A jornada interrompida do casal Betty e Barney Hill: Os 60 anos do caso que inaugurou a Era das Abduções e atiçou o ativismo pró-direitos civis dos negros nos EUA
Os Hill era um dos raros casais interraciais norte-americanos. Barney, de 39 anos, era negro, e Betty, de 41 anos, branca. Ele era empregado do Serviço Civil dos Correios em Boston, capital de Massachusetts, e ela trabalhava na Segurança Social em New Hampshire, região de New England, nordeste dos Estados Unidos. Não tinham filhos, e naquela noite de 19 de setembro de 1961 em que voltavam de uma breve estadia no Canadá, levavam no carro Delsey, a cadela de estimação.
Haviam atravessado a fronteira de Colebrook, cidade de Coos County, New Hampshire, por volta das 22 horas e rodavam em direção sul, ao longo da região de White Mountains, cadeia montanhosa que cobre cerca de um quarto do estado de New Hampshire e uma pequena porção do oeste do Maine; depois de Lancaster, chegaram a Groveton, ambas ainda em Coos County. Nesse lugar, Betty avistou no céu um ponto luminoso um pouco abaixo da Lua que voava de um modo bastante incomum: ora em frente ao carro, desaparecendo em seguida atrás das árvores, ora atrás, ora dos lados.
A cadela se agitava e latia, manifestando inquietude. Na altura de Cannon Mountains, a cadela ficou ainda mais nervosa. A luz, vista pelo binóculo, mostrava uma forma pontiaguda, alongada; alinhadas ao longo da “fuselagem”, pequenas “lâmpadas” piscavam alternadamente, em cores que iam do vermelho ao amarelo e do verde ao azul. Pararam em Indian Head, sem desligar o motor. Barney saiu e começou a caminhar em direção ao objeto, atraído de modo irresistível. Betty, vendo-o desaparecer na escuridão, chamou-o. Barney agora distinguia melhor o objeto, cinturado por uma fileira de janelas iluminadas através das quais avistou pequenos vultos, um dos quais fitava-o hipnoticamente.
Gritando à sua mulher que seriam capturados, Barney correu de volta ao carro e arrancou a toda velocidade. De súbito, o casal ouviu um ruído vibratório repercutindo na lataria, uma espécie de “bip-bip” insistente. Sentindo um comichão ou formigamento, a visão foi pouco a pouco se embaralhando, até que acabaram perdendo completamente a consciência. Meio tontos e fatigados, voltaram progressivamente a si. Perto de Ashland, ainda ouviam o zumbido eletrônico. Adiante, uma placa indicava Lincoln a 30 quilômetros. Ou seja, haviam percorrido cerca de 50 quilômetros sem se darem conta disso; seus relógios estavam parados; aliás, nunca mais voltariam a funcionar.
Quando chegaram a casa, nos arredores de Portsmouth, o relógio da sala marcava 5 horas da manhã. Uma lacuna de duas horas se abrira em suas vidas. Ambos sentiam-se sujos, pegajosos. Betty estava com as roupas rasgadas. Os sapatos de Barney estavam arranhados. Betty constatou que algumas partes da lataria do carro estavam fortemente imantadas. Notificaram a Base Aérea de Pease (Pease Air Force Base), cujos oficiais acorreram tentando acalmá-los e registraram os fatos em relatório.
Nos dias subsequentes, o casal teve uma série de pesadelos e ficou num estado anormal de ansiedade. A saúde de Barney foi se degradando. Insônia, perturbações psicossomáticas diversas, hipertensão e uma úlcera no estômago o debilitavam. Em janeiro de 1962, uma verruga circular surgiu no seu baixo-ventre. Um médico tratou a hipertensão e a úlcera e o encaminhou a Duncan Stephen, um psicoterapeuta da cidade Exeter, no condado de Rockingham, New Hampshire. Após um ano de tratamento, Stephen, insatisfeito com os resultados, transferiu-o a Benjamin Simon, de Boston, que tinha um consultório muito frequentado em Bay State Road. O tratamento formal começou em 14 de dezembro de 1963 e terminou em 27 de junho do ano seguinte. Simon submeteu o casal à hipnose, gravando as sessões em fita magnética.
