A CAUDA LONGA, CAP 1 E 5
CAPÍTULO 1
O primeiro capítulo se inicia ilustrando como as livrarias online mudaram a realidade dos leitores com o método de recomendação de livros de acordo com prévias compras e acessos no site pelos usuários. Esse fenômeno não está presente apenas nas web livrarias, mas também por todas as empresas que decidem expandir seu comércio para o mundo da internet.
“Os dados sobre vendas e as tendências desses serviços e de outros semelhantes revelam que a economia emergente do entretenimento digital será radicalmente diferente da que caracterizava o mercado de massa. Se a indústria do entretenimento no século XX baseava-se em hits, a do século XXI se concentrará com a mesma intensidade em nichos.”
A TIRANIA DA LOCALIDADE
O tópico explica como o mundo do entretenimento optou pelo lançamento de sucessos para evitar falta de público na hora do consumo. Essa escolha acabou restringindo o gosto do público a um só, tudo para o bem da economia.
“No entanto, quase todos queremos mais do que apenas hits. As preferências de todas as pessoas em certos pontos se afastam da tendência dominante. Quanto mais exploramos as alternativas, mais somos atraídos pelas variantes. Infelizmente, nas últimas décadas, as alternativas foram relegadas às margens por poderosos veículos de marketing, feitos sob medida para indústrias que deles precisam como questão de vida ou morte.”
Com o mundo das vendas online rapidamente tomando todo o mercado do entretenimento, a variedade de conteúdo volta a existir por não estar mais sendo restrita ao espaço nas prateleiras e estantes das lojas físicas.
MERCADOS SEM FIM
Uma análise ilustra como fazia sentindo antigamente a escolha pela venda dos hits. 90% das vendas situava-se neles, então, era normal cortar o estoque. Tudo pelas vendas. Mas atualmente o corte não é mais necessário. Há espaço para todos. Os menos vendidos, segundo os gráficos do livro, apresentavam quase 15% da receita da empresa. Pra que perder tantos clientes quando há espaço para todos na internet? Se forma assim a Cauda Longa.
“Esses novos negócios com espaço infinito nas prateleiras efetivamente aprenderam as lições da nova matemática: um número muitíssimo grande (os produtos que se situam na Cauda Longa) multiplicado por um número relativamente pequeno (os volumes de vendas de cada um) ainda é igual a um número muito grande. E, ainda mais uma vez, esse número muitíssimo grande está ficando cada vez maior.”
A MAIORIA OCULTA
As vendas online possibilitaram a descoberta de uma grande quantidade de conteúdo na área do entretenimento que estava obscurecido pelos hits, quando as vendas se resumiam a prateleiras. Os consumidores do underground existem. O underground existe. Ele é enorme. E ele vende muito!
“Quando se é capaz de reduzir drasticamente os custos de interligar a oferta e a demanda, mudam-se não só os números, mas toda a natureza do mercado. E não se trata apenas de mudança quantitativa, mas, sobretudo, de transformação qualitativa. O novo acesso aos nichos revela demanda latente por conteúdo não-comercial. Então, à medida que a demanda se desloca para os nichos, a economia do fornecimento melhora ainda mais, e assim por diante, criando um loop de feedback positivo, que metamorfoseará setores inteiros — e a cultura — nas próximas décadas.”
CAPÍTULO 5 - Os novos produtores
A parceria entre profissionais e amadores pode dar muito mais frutos do que apenas profissionais trabalhando de forma isolada. As empresas usam a divulgação de dados online para que o trabalho em conjunto dos internautas amadores em diversas áreas possa acelerar o processo de evolução da empresa e poupar anos de pesquisa. No livro, os exemplos focam na astrofísica:
“Evidentemente, os Pro-Ams estão sujeitos a limites. A participação deles consiste, principalmente, em colher dados, não em criar novas teorias sobre astrofísica. Embora, às vezes, não consigam analisar de maneira adequada os dados que coletaram, sua participação na área parece assegurada. Como John Lankford, historiador da ciência, afirmou na revista Sky & Telescope, a bíblia dos astrônomos amadores dos EUA, "sempre restará alguma divisão de trabalho entre profissionais e amadores, mas, no futuro, será cada vez mais difícil distinguir os dois grupos".”
DEMOCRATIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE PRODUÇÃO
Com o advento da tecnologia, as ferramentas de produção de conteúdo hoje estão disponíveis para fácil compra e algumas vezes até de forma gratuita para download online. Produzir não é mais algo exclusivo de profissionais que são ricos o suficiente para tanto.
