PEDRAS NA HORIZONTAL
Vazio profundo, completamente regado pela cheiura do paradoxo de estar lotado de tudo, de todos, de mais um pouco. O sol resplandece, meu vazio geme intensamente, atordoado pela miríade de devires que nos cercam. VAZIO, VAZIO, VAZIO, VAZIO. Companhia estranha, companhia brega, companhia má. O VAZIO MACHUCA. Mas como existir algo invisível e intangível? Percebo que ao falar a existência se faz presente, pois quando falo torno real, tal objeto passa estar aqui. Passa a ser tangível, tanto quanto o caos que fantasio, quanto o vento que me toca, quanto os raios que me torram, quanto o som que me balança, quanto a voz perdida que balbucia incoerências. Vazio: se vá, se vá, se vá! Ou melhor: FIQUE! E transmute-se, deixe de ser a falta, deixe de ser a angústia, deixe de ser o que nunca foi. Pois a impossibilidade que permeia a tua essência te torna fraco, te torna vil, te torna pleno, depois sereno e, mais à frente, cheio! E mais uma vez o paradoxo ressurge e você já não existe mais.