Com base nesses registros, o jornalista John Grant Fuller Jr. (1913-1990), da revista Look, escreveu o livro The Interrupted Journey (A Viagem Interrompida), que logo se tornou um best-sellere rendeu polpudos royalties aos Hill, que haviam feito um acordo prévio com a editora para que recebessem parte dos direitos autorais.[1] Certos trechos das gravações, no entanto, por conterem detalhes considerados por demais íntimos, jamais foram divulgados ao público.
A versão construída ao longo das sessões tornou-se definitiva. O mundo logo ficaria sabendo que Barney foi ao encontro da nave instado por seres de aspecto perturbador. O que estava mais próximo, disse-lhe, em inglês, sem mexer os lábios: “Não tenha medo, não se mexa!” A voz ressoava em sua mente e o olhar penetrava em sua alma. Em pânico, Barney correu de volta ao carro. A estrada perto de Indian Head estava iluminada como se fosse dia; o veículo parou, alguns “homens” avançaram, abriram a porta e jogaram sobre o casal um objeto longo – “poder-se ia confundi-lo”, disse Betty, “com um grande lápis”. Barney foi arrastado, ao passo que Betty, acalmada por um dos “homens”, foi conduzida caminhando até a clareira onde havia aterrissado o “crepe luminoso”. À mercê dos captores, Barney, mantendo os olhos fechados quase todo o tempo, sentiu quando colocaram um “objeto frio” sobre o seu baixo ventre, onde iriam surgir as verrugas.
Ao contrário do marido, Betty permaneceu consciente a maior parte do tempo, motivo pelo qual se recordaria de mais detalhes. Do seu braço rasparam pedaços de pele que foram depositados em um “pequeno saco plástico”. Deitada em uma “mesa de operações”, examinaram seus olhos, nariz, boca e orelhas. O corpo inteiro foi auscultado por um feixe de agulhas ligadas por um fio. Um dos seres enfiou uma longa agulha com cerca de 12 centímetros de comprimento em seu umbigo. Betty gritou de dor, ao que imediatamente um dos assistentes passou a mão em seu rosto fazendo com que a sensação de desconforto amainasse. Ela conversou com aquele que parecia ser o “chefe” e que não entendia quando falava em “tempo”, “anos” e “minutos”. Ignoravam nossos hábitos e quase nada sabiam de nossa fisiologia. A certa altura, trouxeram-lhe a dentadura de Barney para que dissesse do que se tratava. Betty pensou em levar como prova uma espécie de “livro” que trazia em suas páginas ideogramas incompreensíveis escritos na vertical.
A compleição física dos seres era marcante: 1,50 metros de altura, tronco largo, cabeça grande, queixo pontiagudo, maçãs do rosto salientes, nariz pequeno, boca diminuta – como um estreito traço limitado por duas pequenas comissuras verticais –, olhos grandes – extremamente móveis, de pupila muito escura, lembrando a dos gatos, e estirados para os lados – e pele acinzentada – quase metálica.
Perguntado de que planeta vinham, o “chefe” mostrou um mapa estelar afixado ou projetado numa das paredes. Betty reproduziu-a sob hipnose, e vários especialistas dedicaram anos de suas vidas tentando identificar a que parte da galáxia corresponderia.
Marjorie Fish (1932-2002), uma astrônoma e professora de Oak Harbor, Ohio, partiu de um postulado lógico: o mapa retrataria a porção do espaço tal como seria vista pelos alienígenas desde a sua estrela de origem e não da perspectiva de nosso Sol. Fish só conseguiu chegar a um bom termo com a publicação do Catálogo Gliese, em 1969, concluindo que os alienígenas haviam iniciado a viagem na constelação Zeta Reticuli – a 30 anos-luz da Terra – e passado por 82 Eridani e Tau Ceti.
Certos temas do relato de Betty, conforme o jornalista Keith Thompson apontou em seu livro Anjos e Extraterrestres: OVNIs e a Imaginação Mítica [2], assemelham-se sobremaneira aos do filme Invaders from Mars (Invasão de Marte), de William Cameron Menzies (1896-1957), rodado em 1954. Betty foi deitada sobre uma mesa de operações onde espetaram-lhe agulhas na nuca e no abdome. No filme, uma mulher abduzida é posta sobre uma mesa de operações e um aparelho é implantado em sua nuca com o auxílio de uma agulha. Em uma das cenas anteriores, passada num observatório, o Doutor Kelston mostra aos protagonistas um grande mapa estelar enquanto discutem acerca da proximidade Marte-Terra. Quando ele aponta para o mapa, o espectador desatento não nota se a Terra aparece ou não. O alienígena perguntou a Betty se ela sabia apontar onde ficava a Terra no mapa. Não sabia. Ela não sabia porque seguia inconscientemente o tema da Terra ausente do roteiro do filme.
