Eu já amei tantas vezes, e todas as vezes acho que vou morrer, ou que irei me afundar cada vez mais e não terei folego para sair dessa maré tão brava. O amor não deveria doer tanto assim, deveria ser como a música anunciação do Alceu, mas me sinto tão presa e dependente do amor. É como uma droga, uma nicotina, você cria o hábito ruim de amar a primeira pessoa que finge te dar atenção e você se acostuma, vicia com aquilo. A migalha de atenção te faz bem, por alguns segundos, depois não te satisfaz mais, e mais uma vez você busca por mais uma migalha, mais um trago do cigarro e assim vou indo. O amor não deveria doer tanto, ou eu não deveria ser tao aberta para amar a todos que vem chegando para brincar no meu quintal. É Alceu, eu nunca senti a bruma leve da paixão que vem de dentro. Ela sempre me destrói e me deixa dependente do outro. A terapeuta diz que isso é carência emocional, eu brinco que não, é necessidade de compartilhar a minha intensidade de amar com o outro. Olhando bem, eu só amei quatro vezes na minha vida e todas eu morri de amor por dentro e por fora. E agora, pela quarta vez, me renasço comprando mais um maço de cigarro na esquina e indo em direção ao salão de beleza cortar o cabelo, ou para um estudio de piercing, para mutilar e causar o efeito da dor de dentro pra fora. E que lá eu encontre mais um amor pra me curar da migalha de atenção que cansei de pedir a você.








