Sempre me senti um grão de areia diante do espaço em que você tomava, petrificando cada parte do meu corpo, como numa armadilha, eu me sentia ainda menor. Você sempre foi assim: espaçoso. Dominando os cantos e cordialmente deixando suas marcas. Sem forçar a barra, numa sutileza voraz. Como quem não precisava de nada, me domava ainda mais. Quanto menor eu ficava, maior o seu ego. No altar em que te colocava, se sentia o rei e com sua certeza, meu dono. Contemplado pela fragilidade que encontrava em mim, ia me cercando, arrastando para mais longe, cada vez mais fundo e quando menos vi,já não dava pé. Tentei voltar, bifurcar o caminho, clamar por socorro... Só que de tão minúscula, desapareci.
Camila Mendes












