A data prevista para o nascimento do nosso segundo filho, Raul, era dia 14/10/2017.
Eu queria mesmo era um parto domiciliar, mas por vários motivos não foi possível. Fiquei triste, chorei, fiquei preocupada, mas segui em frente, com a idéia de trazer meu filho ao mundo da maneira mais natural e humanizada possível.
Tive duas pessoas no meu caminho que me acolheram e de coração estenderam as mãos pra me ajudar nesta caminhada. A doula Hanna e a doula e enfermeira Vanessa ♡
Fiz meu plano de parto e combinamos que assim que chegasse o momento iríamos ao hospital somente na hora da chegada do Raul, pra evitar as intervenções desnecessárias.
E na noite de 04/10 as 22:30, a surpresa! Estourou a bolsa e eu sentia uma colica contínua.
Sinceramente achei que não era momento. Mandei mensagem pra Hanna avisando, ela me pediu pra observar mas que acreditava sim que a bolsa havia rompido. Ela me falou das ondas, e eu pensei OK! Mas não botei fé.
Meu marido jantou e tomou um banho pois ele queria estar preparado, caso fosse a hora, eu falei pra ele ir deitar e descansar, se precisasse dele, eu chamava…
E então elas chegaram, as ondas…
E eu não podia acreditar que estava acontecendo, eu estava em trabalho de parto!
Fiquei muito feliz, e pensei Vamos Lá! !!
Baixei um aplicativo que contava o tempo das contratações e o intervalo entre elas, e me surpreendi quando vi que elas já vinham com duração de 1 minuto e o intervalo de 5 minutos.
Chamei o Everton, pois realmente estava precisando de um apoio.
A Hanna estava a caminho, ligamos pra minha irmã e minha mãe pra que viessem buscar o Arthur.
Lembro que quando a hanna chegou as contrações já estavam bem fortes, ela veio com óleos, massagem, florais e umas bolinhas de arnica ♡ Minha irmã e minha mãe chegaram em seguida e minha irmã quis ficar conosco.
Aqui eu parei de cronometrar as contrações e coloquei rolar a Playlist que eu criei pra hora do trabalho de parto. Sabia que a música iria me ajudar neste momento.
Pedi pra ir pra baixo do chuveiro com a bola pra ver se as contrações ficavam mais suportáveis e de fato elas ficaram.
Acho que neste momento chegou a Vanessa.
Fiquei um pouco mais em baixo do chuveiro e decidi sair.
Vim pro quarto, ouvimos os batimentos do Raul, tudo OK, pedi a Vanessa que fizéssemos o toque, 5 cm, ela disse. Aqui eu já não raciocinava mais muito bem.
A partolândia ♡
Me lembro de me segurar com força na mão de quem estivesse na minha frente, Hanna, Vanessa, Everton e Carina tiveram suas mãos esmagadas por mim durante as contrações, me apoiaram e seguraram firmes ao meu lado.
Me lembro de entre urros e gemidos questionar a Hanna e a Vanessa:
-será que eu aguento?
- será que eu vou conseguir?
A voz da Hanna vinha pra me trazer a consciência, ela dizia : “ vai sim, claro que vai, é uma dor que parece que vai te matar, mas não te mata, cada contração está trazendo teu filho pra mais perto de ti.” .
Tentei mudar de posição mas a única forma menos dolorosa pra mim de ficar durante as contrações era deitada do lado esquerdo.
Eu pedia ajuda pra lembrar de como respirar durante as contrações, engraçado isso, de precisar ajuda pra lembrar como respirar, mas era preciso e me ajudava a forma como a hanna me sugeriu fazer.
Então veio aquele momento que eu tanto li, mas na hora não entendi o que se passava.
A tal vontade de fazer cocô!
E eu estava meio que me segurando pra não fazer esta força.
Fui ao banheiro na tentativa de evacuar, não saiu nada, voltei pro quarto.
Pedi um toque pra Vanessa, surpresa quando ouvi “dilatação total” , “vamos para o hospital ”.
Eles me ajudaram a colocar a roupa, a Hanna me deu Abraço ♡
E eu pensei: “ Chegou a minha vez”,
Antes de sair de dentro de casa precisei sentar no sofá, mais uma contração, aqui eu já não segurava mais, quando a contração vinha e a vontade de fazer força eu fazia a força que meu corpo pedia. Tive umas três contrações a caminho do hospital.
Chegamos, vi meu marido ir até o recepcionista entregar o nosso plano de parto e pedir que fosse entregue nas mãos do médico plantonista.
Mais uma contração, me perguntaram se eu queria cadeira de rodas, eu quis pois sabia que não ia dar conta de caminhar até elevador.
Contração.
O recepcionista não autorizou a entrada da Hanna, disse com todas as letras SÓ UM ACOMPANHANTE!
OK.
Subimos.
Contração.
Chegamos na sala de pré parto e fomos recebidos por duas técnicas em enfermagem,quando entregamos nosso PP elas não se deram nem ao trabalho de ler e jogaram em cima de uma mesa alegando ser “ complicado essas coisas ”.
