21.08
eu aterrei há 23 anos atrás, deixando um punhado de vidas pra trás. Eu chorava muito e ainda hoje me pergunto se era por despreparo de estar no mundo ou por dores reencarnadas comigo. Tudo isso me explicaram mais tarde como genética, causalidade, e outras crenças científicas do tempo. Doutros cantos explicavam como personalidades, gênios, signos e resignações. Não desconsidero nenhuma das alternativas mas as levo com receio de descontentamento. Ganhei de herança grandes pudores e uns privilégios, fui criada com um bom imaginário e televisões. De criança fui difícil, era o que todos diziam, depois passei pra adolescente esquisita e parei aí um momento. Ouvi dizerem por detrás de portas, por rompantes e olhares, e levei comigo por malefício de encantamento. Esquisita, esquisita, esquisita. Repito a palavra pra ver se faz sentido, se fez sentindo. Achei que não se encaixar nesse mundo era o que me fazia especial. Hoje é sabido que a adolescência durou tempo demais, e tempo nenhum antes era coisa de durar. Mas se a gente entende os processos e os tempos, fica mais fácil perdoar as vagarosidades e os repentes. A verdade mesmo é que pressa é atributo quase sempre sem carestia. Tempo de alma é outro e não é ponteiro de relógio que media. Na lição que a gente engole com uns goles de café essa memoração vira anedota. Se dura muito ou nenhum nada, o que ganha nome é pra objetivo de prosa. O que eu volto é a dizer que foi findando, os sentimentos vários e vastos que envolvia a norma e a loucura. Ficou sem serventia tal tipo de mesura. Do que resultou foram muitas feridas, pele hoje em carne viva. Festas! Digo, se viva está, é bom sinal. Seguem-se nas curas os processos e todas as coisas. Cataplasmas das ervas que aprendo, nunca vistas em mato, repreendo, conhecidas só etiquetadas e secas. Muito se seca nessa era, tanto como nossa existência. O aprender é resistência, tudo tudo volta a isso.











