Já tá passando das duas da madrugada e meu peito se enche de um vazio enorme. Tô aqui olhando pros poucos carros que passam, pra lua cheia e brilhosa e pro resto desse céu tão bonito, me acompanhando a acabar com um maço de cigarro enquanto o sono não vem e a dor fica. E se intensifica. Eu poderia me arrumar, sair, beijar outras bocas e conhecer outros corpos, mas não dá. Meu coração grita o teu nome a cada nova batida. Eu já te liguei e mandei mensagem, já enchi a cara e bati na tua porta. Tudo o que eu recebi em troca dos meus carinhos, do tempo que eu dediquei pra ti, das vezes que eu te levantei quando não tinha mais ninguém, foi silêncio. E é de silêncio que eu tenho vivido. Ou sobrevivido. Contigo eu descobri uma parada diferente, uma coisa que trás paz, aconchego, felicidade. Só que agora não tem mais nada disso. É tudo um inferno. Uma saudade que corrói e desmancha qualquer vontade de continuar. Hoje eu queria sentar a mesa contigo, tomar um pouco daquele suco em pó de manga que eu odeio e te fazer dividir os enroladinhos comigo. Queria jogar video game contigo, te xingar por me dar o pior controle pra eu perder e depois me perder nos teus braços e abraços. Eu quero tanta coisa... Eu tenho sentido tanto a falta das nossas cobertas no chão, nossos corpos nus sobre a cama nua. Eu tento esquecer, mas a qualquer lugar que eu vá tem um pouco de ti. Se desse, eu daria replay em tudo. Nas brigas, nas horas de ciumes, nos beijos, no amor que eu via ali. Mas cê foi embora e depois de ter me feito tua refém, te ter me feito mudar de opinião sobre o amor, de ter me feito muito feliz vai embora e só deixa tristeza? Desculpa, mas eu preciso te ligar de novo, só pra passar isso a limpo (mais uma vez).
Por favor, volta. (desprender-me)