Estavam muito apressadas pois eu estava com sangramento (obvio , pois o Raul já estava nascendo) queriam que meu marido aguardasse do lado de fora. Na hora meu marido disse que nao existia essa possibilidade, que é lei federal e que ele iria me acompanhar ate o fim.Fizeram toque e deu pra ver na cara delas que ficaram contrariadas pois já estava com dilatação total e o bebê estava coroando! Queriam ouvir os batimentos do bebê, estavam apressadas, segurei duas vezes as mãos de uma delas e pedi que esperasse pelo menos a contração passar pra fazer o que tinha de fazer, pois pra mim era insuportável ficar de barriga pra cima, de lado era menos pior.
Fomos pra sala de parto.
Aqui eu tive tanto medo, pois percebi que elas não tinham paciência nenhuma , tinha uma enfermeira, grossa que nem dedo destroncado que quis enfiar os dedos em mim alegando estar me ajudando, no que eu falei que aquilo não me ajudava em nada, a técnica me mandou deitar, e eu pedi pra ficar sentada, “não ” eu ouvi, e rebati: “Mas não é possível que eu não possa ficar mais sentada do que deitada !!!”. A cama é assim Camila, você deve se deitar.
Nessa hora eu pensei que tudo ia por água a baixo, neste momento entrou a obstetra. Muito simpática, comentou que imaginou que o bebê já tivesse nascido. Ela chegou com nosso PP nas mãos (o recepcionista entregou), me disse que eu estava indo muito bem, ouviu os batimentos do Raul, me orientou que fizesse força somente quando tivesse a contração e que na hora que não tivesse, era pra eu descansar pra próxima. Pegou minhas maos e colocou nos ferros , falou que eu podia me segurar ali e ficar numa posição mais sentada, pois seria melhor .
Disse que agora dependia só de mim, pediu que eu fizesse força de cocô, uma força comprida enquanto eu tinha a contração, meu marido já via a cabecinha do Raul saindo, e me disse: “Amor, eu tô vendo ele amor, tá me olhando ♡ Vamos lá, você vai conseguir, tá quase saindo ”
A obstetra colocou vaselina na entrada da vagina e me disse que ajudaria na descida do bebê.
Não lembro quantas forças eu fiz, mas a última força foi aquela que virei uma leoa. Lembro de urrar e gritar “tá doendo pra caraaaalhoooo” e a obstetra disse: “tá doendo pois ele está saindo , vamos lá, tu consegue ” e dei um último grito e ele veio, direto prós meus braços com circular de cordão e tudo, a obstetra tirou a circular com ele no meu colo mesmo, a pediatra quis pegar e a obstetra não deixou, pediu que ela aguardasse um instante.
Olhou pra nós e perguntou se queríamos que esperasse o cordão parar de pulsar, eu disse que sim ou no mínimo aguardar 3 minutos. Ela aguardou parar de pulsar, o Everton cortou o cordão e eu mal podia acreditar que tinha passado pelo portal do nascimento, eu e o Raul conseguimos!
Estava extasiada, Ocitocinada ♡
A pediatra pegou o Raul pra aspirar, e a própria obstetra avisou que nós não queríamos, ela quis bater boca e começou a aspirar, meu marido saiu do meu lado e foi pro lado da pediatra e falou pra ela, que não havia necessidade e que não estava nem saindo nada. Isso não durou 15 segundos, ela sentiu a pressão e parou de aspirar o Raul imediatamente
Tive laceração, natural dos lados não no períneo , pois a médica me respeitou e não fez episio.
Por fim e pra fechar com chave de ouro enquanto ela terminava o atendimento me perguntou se eu gostaria de levar minha placenta pra casa.
Aqui eu vi a cara das técnicas, da enfermeira e da pediatra. Elas não estavam acreditando kkkkkkk.
Nem eu na verdade. E prontamente disse que eu adoraria poder levar a placenta sim.
Saímos da sala de parto e fomos para o quarto, a Hanna e a minha irmã nos aguardavam no corredor, fui pro quarto e Raul já veio pro meus braços, já pude amamentar!
A hora de ouro♡
E foi assim. Passamos pelo momento mais lindo da vida, com amor e respeito!
Fiquei um dia no hospital até ganhar alta, fui surpreendida por várias enfermeiras , técnicas que vieram ver a moça que chegou com dilatação total, um plano de parto e ficavam surpreendidas quando sabiam que era nosso segundo filho e que o primeiro havia sido de cesarea.
Finalizo fazendo um agradecimento especial a Hanna e ah Vanessa, gurias, como falei tenho uma dívida de gratidão eterna com vocês! O que vocês fizeram por nós me faz ver o quanto amor existe no coração de cada uma de vocês! Abençoadas sejam sempre, vocês são pessoas muito iluminadas, cheias de luz, desejo vida longa e que possam ajudar muitas famílias como fizeram com a minha.
Agradeço minha mãe que ficou nervosa ao me ver passar pelo trabalho de parto, que ela mesma passou por duas vezes, é achou melhor fixar cuidando do Arthur na casa dela, pois sabia que ficaria nervosa e não ajudaria ficando conosco.
Agradeço minha irmã, Carina. Que mesmo nervosa, escolheu ficar comigo e me deu sua mão e conforto durante as contrações, e tirou lindas fotos pra eu guardar de recordação.
Agradeço meu marido que me apoiou desde o início, se empoderou junto comigo e fez valer nossa vontade ! Te amo marido! Conseguimos ♡
E por último mas não menos importante agradeço a essa força maior, Deus, Deusa, Universo, use o nome que você preferir. Agradeço pois apesar de tantos empecilhos me deu de presente um momento tão especial!.
Eu sei parir!
Gratidão ♡