“You! You! Give us Smooth! Yes! You! Give us Silky!”
Não tem tópico melhor pra um tumblr abandonado que migra / não migra pra outra mídia / plataforma do que um maravilhoso jogo que levou 7 anos no desenvolvimento.
Silksong. O que dizer sobre Silksong que alguem já não saiba, tenha lido, ou não vai ter o menor interesse em saber? Valeu a pena esperar sete anos pra jogar? Sem pestanejar. Pharloom é lindo, grande, difícil de deixar. Mas vai exigir de você. Do seu compromisso. Da sua atenção. Dos seus reflexos. Do seu tempo. Da sua vida.
É tão bom quanto Hollow Knight? Sim e não. Hollow Knight é uma experiencia mais enxuta. Silksong é mais exuberante, em tudo. Ele vai te enredando nessa teia deslumbrante até você estar envolvido o suficiente pra não ter coragem de largar quando ele resolver pesar a mão. Entretanto não existe mais nada que valha a pena ser falado sobre esse jogo se você não tiver a resolução e a audácia de experimentar por você mesmo esse mundo maravilhosamente implacável, custe o que custar.
Terminei o jogo. 100% em tudo. Final secreto, essa papagaiada toda. Fiz até meu primeiro tutorial pro Steam. Só não vai rolar modo alma de aço porque eu curto uma BDSM leve, mas ball busting em suspenção corporal vai alem da minha alçada. Foram 197 horas até chegar no inimigo final. Mas pra passar e chegar nos créditos, levaram mais 12. Horas. Jogadas. Em três dias corridos. Depois de abrir meu controle e arrumar porque o direcional começou a falhar. Pra depois abrir uma segunda vez e finalmente canibalizar uma membrana de direcional de algum controle velho de playstation 2 que um acumulador nato sempre guarda pra quando precisar. Depois disso foram só mais três reinstalações do driver da placa de vídeo, porque o jogo estava crashando na média uma vez a cada hora por conta de um conflito no HDMI. Finamente só restou ter que fazer mais uma limpeza nas memorias do computador, porque o sistema começou a dar tela preta aleatoriamente.
Dentro das 10 horas, um cartucho de vape e meia garrafa de White Horse, já não existia mais diferença entre equipar ou não o bracelete farpado que faz tomar duas vezes mais dano. Não fazia mais diferença qual era a habilidade especial. Não faziam diferença as ferramentas. Nem as vezes que o controle parava aleatoriamente de funcionar no meio da luta. A essa altura, cada mergulho efêmero mas infinito, me levava cada vez mais ao fundo da minha própria alma, incerto do quanto ainda seria preciso purificar até a libertação. A mais incontestável experiência de ascender. Alem do tempo. Da lógica. Do querer. De qualquer limite.
A Team Cherry vai fazer mais, e eu vou jogar mais. Quem conseguir deveria jogar tambem. Mas quem for jogar não precisa dessa recomendação. Porque isso não é uma recomendação.
Vivenciar o jogo tentando te botar de joelhos porque você não é bom o bastante, é apenas o agora. E talvez as proximas 11 horas.
Mas Pharloom... Pharloom é para sempre.