Quando eu saí do jardim, achei que encontraria amor. Parti em busca de sonhos, ilusões, idealizando o universo e a vida. Eu saí do jardim, com nada além de eu mesmo. Nada de bagagens, nada de pacotes, só aquilo que já estava no corpo. Me disseram que eu estava sendo tolo, que perseguia o surreal, nada daquilo acabaria bem, mas eu fui mesmo assim. Uma mente cheia de aspirações e sonhos maiores do que si, é muito perigosa, não olha para os lados, mal olha em frente, enxerga tudo com olhos de sonhador, onde tudo é lindo, inclusive o escuro. E assim, eu sofri pela primeira vez fora do jardim. Chorei fora do jardim. Me apaixonei fora do jardim. Tudo tanta vezes, tudo só. Comecei a pensar que estavam certos, que eu havia sonhado tudo, que aqui não era meu lugar, e decidi voltar. Fui pensando em como me receberiam, ririam e diriam “eu sabia!”, e eu só poderia sorrir torto e dizer que sim. Cheguei na entrada, as mesmas lindas flores de cachos azuis pendiam pelo corredor, como antigas lamparinas marcando o caminho, conforme andava, mais comprido o caminho parecia. Eles me viram, se reuniram em minha volta enquanto eu me encolhia e me preparava para a enxurrada de perguntas e zombarias. Com um grande sorriso, todos disseram “que bom que você voltou”. Ainda perplexo com a recepção, eu me indignava enquanto todos contavam de suas próprias aventuras além do jardim e como todos, no final, voltaram para casa.