Tem coisas na nossa mente e coração que parecem uma caixa d’água. Em dias ensolarados e alegres, ela fica ali, quietinha, nem nos damos conta de sua presença, mal nos lembramos. Mas, em dias de chuva, a caixa se enche demais e transborda. A água fria cai sobre nós e ensopa o nosso corpo, lembrando-nos de coisas que achávamos que havíamos esquecido, despertando sentimentos que não deveriam estar em nós, inundando nossas mentes de lembranças pálidas e distorcidas.
Não é real.
É possível sentir falta de algo que nos machucava, feria nossa pele e nos fazia sangrar? É possível querer que algo ruim volte, porque aquela coisa ruim nos fazia bem, de um jeito mórbido e sádico?
Eu quero derramar toda essa água no mar. Eu quero que suma. Porque aquilo não era bom. Aquilo quase me matou. Eu não preciso daquilo. Se hoje eu respiro, é porque tive coragem e amor próprio o suficiente para me libertar. Mas ainda existem correntes. Mas ainda me afogam em dias de chuva. Mas tudo bem. Eu vou fazer com que isso suma de mim. Um dia.
vm











