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o lugar que um compositor de música nasce é um fator muito mais importante do que sua própria formação musical. quando eu falo em lugar da forma que estou falando aqui, não falo da origem, do lugar com um significado profundo ou com aquele significado que sociólogos gostam de desvendar (favela em são paulo, subúrbio no interior dos eua). falo da topografia, da paisagem e da vegetação. falo simplesmente do lugar físico.
a música de um compositor sensível, completamente exposto ao ato divino da musicalidade, acaba se tornando, sem que ele controle, um documento desse lugar, dessas paisagens; se torna uma visualização bruta do que o cerca, um passeio por ali.
o tom exato que a música vai adquirir (se soturna, se aberta como no caso aqui) depende da personalidade e do temperamento do próprio artista. mas a música em seu estado pleno não pode ser outra coisa que não o que é visto e o que cerca uma personalidade, uma pessoa. esse “visão” então por uma centrifugadora da imaterialização total que existe na alma (o lugar era uma visão da matéria, a priori, e a música se torna a tradução imaterial disso).
essas músicas que são o lugar alcançam uma espécie de qualidade máxima. a representação máxima do espírito musical e da musicalidade. um espírito que de tão poderoso pode recriar esse lugar primevo em qualquer outro. ou seja, a música vira uma coisa além das notas. ela se torna um curioso pedaço da própria criação. um ato análogo à chave mestra de deus que criou todos os lugares.
a prova disso: elas se mostram multiplicáveis através da força de sensibilidade do próprio ouvinte. que pode levar essas músicas para outros lugares e redefini-los. esses outros lugares passam a sofrer uma metamorfose com a ação da música original. que é trazida pra reformar o lugar novo por meio dos ouvidos do ouvinte, de sua própria experiência com a música.











