A ti, minhas sinceras mentiras.
- Você está bem? – Alguém pergunta. E sua resposta é o que convém ao outro ouvir. - Sim! – Você diz, calando seus sentimentos que gritam NÃO!
Te perguntam sobre seus pensamentos e você os esconde, diz não ter nada em mente, quando na verdade ela trabalha incessantemente.
Querem te ver contar novidades a todo instante, e você os responde com um “não há”. Escondendo muitas vezes um compartilhamento feliz.
Você deseja um encontro e ao marca-lo renuncia sair, suas prioridades são Netflix e um edredom, se agarra as cômodas reclamações e diz não poder naquele dia. Se aquecendo com seu egocentrismo.
Amigos te pedem sigilo, e você os da audiência. Fazendo de suas vidas uma novela, contando aos outros próximos a você os capítulos de escândalo.
Ignora as horas e se atrasa. Enganando os pontuais com promessas de agilidade. – Chego em 5 minutos. – Você diz. Minutos eternos. Tardia sua prontidão. – Só mais 10 minutos. – Continua, deixando os demais na espera.
Promessas comuns entre amigos e namorados que abrem abscessos no coração. – Nunca te abandonarei. – Alguém diz sem consciência do peso da promessa.
- Você pode contar comigo. – Dizem, e o desaparecer da vida, deixa o outro sem base de apoio. Fechando portas para outro alguém com a intenção de ficar, de cuidar e ser abrigo. Quantas você já contou?
Preso aos vícios fez juras de desapego. – Essa é a última vez. – Afirmou, escondendo a compulsão interior. Cruzou os dedos, e logo se saciou.
Quantos risos foram feitos reféns, encarcerados em seu interior. Deixando soar elogios convincentes? – Você ficou ótima, está linda. – Diz, prendendo uma gargalhada debochada e pensamentos traiçoeiros, “Que ridículo”, “Se olha no espelho”, “Eu não sairia assim”.
- Prometo amar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe. – Falou a todos, mas não especificou a morte que os separaria. Seria a morte de seus sentimentos, de seu amor, de seus desejos, a morte da visão por alguém especial que agora mudara?
Talvez seja uma mentira ainda evitada, mas você prometeu aos seus filhos não partir, ser presente. E não esteve no primeiro andar, primeira partida de futebol, primeira encenação, nas reuniões de família, você não os levou para o hospital naquela crise viral.
- Eu te amo! – Você falou varias vezes sem a intenção de amar. Plantando sentimentos em terras férteis.
- Você não estará só, sempre estarei aqui. – Você contou, mas não deixou claro que seria nas lembranças e sentimentos.
De quantas mentiras você é feito?
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