
Talvez seja uma mentira ainda evitada, mas você prometeu aos seus filhos não partir, ser presente. E não esteve no primeiro andar, primeira partida de futebol, primeira encenação, nas reuniões de família, você não os levou para o hospital naquela crise viral.
- Eu te amo! – Você falou varias vezes sem a intenção de amar. Plantando sentimentos em terras férteis.
- Você não estará só, sempre estarei aqui. – Você contou, mas não deixou claro que seria nas lembranças e sentimentos.
De quantas mentiras você é feito?
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Veja como são as coisas, né? Mais uma vez nessa situação desconcertante. Mais uma vez paralisada em meio ao caos que nós dois criamos. Mais uma vez a insônia vira minha amiga, e eu que tanto pedi pra que as lembranças não se apagassem, hoje rezo pra que elas desapareçam. O que esperar de um amor inconsistente, que é como segurar água com a mão? Você tem o poder de deletar toda a minha inteligência só com os olhos. Do que me serve tanta experiência se ela desaparece quando vejo seu sorriso? Você some, eu fico sozinha arquitetando plano A, B, C e D e no final não sei executar. Não adianta nada. Fico contando as horas pra virar logo o dia e contabilizar mais 1 dia sem te procurar. Hoje tem exatamente zero dias. Maldita necessidade. Mas, eu não estou aqui pra te responsabilizar, pois não me sinto responsável pelos corações que parti, só tenho dificuldade de entender que o troco viria de você. A gente não quer, mas sabe que vai pagar. É que eu não esperei que fosse você, mas se é o seu desprezo que me afeta, quem mais poderia ser?
Marilia Mendonça
O Que Você Teme?
Se aproxime. Não é como antes. Você teme o quê? Não quero álcool, nem algo caro. Me deixe sóbrio. Só tem uma pessoa aqui e é você. Me fale de você. Deixa eu ver de perto.
O que é o amor? É uma flor? Qual medo você vê em mim? Eu não irei te ferir. Só se pedir. Você teme o quê?
Faça uma prova, eu tirarei dez. Você teme o quê?
Se Paulo é São, minha mente não. Um pouco de loucura. Olhe pra mim, não ao chão. Você teme o quê? Aproxime-se.
Eu tenho vícios e artifícios. Você quer um pedaço de mim e teme o quê?
“Eu vim te salvar”. Por acaso você deseja me salvar? Que maneira errada de se apaixonar! Então você deseja me amar? Saiba: eu sempre posso me rebelar. Mas… você teme o quê? Só diga o quê exatamente. Afinal, eu já li sua mente.
Que eu digo aos ventos Pois você insiste em me ignorar
Sobre as energias ao redor.
Sou fiel ao meu monstro esse que sempre escondo e onde me encosto
mas o amor está mais perto do barro do que do céu, está mais perto dos cafés quentes do que das santidades prometidas,