O céptico culturalista Martin Kottmeyer, autor de obras como Guache Encounters: Badfilms and the UFO Mythos, Dying Worlds, Dying Selves eEntirely Unpredisposed, ofereceu uma solução imagética às perturbações dos Hill. Em um antigo episódio da antológica série The Outer Limits (Limites Externos, conhecida no Brasil como Quinta Dimensão)[3] intitulado The Bellero Shield, aparece um extraterrestre dotado de olhos “que viam tudo ao mesmo tempo”, o que corresponde à descrição dos seres com olhos que “viam tudo ao mesmo tempo” de Barney. Escreveu Kottmeyer em Guache Encounters: “Barney não disse nem desenhou nada sobre olhos ‘envolventes’ até ser hipnotizado, em 22 de fevereiro de 1964. O episódio Bellero Shield foi ao ar em 10 de fevereiro. Como se isso não bastasse, Barney disse: ‘Os olhos estão falando comigo’. Na série, o alienígena Bifrost afirma explicitamente que ‘fala com os olhos’.” Criações transculturais bombardeadas continuamente por meio da televisão, acarretaram modificações substanciais em nossos modos de pensar cotidianos. Kottmeyer acusou os ufólogos de cortarem deliberadamente essas referências dos relatórios. Não exatamente porque queriam enganar o público, mas para atender uma crença pessoal inconsciente.[4]
Martin Landau (Richard Bellero) e Sally Kellerman (Judith Bellero) com o alien dotado de olhos “que viam tudo ao mesmo tempo” no episódio The Bellero Shield, que teria influenciado o relato dos Hill.
Atentos somente aos aspectos psicossociais do fenômeno, os pesquisadores dessa linha marcadamente céptica rechaçam e até ignoram deliberadamente os dados físicos, não conferindo nenhuma importância a eles. É certo que a psicologia do final século XIX já lidava com pacientes que apresentavam lapsos de memória, denominados de délire ecmnésique. Sigmund Freud (1859-1939) em seu livro Textos Escolhidos de Psicanálise: Casos Clínicos 3, 4 e 5, cita Pitres (1891), que definia esse distúrbio como uma “forma de amnésia parcial em que a lembrança dos acontecimentos anteriores a um período específico na vida do paciente é preservada em sua totalidade, ao passo que a lembrança dos acontecimentos subsequentes a esse período é completamente abolida.”[5] Nenhum deles, no entanto, se deu conta de explicar, por exemplo, de que forma os abduzidos, apenas pela ação do imaginário, infligem a seus corpos tantas sequelas, as quais, não raro, terminam por matá-los precocemente. Cabe lembrar que Barney Hill faleceu em 25 fevereiro de 1969, sete anos e cinco meses depois do contato, com tenros 46 anos de idade, vítima de hemorragia cerebral.
Na avaliação do médico Benjamin Simon, o casamento interracial não estava ligado à perturbação dos Hill. Ocorre, entretanto, que essa união entre duas “almas ativistas” era tangencial. O que os ufólogos sempre procuraram obliterar, cientes de que tais detalhes esvaziariam em muito o aspecto ufológico do caso e conduziriam a campos não coadunados com o objetivo principal de convencer a população de que a Terra estava sendo escrutinada por extraterrestres, é que mesmo antes da abdução – real, imaginária ou inventada –, Betty e Barney Hill eram ativistas pró-direitos civis que lutavam contra a discriminação racial. A questão dos direitos civis dos negros e suas reivindicações por igualdade de oportunidades e de cidadania tinham se constituído em um dos principais focos de tensões e agitações nos Estados Unidos desde o final da década de 30, tensões e agitações que se agravaram sobremaneira no pós-guerra, período de avanços e realizações sem precedentes para os negros norte-americanos que, cada vez mais conscientes de sua condição, estavam mais do que nunca determinados a derrubar de uma vez por todas as velhas barreiras da discriminação racial, para o que tinham de fazer frente a uma imensa resistência.
