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KYOKO IS A STRONGER WOMAN ♛
Los hermanos Heel
Capítulo um: Quando o mundo vira de cabeça pra baixo...
Era um dia comum em Tóquio e Tsuruga Ren estava indo a L.M.E. para falar com o presidente sobre a série que iria fazer depois que terminasse o B.J. Pelo que ele sabia, interpretaria um jovem detetive que iria se apaixonar por uma jornalista investigativa e sempre que um crime acontecia pelo assassino/serial killer T.A.K.E.N., ela estava lá. E ainda tinha o irmão dele que era delinquente e sempre estava se metendo em enrascadas. Em alguma parte da série, ele começa a suspeitar que ela pudesse ser o assassino e começa a se condenar por ter se apaixonado por ela.
É claro que ele está com uma peruca, afinal se descobrissem que ele é Cain Heel, seus problemas aumentariam enormemente.
Ren suspira.
“O policial é muito contraditório consigo mesmo. Vai ser um grande desafio interpretar este personagem.” Pensa.
Chegou a L.M.E. e esperou dois minutos antes de anunciar a sua presença. Como é considerado o rei da pontualidade, Ren não se adianta nem se atrasa nem um segundo. Entrou na sala do presidente Takarada e sentou-se (pois “se sentou” é muito rude para esta situação) na cadeira do “visitante” enquanto olha seriamente para o homem que estava sentado na cadeira do “chefe”. O presidente está vestido como um soldado que vai para a guerra. É tão perfeita a fantasia dele que a maquiagem simula muito bem fuligem e pólvora e ele está com duas listras verdes pintadas na face dele.
Definitivamente, Lory Takarada não é normal.
- Seu trabalho, Ren. - O homem mais velho entrega o script da série e mais um script de outra história.
- Por que dois scripts? - Perguntou Ren, aturdido.
- Um amigo meu está fazendo uma série que também vai ser depois de seu trabalho como B.J. Ele pediu para que você considerasse a proposta desse trabalho. - Lory dá uma tragada do charuto que fumava. - Você vai fazer um papel que diverge totalmente do que você normalmente faz. - O presidente disse isso como se não fosse algo a se preocupar.
- Como assim? - Disse Ren não demonstrando seu nervosismo. Ele não queria ser alvo das ideias loucas do homem a sua frente.
- Você vai interpretar um personagem mais impulsivo, mais sentimental e menos sério, ou seja, você vai interpretar alguém que é o oposto de você mesmo...
Ren não disse mais nada enquanto o presidente falava sobre o local, hora, elenco, diretor e outras que não eram tão importantes para se preocupar tanto.
“Alguém que é o meu oposto? Como assim? Como vou fazê-lo?” É o que se passava na mente do moreno.
Depois de algum tempo, Lory Takarada o liberou, mas antes lhe deu o script e disse o nome de seu personagem.
- Seu personagem se chama Hitoshi Matsuyama. Ele é um homem de 25 anos que trabalha como mecânico. Educado e charmoso. É impulsivo e quando sente algum sentimento, acaba sentindo de maneira extremamente forte. Apaixona-se por uma garota sendo que tem um trauma muito grande que envolve sua falecida mulher e seu filho pequeno. Leia a história e você vai saber o que fazer.
Quando saiu do escritório do chefe, Ren andou até o saguão de entrada pensando como deveria atuar tal personagem. Chegou ao saguão e viu Kyoko entrando no prédio. Pensou até em dizer um oi, mas se conteve, já que ela estava acompanhada de sua amiga e as duas conversavam animadamente.
Esperou ela sair de vista e saiu do prédio.
**
Kyoko teve um dia bem diferente. Saiu do Darumaya para ir à escola, pensando como seria o dia antes de ir para onde estavam gravando o filme que o Tsuruga-san estava atuando como B.J, passou por uma padaria e gastou alguns ryous que tinha ganhado dos donos do Darumaya, assistiu a aula na escola com grande animação, foi ao aquário que tinham inaugurado e estava indo para a L.M.E, quando foi abordada por um homem.
- Uma rosa para uma rosa. - Disse o homem, estendendo uma rosa de cor vermelho vívido para que ela pegasse.
