Tudo que você precisa saber para escrever um prólogo
Existem inúmeras formas boas de criar primeiro capítulo de um livro — e, como eu já falei nesse post aqui, algumas maneiras de não começar sua história. Já o prólogo é uma alternativa um pouquinho diferente: é o início antes do início, capaz de dar ao leitor uma prévia do que vem em seguida.
Só que, em alguns casos, o prólogo pode ser tão entediante que o leitor sequer terá interesse de conferir o restante ou — o que talvez ainda pior que isso — ele pode criar falsas expectativas e acabar decepcionando o leitor.
E agora, como escrever o prólogo perfeito? E como saber se sua história precisa de um?
Continue lendo o post para saber mais:
O que é um prólogo?
Em primeiro lugar, é necessário entender que um prólogo não é a mesma coisa que o primeiro capítulo. Ao contrário dessa narrativa mais linear de um capítulo, a ideia aqui é apresentar elementos da história de uma maneira paralela à narrativa principal. O prólogo, inclusive, foi inventado na Grécia Antiga por Eurípides, que utilizava esse recurso com o objetivo de explicar o contexto de suas tragédias gregas para sua audiência, antes das peças começarem.
Também é importante frisar que o prólogo é diferente de uma epígrafe — um textinho ou citação que tem a função de dar o tom da narrativa — e de um prefácio, onde o próprio autor escreve ou convida alguém para fazer uma introdução do livro, contando sua opinião sobre a obra.
Geralmente, o prólogo ocorre em um período diferente dos eventos da história, também podendo se diferenciar no estilo de narrativa ou nos personagens envolvidos. Por isso, ele pode ser considerado como uma parte “destacável” do livro, mas que pode te ajudar a:
Dar o tom e/ou ponto de vista de sua narrativa e aguçar a curiosidade do leitor; dando aquele gostinho de “quero mais”;
Explorar a história de fundo de algum personagem ou do enredo, podendo inclusive inserir uma cena do passado que traz consequências importantes para os eventos atuais da história
Foreshadowing — ou seja, colocar uma informação que não parecerá importante naquele início, mas com o desenrolar do enredo, o leitor vai perceber que havia uma pista ali no prólogo o tempo inteiro.
Dito tudo isso, agora é hora de decidir...
Colocar ou não colocar, eis a questão
A verdade é que, no final das contas, a decisão de colocar ou não colocar um prólogo cabe totalmente a você, autor. Isso porque, apesar de ser mais comum em certos gêneros literários, um prólogo bem escrito pode funcionar em qualquer tipo de história. Por outro lado, também vale a pena lembrar que o prólogo não é obrigatório e, na maioria dos casos, não é realmente necessário para a história (alguns leitores inclusive pulam essa parte e vão direto para o primeiro capítulo). Então, pense nesse recurso como um “extra” e use-o se houver alguma informação interessante que talvez não se encaixe nos capítulos seguintes — ou simplesmente se você acreditar que combina com o seu livro.
Vamos para as dicas?
Não confunda “prólogo” com “primeiro capítulo”
Essa distinção é super importante para que você tenha uma ideia do que vale a pena colocar no seu prólogo. Além disso, entender que o prólogo não é nada mais que um “extra” vai te ajudar a lembrar-se de caprichar no primeiro capítulo, que é muito, muito mais importante que o prólogo.
Seja breve e foque no que é importante
Apesar do prólogo servir para fornecer informações sobre o enredo, ele não deve ser usado para explicar toda a sua história de uma vez só — o que é chamado de infodump. Além de sobrecarregar e confundir o leitor (afinal, ele acabou de começar a leitura e não vai entender tudo que está acontecendo), tenha em mente que não são todos que vão de fato ler o prólogo: ou seja, toda essa explicação pode ser em vão.
Por isso, caso você escolha utilizar esse recurso para contar certos elementos da narrativa, coloque apenas o que realmente for relevante ou o que tiver o potencial de fisgar o leitor. Outro problema comum entre os prólogos é o tamanho: textos muito longos podem arrastar a narrativa e tornar a leitura cansativa, o que é totalmente o oposto do que queremos aqui. E não se engane: até mesmo uma escrita excelente pode causar problemas em um prólogo longo, porque existe o risco do leitor ficar tão investido nesse início que o próximo capítulo deixará de ser tão interessante assim. Lembre-se: o prólogo é apenas um aperitivo!
Aproveite!
A principal vantagem do prólogo é que, justamente por ser uma parte destacada do seu livro, então ele não precisa seguir a estrutura do enredo. Então, aproveite esse espaço para apresentar elementos diferentes da sua história!
Aqui vão alguns exemplos:
Adicionar uma cena ambientada antes ou depois dos acontecimentos principais, que tem o potencial de enriquecer sua obra ao explorar a história de fundo ou mostrar um desfecho, apenas para depois voltar ao início e explicar como as coisas chegaram naquele ponto.
Explorar um ponto de vista diferenciado, através de outro personagem que não seja o protagonista ou até mesmo uma mudança no estilo da narrativa
Dar pistas e dicas sobre algum acontecimento que se desenvolverá no decorrer da história.
Independente do que você escolha, o mais importante aqui é que o prólogo acrescente algo diferente à história e seja interessante.
Não crie falsas expectativas
Apesar da dica anterior, não se esqueça que esse prólogo ainda faz parte da sua história, então ele precisa combinar — seja na temática, personagens envolvidos e/ou no estilo de escrita — e criar uma relação com próximos capítulos. Caso seja muito diferente, o destaque do prólogo será negativo e dará a sensação de que se tratam de duas histórias diferentes, o que pode decepcionar o leitor.
Pense no que você está prometendo com esse prólogo e que tipo de história você parece ter escrito ser, baseado somente nele. Agora, pergunte-se: a narrativa cumpre essa promessa? Ou você está escrevendo algo que pode fazer com que o leitor tenha falsas expectativas? Por mais que a pressão de impressionar seja grande, é importante ser honesto em sua escrita e ter empatia, colocando-se no lugar do leitor. Você gostaria de ler um prólogo super empolgante e depois descobrir que foi enganado por ele? Provavelmente não. Para evitar esse problema, é crucial que você, como autor, conheça muito bem a sua própria história. Assim, você saberá quais são os pontos fortes da narrativa e quais elementos podem ser usados de destaque para criar um prólogo incrível. Espero que você tenha gostado do post!
Beijos e até mais
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Referências:
Writing 101: How to Write a Prologue - Masterclass
Prólogo: o que fazer e o que não fazer - Bibliomundi
How to write a prologue - Scribendi
Prólogo: o que é e como escrever um? - Clube dos autores
When and How to Write an Amazing Prologue - Writer’s edit















