Um precipício de tamanho inestimável intenta em tragar-me, com forças reduzidas a migalhas eu me torno alvo fácil, tragável. Só a sua imensidão assusta. Me submeto a pensamentos ordinários, me farto de culpas, aversões, problemas, e estes claramente me faziam sentir como um saco preto, residuário, andante. Aquele precipício diante dos meus olhos unido a todos os meus dilemas, minhas tempestades, preocupações, me assombrando que é o ato mais perverso que este pode fazer. Estava ali observando e num instante eu era a culpa, a dor , o problema, o fardo, eu me via ali caindo, destroçando-me a dezmil pedaços até sumir naquele vazio, aniquilando assim minha existência, mas antes de executar tais pensamentos um ruído intrigou-me, haviam pessoas no mesmo local, tantas que seria perda de tempo contá-las, e eu ali agindo como se fosse o único no mundo que merecesse não existir, como o único ser execrável que pudesse ser condenado, mas cada um estava ali com seu precipício, cada precipício do tamanho da sua dor e cada um vendo do jeito que escolhia ver. Meus dilemas não eram os únicos, tão pouco os maiores. Eu optei por ver naquele abismo, um fim, um fim a todos esses fardos, um recomeço, então vi algo bom ali dentro, eu me permitia isso, sentia que lá no fundo eu encontraria um novo caminho, sim encontraria . E aquele abismo não era maior do que tudo, todos, eu por alguns minutos achei que fosse abrir mão de lutar, mas não... Pois se não teria eu forças para continuar e superar, de poder ver algo bom naquilo tudo, algo que me permitisse recomeçar, então sepultaria ali, com fausto a minha dor.
E você, quantos outros abismos seria capaz de destruir?
