Ela pegou a rosa, com certo receio, e sentiu o perfume, como toda mulher faz. Depois, ela meneou a cabeça e agradeceu do jeito normal dela. O homem se afastou e entrou em um caminhão lotado de flores. Um cão, de pelagem amarelada e orelhas empinadas, entrou também, balançando o rabo freneticamente. O caminhão partiu, mas ela pôde ver um aceno daquele homem para ela. Corou um pouco e ficou observando o caminhão se afastar em direção a horizonte.
Percebeu que já estava muito tempo olhando para o nada e resolveu se apressar para chegar a tempo na L.M.E.
Mas sabia que aquele homem, de cabelos escuros, olhos castanhos, bigode discreto e barbicha e um sorriso aparentemente inocente a intrigariam pelo resto do dia.
E era melhor não contar nada desse incidente. Vai que sobra para ela.
**
- Uma garota bonita cruzou o meu caminho hoje! Isso me anima bastante! Isso te anima também, Bartolomeu? - Disse o homem de cabelos escuros, olhos castanhos, bigode discreto e barbicha e um sorriso aparentemente inocente.
- Au! Au! - Disse o cão, de nome Bartolomeu, de pelagem amarelada.
Esse homem se chama Hugo. Hugo Giordano. E trabalha entregando flores para as pessoas. Ele trabalha para a floricultura do irmão, Pietro, e ambos são italianos. Dizem que o homem italiano é o melhor amante do mundo...
Bartolomeu é o cão da família. Faz vinte anos desde que a família Giordano tinha trazido seus costumes para o Japão. E fazia tanto sucesso entre os estrangeiros e os japoneses que a família Giordano tem um restaurante tipicamente italiano e uma floricultura.
E de alguma forma, todos os homens da família respeitam as mulheres e as cortejam de modo que nenhum casamento foi desfeito, mesmo que tivessem brigas que dessem motivo para isso...
- Cheguei, irmão! - Disse Hugo, espanando as calças e dando um afago em Bartolomeu.
- Oi! Poderia pegar aquelas caixas para mim? - Disse Pietro.
Pietro é um homem trabalhador. Os cabelos castanhos estão sujos de terra, os olhos verdes dão uma olhada no local e os músculos trabalham para carregar um vaso da vitrine para a outra vitrine. Sua roupa normalmente é suja de terra e suor e as mãos são calejadas. O nariz é meio torto por culpa de uma bola que tinha salvado desesperadamente e que garantiu a vitória do seu time de futebol contra outro que era do mesmo bairro.
Hugo, tão forte quanto o irmão, pegou as caixas e trouxe para perto do mais velho.
- Sabe o que teve hoje? Encontrei uma garota bonita! - Disse Hugo, lembrando de Kyoko.
- Você sempre encontra garotas bonitas, Hugo. - Disse Pietro, suspirando.
- Mas aquela garota é diferente! Sinto que ela poderia se tornar uma pessoa que pudesse me entender! - Disse o moreno.
- Mamma não vai gostar de saber disso. - O castanho suspira mais uma vez.
**
Ren chega a casa dele depois de um dia agitado como B.J e como Cain Heel. Realmente, ele estava enlouquecendo com esse papel, além do que Kyoko, como Setsuka Heel, o testava até o seu limite com aquelas roupas provocantes. Deveria tomar um bom banho gelado para acalmar as coisas.
Quando chegou a porta de casa, viu uma cesta. Estranhou de início, mas a levou para dentro da casa. Colocou a cesta em cima do balcão divisório da cozinha e da sala e foi tomar banho.
Demorou uns trinta minutos para conseguir se acalmar e vestir o pijama. Quando voltou a cozinha, foi olhar o que tinha dentro da cesta. Surpreendeu-se com o que viu.
Um bebê dormindo tranquilamente dentro da cesta e um daqueles bilhetes dizendo: Cuide do meu filho. Eu não posso, pois sou muito pobre e não tenho condições de sustentá-lo.
Ele olhou para a criança e depois para o bilhete. Atônito, a única coisa que conseguiu pensar foi um palavrão em inglês. Um daqueles palavrões que aprendeu quando estava revoltado com o modo que as pessoas o viam. Só desta vez se permitiu dizer o palavrão:
- Shit. (Porra.)