Eunice Elizabeth “Betty” Hill havia nascido em 28 de junho de 1919 e crescido – junto com seu irmão Robert Barrett e suas irmãs June Barrett Lazos, Janet Barrett Miller e Norma Barrett Sears Coats – em uma fazenda em Kingston, cidade do condado de Rockingham, New Hampshire. Esperta, ágil, inteligente e criativa, sempre se vira como alguém diferente, especial, destinada a grandes realizações. Ansiosa por deixar a fazenda, Betty chegou a pedir a seus pais Raymond Barrett e Florence Rollins, que a deixassem “fugir” com um circo, onde tencionava ser acrobata. Seus pais, sensatamente, não permitiram tal loucura.
Mais tarde, Betty foi cursar sociologia na Universidade de New Hampshire. Lá fez amizade com Franklin, o único negro do campus, a quem apoiava nos momentos difíceis, isso numa época em que o simples fato de uma branca ser vista em companhia de um negro já soava como um acinte. Insatisfeita com o curso e mais afeita a seguir seus impulsos, Betty largou a universidade e foi trabalhar como garçonete em um restaurante à beira-mar. O cozinheiro, que tinha três filhos, propôs-lhe casamento, e ela aceitou. Quando o casamento acabou em divórcio quatorze anos depois, Betty retornou à Universidade de New Hampshire e se formou em 1958. Logo em seguida arranjou um cargo de assistente social e adquiriu uma casa em uma rua movimentada de Portsmouth. Interessada em construir um posto de gasolina no local, a Gulf Oil fez-lhe uma oferta em dinheiro; Betty barganhou e obteve o dobro do valor, com o qual adquiriu uma outra casa nas proximidades onde viveria até sua morte – decorrente de um câncer de pulmão – em 17 de outubro de 2004.
Três anos mais jovem, Barney Hill havia nascido em 29 de julho de 1922 na cidade de Newport News, Virgínia, e desde cedo se tornado um ativista em prol dos direitos dos negros. Convocado pelo Exército, serviu durante dois anos nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial como motorista de caminhão. Não é de surpreender, portanto, que viesse a descrever os captores alienígenas como tendo traços orientais e uniformes semelhantes aos dos soldados nazistas. Ele acabou acidentalmente ferido por uma granada em 1943 e retornou a Filadélfia, vindo a casar-se e a constituir família. Betty o conheceu em meados dos anos 50 quando ele passava férias em New Hampshire com sua primeira esposa. Assim que se divorciou, Barney se casou com Betty, mas demorou meses até que se decidisse mudar para Portsmouth, pois além de não suportar ficar longe de seus amigos e de seus dois filhos, temia por sua sorte em uma cidade de população predominantemente branca.
Casados há apenas dezesseis meses e trabalhando em turnos distintos – Barney só conseguira arranjar um emprego de carteiro no turno da noite –, os Hill tinham se visto pouco até então, quando, no outono de 1961, resolveram sair para uma rápida “lua de mel”, levando junto a sua cadela Delsey.
Depois de uma breve estada em Niagara Falls (as Cataratas do Niágara, localizadas na província canadense de Ontário, perto da fronteira com os Estados Unidos) e em Montreal (maior cidade da província canadense de Quebec), Barney estava nervoso, com receio de que os hotéis canadenses não aceitassem hospedar por apenas uma noite um casal que além de interracial ainda traziam consigo um cão. O casal decidiu então dirigir madrugada adentro direto para casa em Portsmouth. Eles levavam no carro, por precaução, o revólver de Betty, daí que tivessem de rodar por um caminho mais longo de modo a evitarem os postos de inspeção da fronteira. Eles estavam tensos e discutindo quando Betty viu luzes estranhas no céu de New Hampshire.
