❝ get that light out of my face. ❞ ( mustcrd )
( @mustcrd decided to play a game 。 )
Aquele cômodo estava tão escuro, mal conseguia ler por lá; tudo bem que não deveria estar ali. Se sua mãe soubesse, surtaria; seus professores, então? Mais ainda. Talvez ela pudesse ser expulsa por isso! Mas a curiosidade… Ah, a maldita curiosidade.
Seu pai era um homem perverso, doente, maluco; estava preso a sete chaves, porém a loira ainda assim o visitava de vez em quando, sem o consentimento da mãe. O homem tentava persuadi-la com suas loucuras, histórias e ambições, querendo convencê-la de seguir os mesmos passos que si; porém tudo aquilo, para a inocente e doce garota, apenas serviam como novas ideias para suas histórias.
O tão falado pelo seu pai, All for One. Queria vê-lo, conversar, perguntar, mas… A prisão não era um ponto turístico; era óbvio que não a deixaram falar com aquele homem perigoso. Mas parecia que apenas aquilo não bastava para a pequena escritora. Sua mãe dizia que sua teimosia e curiosidade eram tão grandes, que faziam-na conseguir tudo que quisesse; e era verdade. Conseguiu até o contato de um vilão, através de seu pais e fingindo ter o interesse em se tornar uma!
Ela sabia que o perigo ali era gigantesco. É apenas uma garotinha, tão pequena e frágil, envolta daqueles predadores. Bem, ao menos não sabiam que ela era uma heroína, não é?
Tomura Shigaraki. Queria vê-lo, conversar, perguntar, de novo. Colocaram-na para esperar e ela, de fato, esperou, como se estivesse em uma sala de espera de um hospital ou algo do tipo, pois aguardou tranquilamente, sentada sobre a cadeira alta do balcão, tentando ler.
Ela deveria estar tremendo de medo, planejando uma forma de fugir se algo sair fora do controle mas… Ela estava, naquele momento, com as mãos presas em uma madeira que tampava a janela, tentando puxá-la para trazer um pouco de luz ao cômodo. E ela conseguiu, com a ajudinha de seu quirk, abrindo a velha e acabada janela e iluminando um pouco mais o local com a luz do dia. Ora, era óbvio que alguém iria reclamar, onde que estava com a cabeça?
—Mil perdões, moço!— exclamou a quem reclamava, tendo de fechar a janela novamente. — Eu só queria poder ler um pouquinho, enquanto o senhor Shigaraki está ausente.