Modo Noturno e Luz Azul: os inimigos dos seus olhos
Quem não anda com o celular na mão ou afundado diante de uma tela de computador não está vivendo o século 21. Boa parte do dia a dia as pessoas ou estão grudadas em telas de dispositivos que expelem o grande vilão dos nossos olhos: a Luz Azul.
Luz Azul não é um fenômeno propriamente vindo das telas, muito pelo contrário, ele está na natureza e o próprio Sol emite luz azul. Mas por que a luz desses dispositivos é tão prejudicial aos nossos olhos?
O problema de maior conhecimento é o desequilíbrio do sono: o raio de luz pode interferir na produção do hormônio melatonina, assim, pessoas que passam muito tempo em contato com dispositivos eletrônicos podem apresentar insônia e outros distúrbios.
Além disso, a alta exposição à luz azul também pode ser nociva à saúde ocular e do organismo como um todo, uma vez que há indícios que ela também afeta as camadas mais profundas dos olhos. Estudo realizado na Universidade de Toledo nos EUA aponta para degeneração macular, do cristalino e da córnea, a partir da emissão de raios UVA e UVB.
A fadiga ocular, ou a famosa vista cansada, é um dos sintomas mais frequentes em quem passa muito tempo conectado, apresentando dores de cabeça, lacrimejamento, ardência, visão embaçada, entre outros.
No primeiro momento com o smartphone na palma da mão pode vir o pensamento de que usar o Modo Noturno diminuirá o impacto da luz azul, justamente por desligar os pixels em telas AMOLED e OLED, mas a prática não caminha por esse lado.
De maneira geral, o modo noturno modifica a configuração dos dispositivos reduzindo a emissão geral da luz, mas não necessariamente a luz azul, além de não ser 100% padronizado. Existem modos noturnos, por exemplo, que alteram a cor de fundo dos aplicativos, diminuindo o brilho e reduzindo a emissão de luz azul total, mas sem alterar as cores exibidas.
Além disso, o Modo Noturno pode ser um verdadeiro vilão, por exigir que sua pupila dilate para encontrar o ponto focal. Aqueles que possuem algum tipo de problema ocular como miopia ou astigmatismo tendem a sofrer mais com o Modo Noturno ativado, já que ele cria uma espécie de “Halo”, a sensação de estar vendo tudo com sombras.
O “Halanation” é o fenômeno que cria uma aparência nebulosa ou borrada durante a leitura em telas escuras com letras brancas (quando usamos o Modo Noturno), fazendo a luz se espalhar até o limite do conteúdo e deixando rastro. Nesse caso é realmente não recomendado usar o recurso desta maneira. “Quando falamos dos famosos ‘dark mode’, que tornam o fundo escuro e as fontes brancas ou claras, podemos acabar fazendo mais esforço para tentar enxergar e o resultado é contraproducente”, pontua Makoto Ikegame, CEO e Cofundador da healthtech Lenscope.
O real benefício do Modo Noturno não está na nossa visão, mas na vida útil da bateria dos dispositivos, porém, apenas se eles tiverem telas AMOLED/OLED isso será sentido. Teste feito com robôs pelo PhoneBuff mostrou uma economia de 30% no iPhone 11 Pro.
Uma alternativa ao Modo Noturno pode ser o Filtro de Luz Azul, mas este também não corrobora para uma defesa contra os raios. Estudo realizado na Universidade de Manchester (ING) mostrou que ao usar o recurso, as cores amareladas ficam em destaque, fazendo a nossa proteína sensível à luz especializada no olho, chamada melanopsina, se comprimir, inibindo o sono.
Diante desse cenário desfavorável, a mudança de hábito é uma das melhores formas de precaução. “É importante que as pessoas procurem formas de cuidar da saúde da visão, implementando hábitos que diminuam a incidência da luz azul nociva no dia a dia. Uma das melhores maneiras de fazer isso é por meio da utilização de óculos com adição de tratamentos contra essa luz prejudicial. Essas lentes, conhecidas por diferentes nomes, como Digital Comfort, por exemplo, foram criadas pensando nas pessoas que passam muito tempo na frente de computadores e celulares, já que filtram a luz azul violeta e a impedem de chegar até a retina”, conclui Ikegame.
Estar em ambientes abertos e bem iluminados com luz natural, que possibilitam enxergar bem a tela do computador sem ter de colocar o brilho da tela no máximo, é mais do que suficiente para uma proteção diária dos olhos, além de implementar na rotina o hábito de se desligar dos dispositivos eletrônicos de 2 a 3 horas antes do horário de dormir.