Com a divulgação do caso, os Hill tornaram-se um dos casais mais famosos dos Estados Unidos. Se, por um lado, ao exporem sua experiência ao público despertavam sentimentos de apoio e solidariedade por haverem sofrido horrores nas mãos de “estupradores cinzentos” – os alienígenas, portanto, não eram nem brancos nem negros, mas apresentavam uma cor intermediária, o cinza! – que em termos de violência sádica em nada ficavam devendo àquela praticada pela Ku Klux Klan, por outro corriam o risco de agravarem as condições que um casamento misto entre uma branca e um negro já representava. Barney, líder da luta pelos direitos civis em sua comunidade, receava que a publicidade sensacionalista abalasse a sua credibilidade. E foi o que aconteceu. Suas batalhas legais para acabar com práticas discriminatórias de contratação de funcionários por parte das empresas, bem como sua nomeação para líder da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor [National Association for the Advancement of Colored People (NAACP)] em New Hampshire, foram imensamente prejudicadas.
A morte súbita de Barney em fevereiro de 1969 devastou Betty, que começou a apresentar sintomas típicos do que ficariam caracterizados como a “síndrome dos contatados”. Em visita ao túmulo de Barney, ela alegou ter visto a mesma nave que os sequestrara atravessando a rodovia em direção ao cemitério, como se os extraterrestres os acompanhassem até mesmo naquele momento de dor. Incentivada por um grupo crescente de adeptos e seguidores, em sua maioria místicos, Betty começou a “canalizar” mensagens que ela acreditava serem extraterrestres. Nas décadas de 70 e 80, acompanhada de curiosos, jornalistas e ufólogos, Betty retornou várias vezes ao local do sequestro onde invariavelmente garantia ver discos voadores. Apenas entre 1982 e 1989, ela e sua equipe realizaram 204 viagens, durante os quais registraram um total de nada menos do que 2.998 OVNIs!
Ao longo dos anos, Betty continuou se apresentando e contando sua história para um público cada vez maior. John Fuller chegou a implorar para que fosse mais reservada e evitasse publicidade excessiva para proteger sua própria reputação, mas Betty não lhe deu ouvidos. Era como se toda aquela superexposição de alguma maneira compensasse a ausência do companheiro perdido. Betty concedeu centenas de entrevistas a jornais, revistas (incluindo a Playboy), programas de rádio e de TV.
O ator negro James Earl Jones, mais conhecido por ter feito a voz de Darth Vader nos filmes da saga Star Wars, comprou os direitos de adaptação para as telas do best-seller de Fuller. The UFO Incident, um filme televisivo, foi produzido e lançado em 1975. O próprio Jones fez o papel de Barney. A cena mais angustiante e uma das mais difíceis de assistir é aquela em que Betty (interpretada por Estelle Parsons), chorando e sob hipnose, diz ter sido submetida, por meio de uma agulha enfiada em seu umbigo, a um teste de gravidez a bordo da nave. O filme foi ao ar pela primeira vez pela rede NBC na noite de 20 de outubro de 1975.
[1] Fuller, John G. A Viagem Interrompida, Rio de Janeiro, Record, s.d.
[2]Thompson, Keith. Anjos e Extraterrestres: OVNIs e a Imaginação Mítica, Rio de Janeiro, Rocco, 1993, p.88-89.
[3] Criado e produzido por Leslie Stevens (1924-1998), The Outer Limits foi ao ar, originalmente, na rede norte-americana ABC de 16 de setembro de 1963 a 16 de janeiro de 1965, num total de 49 episódios. Semelhante em estilo à série clássica anterior, Twilight Zone [Além da Imaginação (1959-64)], que se centrava na exploração de alguma faceta da natureza humana, diferenciava-se desta por trazer mais histórias de ficção científica – tendendo para a ciência, viagem espacial, viagem no tempo, extraterrestres e evolução humana – do que de fantasia. A abertura mostrava imagens de um osciloscópio com uma voz ao fundo em tom realista que procurava convencer o espectador de que seu aparelho de TV estava agora sob o poder de uma força desconhecida: “Não tem nada errado no seu aparelho de tevê… Não faça qualquer ajuste na imagem... Controlamos toda a transmissão... O horizontal e o vertical... Você está entrando na Quinta Dimensão...” A série, em preto e branco, foi exibida no Brasil pela Rede Globo por volta de 1975.
[4] Thompson, Keith, op.cit., p.90-91.
[5] Freud, Sigmund. Textos Escolhidos de Psicanálise: Casos Clínicos 3, 4 e 5, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p.110.