A vida carece habilidades que ainda não desenvolvi. / Acho que posso resumi-las em maturidade. / Como deixar ir o que precisa ir e assumir o controle das coisas que podem ser controladas / Ainda que escassas as possibilidades de controle da própria vida /Viver dos planos para além das expectativas /Acreditar neles como fazem os produtivos / Eu odeio a palavra produtividade e a ideia de metas e eficiência / O máximo que planejo é meu café da manhã / E sempre falho na missão de realizar / A ideia contemplativa de vida em sua ciclicidade por vezes me traz uma ilusão/ De que estou andando em círculos / Mas porque me falta produzir, isso parece ruim/ Talvez esperaram demais de mim nisso e eu mesma também / E agora não posso. Expectativas sempre me congelaram. / Como no primeiro encontro incrível que descobri achar alguém incrível / E construí pedestais para as expectativas / Hoje as bebo como veneno, todo santo dia. / Eu gosto das cores com que pintam os artistas, / Da ordem das palavras dos poetas, da construção de pensamentos de quem pensa. / Gosto dos estudos. Do falar coerente. Da mudança de paradigma e da subversão. / Dos músicos que não tem medo de posicionar-se, dos filmes silenciosos; dos que plantam / Com suas técnicas revolucionárias e milenares. Dos que ensinam por amor. Dos que lutam / Por compaixão. Gosto como vão a bares e viajam. Temo como constroem suas famílias / Projetando em seus futuros filhos sem planos mal sucedidos. / Como reclamam da política convencional e planejam viagens internacionais definitivas. / E continuam a comprar de quem financia a política convencional tão primitiva. / Falando em compras, me preocupo com os influenciadores. / Como nos pescam as redes com iscas da nossa própria carne. / Como vivem essas pessoas na realidade? Me pergunto essas e outras coisas. / São iscas por vaidade? E as respostas vem de várias fontes. / Com diálogos imaginários de uma relação imaginária que já gostaria de ter vivido / Mordemos a isca o tempo todo. Ilusões em torno do amor à rodo. / Todo mundo ainda tem medo de morrer só. E todo mundo tá mal acompanhado. / Porque não dá pra se livrar dos monstros todos os dias. / As vezes eles nos comen as pernas, as vezes tapam o sol.
16.06.2020








