Eu estou morrendo
Na fumaça turva Das tuas tragadas Eu vejo a vida embaçar
De forma passiva Passa a vida Minha e tua Enquanto nos dizem o quanto devemos Produzir, consumir, possuir, destruir
Eu estou morrendo Enquanto mato quem me mata A fome, a miséria, a felicidade Morremos todos
Minha inutilidade útil A serviço das luvas alvas Eu tenho medo das almas que se perdem Vendendo-se como se fossem salvas
Fantasmas sussurram meu nome Pedem-me ajuda, pedem-me suborno Pedem-me silêncio Resiliência é máscara de submissão
Eu já não aponto os olhos para o céu Eu já não sinto a gravidade me sustentar Eu não encontro o caminho certo Meu corpo não segue a direita ou a esquerda Minha Alma é ambidestra no caminho do nada.
Eu não pertenço a nada Ou a ninguém Mas pertenço ao sentimento de me pertencer
Me dou conta que foram poucos segundos Como se passassem eras Estive noutro tempo E retornei nos teus olhos
Eu vi o futuro Residia num passado Tão distante e próximo Em barcos a vela Em mãos escravas que faziam cálculos de ações
Eu vi ações despencarem E se tornarem atos lamentados Atos que careciam De atenção













