Our Fest 2024: Uma Viagem do Rock ao Folk que deu por terminado os Festivais de Verão | Reportagem Completa
Miles Kane em palco, sempre muito expressivo | mais fotos clicar aqui
No passado sábado, dia 14 de setembro, a cidade de Ourense, na Galiza, recebeu a terceira edição do OUR FEST, que veio encerrar a época ibérica de festivais de verão. O cartaz evidenciou a razão pela qual este festival se tem afirmado na cena cultural galega, apesar do seu espaço ainda ‘intimista’. Este festival ocupou a Expourense, um centro de feiras e exposições.
Os primeiros acordes começaram a soar pouco depois das 17h30 (no fuso horário local), pela banda galego-madrilena Caballo Prieto Azabache, cujo nome de inspiração cinematográfica não foi suficiente para atrair os festivaleiros logo no início. No entanto, a ‘tua banda do bairro’ (como se autodenominam) cumpriu bem o seu papel, conseguindo captar a atenção de quem chegava e aquecendo o público para a grande noite de rock alternativo que se adivinhava.
Caballo Prieto Azabache em palco | mais fotos clicar aqui
Em seguida, subiram ao palco Los Enemigos, uma espécie de Xutos & Pontapés espanhóis, que apresentaram um rock mais clássico e maduro, tornando-se evidente o sobressalto que os seus acordes provocaram no público que os recebeu com entusiasmo. À volta viam-se inúmeras pessoas com merchandising da banda e que os acompanharam a debitar letras do início ao fim, prenunciando a atmosfera festiva que viria a brilhar com os nomes mais esperados da noite.
Los Enemigos em palco | mais fotos clicar aqui
As bandas espanholas efetivamente deram o mote, num final de tarde bastante animado. Já a noite foi toda repleta de projetos oriundos do Reino Unido. Foi tremenda e bem agitada. Nota de relevo para o facto de já terem todas atuado recentemente em Portugal, último dos quais foi Jake Bugg no Rock in Rio Lisboa no passado mês de junho.
Houve também espaço para o power pop dos já maduros Teenage Fanclub, que deram mote ao singalong graças a um set repleto de clássicos que transportaram o público para os anos 90, revelando uma plateia igualmente madura e eclética. As melodias e harmonias que caracterizam a banda escocesa deixaram evidente a razão pela qual permanecem relevantes após mais de 30 anos.
Norman Blake dos Teenage Fanclub | mais fotos clicar aqui
Norman Blake (guitarrista e vocalista) e Raymond McGinley (guitarrista e vocalista) são os músicos da banda que sempre fizeram parte da formação dos Teenage Fanclub. Atualmente como parceiros de banda contam com Francis Macdonald (bateria) e Dave McGowan (guitarrista). A última passagem por Portugal foi em 2023 e o headLiner esteve presente no concerto do Hard Club cuja reportagem pode ser lida aqui.
Perspetiva do ambiente durante os Teenage Fanclub | mais fotos clicar aqui
Miles Kane foi o quarto artista a subir ao palco e, ao contrário do que tem acontecido em apresentações recentes do seu álbum ‘One Man Band’, fez-se acompanhar de três músicos que, apesar da sua notável competência, foram ofuscados pelo carisma e energia de Miles. Este não deixou escapar um hit na sua setlist, assim como nenhum acorde dos seus eletrizantes solos de guitarra.
Este britânico oriundo de Birkenhead atuou no LAV em Lisboa e no Hard Club do Porto e esta dupla passagem foi a última pelo nosso país. Ele também é conhecido por ser co-frontman do supergrupo The Last Shadow Puppets na qual faz parelha com Alex Turner dos Arctic Monkeys. A solo tem tido um desempenho bastante significativo e reconhecido, uma carreira começada em 2010.
Miles Kane com companhia em palco | mais fotos clicar aqui
Já próximos do final da noite, Yard Act pisaram pela primeira vez solo galego, com seu post-punk ruidoso, criando uma simbiose perfeita com o público através das suas letras satíricas. O vocalista, James Smith, captou a atenção do público com a sua tão típica dramatização excêntrica, enriquecida pelas duas backing singers que, mais do que cantar, animaram a plateia com representações e danças coordenadas. Tudo isto fez com que a banda de Leeds preenchesse as medidas dos fãs presentes, a quem ainda se disponibilizaram para assinar o álbum, assim como aos que, apesar do conhecimento limitado, os manterão ‘debaixo de olho’ com certeza.
A última passagem dos Yard Act realizou-se este ano num concerto que teve lugar no LAV em Lisboa. A passagem anterior, em 2023, deu-se no Primavera Sound Porto com uma atuação bastante sólida, tendo sido, na altura, a sua estreia ao vivo no nosso país.
James Smith, o vocalista dos Yard Act | mais fotos clicar aqui
Por fim, houve espaço para o folk rock de Jake Bugg, que aproveitou a sua vinda à Galiza para arriscar na setlist, trazendo tanto temas antigos quanto uma boa quantidade de novas canções do seu álbum que seria lançado na semana seguinte. Como já é habitual, o prodígio britânico apresentou-se de forma simplista mas nunca perdendo qualidade musical, demonstrando-se grato perante a reação do público que se deliciou com a calmaria transmitida após a avalanche de ritmos de Yard Act.
Pode dizer-se que não houve explosividade no concerto de Jake Bugg como tinha acontecido com outros nomes da noite, mas a sua presença acabou por ser o fim de noite ideal graças ao romantismo que era o elemento em falta para que todos regressassem a casa devidamente preenchidos.
Jake Bugg no OUR FEST 2024 | mais fotos clicar aqui
Um agradecimento final à organização do OUR FEST para a concretização desta reportagem nomeadamente a Bea Camiña, responsável pela gestão da imprensa deste festival galego.