Havia um barco esperando no silêncio do mar,
não para me levar embora,
que eu ainda sabia sonhar.
Por muito tempo carreguei tempestades,
acreditando que elas faziam parte de mim,
como se o peso dos dias difíceis
Mas diante da imensidão azul,
com o vento tocando meu rosto,
eu percebi que ainda existia em mim
um lugar onde morava o sonho.
Talvez eu não precisasse fugir,
nem apagar o caminho que percorri.
Talvez todas as ondas que enfrentei
tenham me trazido até aqui.
A menina que olhava o horizonte
ainda guardava uma esperança,
mesmo depois de tantas dores,
mesmo depois de perder a confiança.
Ela sonhava com um barco em alto mar,
com a liberdade de respirar,
com a paz de quem finalmente entende
que também nasceu para navegar.
Não era sobre deixar tudo para trás.
Era sobre encontrar dentro de si
a coragem para seguir em frente
sem esquecer quem um dia foi.
E quando as águas se acalmarem,
e o medo deixar de comandar,
ela olhará para o horizonte
e saberá que sempre soube sonhar.
Porque alguns barcos não existem
para nos levar para longe.
para onde podemos chegar.