O dia que perdi o apetite (desabafo)
Eu deveria estar postando sobre o final da observação sobre amizade, mas preferi falar sobre o dia que fiquei sem fome. Poderia ser uma segunda-feira qualquer, um dia chuvoso qualquer, um daqueles dias que não tem nada no seu calendário, ou que seu chefe nem nota sua presença na empresa.
Depois de 2hs de engarrafamento, chegar 3hs atrasada e descobrir que isso não faz diferença nenhum porque você trabalha em um andar sozinho e ninguém sentiu sua falta. Resolvi checar as redes sociais só pra começar o dia. Eu adoro meus amigos, até aqueles que não falam comigo, pois viram um isentivo pra minha vida “meta do dia:não ser igual fulaninho que não cumprimenta o coleguinha.”
Mas ai nessa zapeada resolvo responder a um grupo no Whatsapp, pra que fiz isso??, Passou de uma conversa amigável sobre os afazeres do dia para uma campanha onde, ser como você é não importa, se você não for o padrão imposto por outra pessoa. Eu respondi a altura, obvio, visto que já estou cansada das pessoas ficarem dizendo o que seria melhor pra mim sem ao menos virem me perguntar o que eu quero realmente.
Agora vamos aos fatos, obesidade é uma doença (quando a pessoa come compulsivamente e não percebe que isto lhe faz apenas mal) que vem acompanhada de outras doenças como: psicológicas quando a pessoa se refugia dentro da despensa e comer é sua unica função no mundo, diabetes, doenças cardiovasculares causadas pelas altas taxas de colesterol e ósseas visto que o peso excessivo pode causar lesões nas partes mais vulneráveis que carregam o peso corporal.
Porém, é visível em alguns estudos e no próprio cotidiano que pessoas identificadas como obesas porém “metabolicamente saudáveis” existem e eu sou uma delas. Peso 86 kg distribuídos em 1,58 de altura, em exames periódicos foi constatado que todas as taxas, glicêmicas,lipídicas e tudo mais estavam ótimas pra uma pessoa da minha idade, enquanto pessoas mais velhas ou mais novas com pesos dentro do padrão da atual sociedade estão com alguma coisa alta, seja o colesterol, a glicose, triglicerídio, ou outro ol,ose,idio que exista.
Fico super chateada quando sou subjugada como preguiçosa, sem vaidade ou algumas vezes até de feia por ter o corpo que tenho hoje. Já fui magra, já vesti manequim 38 e não engordei da noite para o dia. Foram muitos anos de negação de uma depressão latente, anos de uma busca de fuga ou de esconderijo não na comida, mas no sedentarismo.
Depois de aceitar ser quem eu sou independente do numero da minha roupa, fui capaz de me sentir muito feliz comigo mesmo. Faço meus chás e farelos diariamente, faço sim, mas não em busca de números a menos no guarda roupa, mas sim por ser saudável da forma que Deus acha que eu deva ser. Então por favor me peguem como exemplo pra suas vidas e não juguem a coleguinha se a calça não fechar, ou a blusa ficar justa.
Se todos nós fossemos exatamente iguais seriamos robôs feitos em linha de produção e nessa linha de pensamento deixo vocês com a série fotográfica de Daisuke Takakura onde ele mostra como seria se todos fossem iguais.