Já estavam passando as compras no caixa. Banana, laranja, pão francês, suco, água, água, água e... Deu vontade de fazer xixi. Segurar a bexiga por mais ou menos uns 6 quarteirões não me pareceu muito convidativo então, que custava usar um banheiro de supermercado? Já usei de rodoviária (silêncio, por favor).Não que eu tenha um olfato apurado, do tipo Jean-Baptiste, mas o cheiro de desinfetante no ar ou de diabo verde, estava mesmo impregnado, tão quanto a terrível mania higiênica (ensinada pelas mães) de forrar o assento da privada com papel higiênico. Nunca entendi isso e talvez nem vá. Quem senta é a bunda e não a outra coisa, certo? Bem, filosofias à parte.
Agora a narrativa poderia ficar agitada, alguém invadir o banheiro e me sequestrar, ou acabar a água e não ter descarga ou até mesmo tudo não passar de um sonho piscicodelico de uma mente perturbada. Mas não. Os eventos consecutivos que me acontecem devem condizer com a minha má sorte ou simplesmente minha vida medíocre (adj. Que está entre o grande e o pequeno).
"Osvaldinho, é pra comprar o que?" E você achando que não teria diálogo nessa história. Por fim, aí está, diretamente da cabine ao lado. (Não sei se era viva voz ou voz alta)
"Compra papel higiênico, amaciante, alface americana porque as crianças não comem a crespa, não esquece da cerveja e... Só, só."
"Qual amaciante? Vou pegar o mais em conta. Adivinha o que to fazendo Osvaldinho? (Imagine uma voz animada, cheia de interrogações).
"Cagando Dolores!!! Cagando!!!!" (Agora imagine mil exclamações)
"Mijando Osvaldinho!!! Você não me conhece mesmo e vê se abre o portão pra mim heim!"
Acredite ou não, mas guardei as risadas e pô Osvaldinho, tu pisou na bola meu velho. Inté que já passaram e secaram as águas e eu to aqui ainda. Boa noite!