Primeiro foi uma explosão que gerou um tremor gigantesco nos dois edifícios da academia. Os vidros escuros tremeram por segundos, resultando em janelas trincadas e outras quebradas pela força da vibração. Vinha do lado sul do primeiro edifício, onde se localizavam as salas de controle dos painéis e geradores de energia. Segundos depois, a explosão seguinte veio em direção a fachada do prédio, tendo como consequência um barulho estrondoso e angustiante, além de diversos gritos dos homens fardados.
Do lado de fora era possível ver um dos tanques de assalto do exército de ponta cabeça e pegando fogo. Em volta, diversos soldados empunhavam suas armas e atiravam contra o nada, já que tudo estava tomado pela fumaça e o fogo crepitava monstruosamente. Uma verdadeira cena de guerra.
Dentro da academia o breu tomava conta. As luzes de emergência avermelhadas piscavam e deixavam os corredores anteriormente iluminados, como um cenário de filme de terror. Os monitores, que faziam as rondas para garantir o toque de recolher, agora colocavam em vigência o protocolo de evacuação; todos os estudantes e funcionários que ainda cumpriam seus turnos precisavam ser levados imediatamente em segurança para o jardim.
Enquanto eram resgatados, no ambiente externo, soldados sul-coreanos lutavam contra outro exército. Pessoas mascaradas e vestidas com um uniforme verde musgo, armadas não só com metralhadoras, mas bastões elétricos. Um golpe, o corpo recebia uma descarga elétrica o suficiente para sofrer paralisia e desmaiar. A luta não pareceu ficar restrita a entrada; a linha de frente do exército da Nova Era abria caminho para diversos outros atrás de si, que invadiam o perímetro e os prédios da academia.
Mesmo com os reforços militares governamentais, os estudantes genesianos corriam perigo.
INSTRUÇÕES OOC
Este post é apenas uma introdução do ato final para o encerramento do plot drop.
Esse cenário acontecerá nessa madrugada, como indica o horário no cabeçalho do post. Antecipamos a postagem para que vocês possam se organizar e ninguém seja pego de surpresa em OOC apenas em IC.
Como já avisamos no perfil privado no twitter, as atividades por tweets estão isentas e foram transferidas para a participação via Discord. Abrimos uma nova categoria “PLOT-DROP” destinado ao encerramento (missão ômega e este ataque). Instruções mais detalhadas de como participar estão por lá. Verifiquem.
Anoitecera de forma escura silenciosa. Do lado de fora do Onyx preto, apenas os barulhos dos grilos podiam ser ouvidos. As mãos de Jaques Zanata se moviam sobre o volante de forma nervosa, mesmo com o carro desligado. Na mente, a dúvida persistia.
Não vai dar certo, o pensamento lhe agoniava e o deixava mais agitado.
Tinha de dar certo.
Parado junto ao acostamento da rodovia sinuosa e solitária de acesso a Serra Rochosa, sob o luar claro de mais e sentindo as estrelas que pulsavam no manto negro da noite a lhe agourar, ele permaneceu a observar a mata fechada à direita do carro.
- Vamos! – ele resmungou.
Ele sabia que se as coisas não dessem certo, ele estaria muito ferrado. Não é como se ele pudesse falhar.
E Jaques sentia como se tudo somente pudesse levar ao fracasso daquela missão. Ele, ali, parado junto ao acostamento, mesmo com os vidros escuros talvez fosse possível ver que havia alguém ali dentro. E se alguém o visse, desconfiasse e chamasse a polícia? Era uma hipótese.
Claro que desde que ele chegar ali, apenas três veículos passaram na estrada à esquerda dele.
Bateu com as mãos no volante.
- Vamos, droga! – torceu em voz alta.
Ainda levou mais dez minutos para ele vislumbrá-lo.
O homem entrou no carro arfando.
Jaques o observou calado. O havia visto apenas em foto, e, verdade seja dita, aquele homem era muito mais assustador pessoalmente. O homem era grande. Com seus dois metros de altura, músculos cheios de tanto terem sido trabalhados e costas largas, André mais parecia um urso do que um ser humano. Os cabelos negros, compridos e malcuidados, as diversas tatuagens e a barba espessa também não ajudavam em nada na questão de aspecto.
Jaques sentiu o carro inclinar quando o homenzarrão entrou e teve a impressão de que a porta do carro jamais se abriria novamente tamanha a força aplicada no movimento brusco. Se sentia atordoado, atônito.
- Que é que você está esperando? – o homem de uniforme caqui perguntou de forma brusca, entre uma arfada e outra. A voz dele era rouca e grave. – Todos os policiais do presídio aparecerem?
Recobrando os movimentos, Jaques abanou a cabeça e ligou o carro. Pôs-se a dirigir em silêncio na rodovia, serra acima.
Enquanto Jaques dirigia em silêncio, o homem abriu o porta-luvas e revirou o conteúdo lá dentro até encontrar o que queria. Pegou o plástico transparente, tirou-o do porta-luvas e fechou a portinha. Abriu o plástico e tirou de dentro o revolver. Analisou-o, sentiu o peso e o ajustou à mão. Nunca houve no mundo duas coisas que combinassem mais do que os dois.
André Müller sorriu.
Jaques olhou de soslaio para o presidiário em fuga que transportava. Lembrou-se da alcunha do mesmo, “Explosivo” e de que ele preferia ser chamado pelo apelido.
Era importante lembrar dessas coisas.
Sentia-se mais relaxado, agora. As coisas pareciam estar dando certo, ao contrário do que parecesse indicar anteriormente.
Esse aí deve ter dado trabalho no presídio, ele pensou.
É claro que um cara como Explosivo somente teria sido colocado em um presídio “comum” em função das influências certas.
- Tem um chicle aí? – o homem perguntou subitamente.
Jaques franziu o cenho.
- Aí no porta-luvas. – respondeu Jaques. Achou um tanto quanto estranho o pedido. Geralmente o pessoal que sai de um confinamento pede por cigarros ou bebidas. Quando Explosivo achou o que queria, ele continuou. – Você acaba de sair da prisão e isso é a primeira coisa que você pede? – não pôde deixar de perguntar. Às vezes os comentários e as gargalhadas são assim, não se tem como evitar que surjam e não se pode fazer mais nada depois que são pronunciados.
É claro que Jaques se arrependeu no memento em que sentiu os olhos do homem lhe fuzilando o rosto.
- O que eu quero você não tem. – ele respondeu, tão sem expressão quanto quando perguntou pelo chicle.
Jaques se sentiu enrubescer.
É Jaques, refletiu, cale a boca e dirija.
Aquela iria ser uma longa estadia.
Viu de canto de olho o homem rasgando o papel e colocando o chiclete na boca. Também notou que Explosivo manteve com ele o pacote. É claro que não iria brigar por causa disso.
- Os papéis? – o homenzarrão perguntou.
Jaques apenas indicou o banco de trás com a cabeça. Nesse caso, quanto menos palavras melhor.
André se voltou para o banco de trás e pegou a pasta com os documentos que ele havia solicitado. Abriu e tirou um maço de umas dez ou quinze fotos tiradas por um detetive particular de confiança.
Passou algumas e parou em uma onde era possível se ver em detalhes o perfil de um homem de meia-idade e cabelos grisalhos entrando na delegacia de polícias de Ilha Velha.
Seja lá quem fosse, esse cara iria ficar em maus lençóis em breve.