“just breathe… you’re okay, i promise, just breathe.”
Um fato talvez conhecido sobre Lyra Aehorn era que ela não era o tipo de pessoa que enfrentava os seus problemas de cara. Apesar de toda a força que lhe fora proporcionada por seu deus, a garota tinha um enorme medo de confrontos e por isso fazia o possível para ignorá-los, deixando assim que estes se acumulassem dentro de si. Era fácil fingir que tudo estava bem durante o dia, quando haviam tantas distrações para ocuparem sua mente; contudo, a calmaria da noite era um convite bem vindo aos pensamentos indesejados para que se agitassem em sua mente, resultando em uma pequena dificuldade para dormir da qual a morena já até se acostumara. Ou pelo menos achava que sim. Desde a invasão dos dökkálfar, tudo piorara numa escala sem igual, afinal, não era apenas a insônia que lhe impedia de dormir, e sim o medo. Medo; porque cada mísera vez que o cansaço lhe vencia e os olhos se fechavam, era como se Lyra fosse carregada de volta para aquele caos, sendo obrigada a revivê-lo de novo e de novo até que enfim conseguisse despertar— normalmente aos prantos, com gritos de puro desespero e se sentindo mais cansada do que nunca. As visões de seus colegas lutando por suas vidas e contra os amigos que tinham caído sobre o domínio dos elfos negros já eram terríveis por si só, porém, algumas noites a Aehorn se via no meio dessas lutas, ouvia o som de sua risada ecoando conforme seus colegas caíam sem vida no chão. E—por Thor —a dúvida que permanecia após essas noites eram ainda mais apavorantes; eu não fiz aquilo… Fiz….? Era pelo medo da resposta que ela recorria a feitiços, ervas, misturas—qualquer coisa que pudesse ajudá-la a se manter acordada e a contornar os efeitos da privação do sono. E até conseguia, mas nem todo o café do mundo parecia ser o suficiente para acabar com o cansaço que a preenchia e, em algumas raras vezes: lhe colocava em situações como aquela. Não se recordava de ter chegado até aquela área do jardim, ou mesmo de ter se recostado por entre as grossas raízes daquela árvore; as memórias agora se fundiam com as que presenciava em seu “sonho”, onde Lyra corria agoniada pelos corredores do instituto, desviando dos corpos caídos enquanto tentava fugir de uma versão bem maior de um dos dökkalfar que havia visto naquela noite. Os gritos que escapavam de sua boca não eram o suficiente para abafar as promessas macabras que pareciam ser sussurradas diretamente em sua mente. Não chegou a ir muito longe, logo sentindo a criatura lhe derrubar no chão e a dominar, chamando o seu nome cada vez mais alto, “ — Não, por favor, me solte. Por favor, por favor, por favor ”, repetia as súplicas enquanto tentava inutilmente se debater. Um puxão mais forte foi o que foi preciso para que despertasse daquele pesadelo. No lugar dos olhos dourados do sombrio, encontrou as íris negras de Kerr Whitethorn lhe fitando. As instruções chegavam aos seus ouvidos e ela fazia o melhor para segui-las, sem sequer suas mãos se uniam sobre seu colo, a destra apertando com força o ferimento que havia causado a si mesma em seu estado de possessão, como um reflexo. Foi só um pesadelo, foi só um pesadelo.