“A consequência de tudo isso é que estamos deixando de ser apenas consumidores passivos para passar a atuar como produtores ativos. E o estamos fazendo por puro amor pela coisa (a palavra "amador" vem do latim amator, "amante", de amare). O fenômeno se manifesta por toda parte — a extensão em que os blogs amadores estão disputando a atenção do público com a grande mídia, em que as pequenas bandas estão lançando músicas sem selo de gravadora e em que os colegas consumidores dominam as avaliações online de produtos e serviços é como se a configuração básica da produção tivesse mudado de "Conquiste o direito de fazê-lo" para "O que o está impedindo de fazer?". “
O FENÔMENO DA WIKIPÉDIA
Jimmy Wales queria criar uma enciclopédia gratuita e colaborativa. Com participação tanto de profissionais como de semi profissionais. Tudo que é necessário é acesso a internet para edição e adição de verbetes na plataforma. Hoje ela é a maior enciclopédia do planeta.
“Em vez de basear-se numa única pessoa inteligente ou num grupo de indivíduos privilegiados, a Wikipedia explora os conhecimentos de milhares de pessoas de todos os tipos — desde verdadeiros especialistas até observadores interessados — com muitos curadores voluntários que adotam verbetes e mantêm-se atentos à sua evolução. Na nova enciclopédia de Wales, 50 mil wikipedianos auto-selecionados equivalem a um Plínio, o Velho. “
A ERA PROBABILÍSTICA
Vai dar trabalho mas vai dar certo. A wikipédia pode não ser de um todo confiável mas, com o tempo, as melhorias e evoluções no conteúdo surgirão.
“Quando profissionais—editores, acadêmicos, jornalistas—estão dirigindo o espetáculo, pelo menos sabemos que compete a alguém cuidar de alguns atributos fundamentais, como exatidão. Mas, agora, dependemos cada vez mais de sistemas pelos quais ninguém é responsável; a inteligência é simplesmente "emergente", ou seja, parece surgir espontaneamente dos grandes números. Esses sistemas probabilísticos não são perfeitos, mas, sob o ponto de vista estatístico, são otimizados para, com o tempo, tornar-se excelentes. Eles foram concebidos para "aumentar de escala" e melhorar com o tamanho. Um pouco de confusão e possíveis falhas na microescala são o preço que se paga pela eficiência na macroescala.”
Porém, é sempre bom checar com outras fontes e manter a dúvida na cabeça após consultar um verbete na Wikipedia. Ou blogs. Ou até mesmo o google. Pesquisar é o caminho para encontrar a resposta, pois ela, algumas vezes, pode não estar onde se olha primeiro.
O PODER DA PRODUÇÃO COLABORATIVA
Os colaboradores da wikipédia são pessoas extremamente engajadas e tem o objetivo de expandir o conhecimento online para todos que procuram algo na internet. Conhecimento à alguns cliques de distância. E esses colaboradores se encontram em todos os lugares da web, não apenas na wikipédia.
“Esse é o mundo da "peer production" (produção colaborativa ou entre pares), fenômeno extraordinário, possibilitado pela Internet, caracterizado pelo voluntarismo ou amadorismo de massa. Estamos na aurora de uma era em que a maioria dos produtores, em qualquer área, não será remunerada. A principal diferença entre esses amadores e seus colegas profissionais é simplesmente a lacuna cada vez menor nos recursos disponíveis, para que ampliem o escopo de seu trabalho. Quando as ferramentas de trabalho estão ao alcance de todos, todos se transformam em produtores. “
A ECONOMIA DA REPUTAÇÃO
“Embaixo, na cauda, onde os custos de produção e distribuição são baixos, graças ao poder democratizante das tecnologias digitais, os aspectos de negócios geralmente são secundários. Em vez disso, as pessoas criam por várias outras razões—expressão, diversão, experimentação etc. A razão por que o fenômeno assume características de economia e a existência de uma moeda no reino capaz de ser tão motivadora quanto o dinheiro: reputação. Medida pelo grau de atenção atraída pelo produto, a reputação pode ser convertida em outras coisas de valor: trabalho, estabilidade, público e ofertas lucrativas de todos os tipos. “
AUTO-EDITORAÇÃO SEM ACANHAMENTO
O dinheiro pode não ser o objetivo dos produtores independentes mas, no fim, podem acabar lucrando bastante de outras formas que não seja a venda propriamente dita dos seus produtos. E sem nenhuma editora famosa por trás dos livros, por exemplo, não há nada a temer ao lançar um conteúdo online. Só a esperar.
“Desde cineastas até bloguistas, produtores de todos os tipos, que começam na cauda, com poucas expectativas de sucesso comercial, podem dar-se ao luxo de correr riscos, pois têm menos a perder. Não há necessidade de licença prévia, de plano de negócios nem mesmo de capital. As ferramentas da criatividade agora são baratas e, ao contrário do que imaginávamos, o talento se distribui de maneira mais dispersa. Sob esse aspecto, a Cauda Longa talvez se transforme na área crucial da criatividade, lugar onde as ideias se formam e se desenvolvem, antes de se transformarem em sucessos comerciais.”
















