“Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que atirou hoje”
Deixa isso sentar em você. É a lógica do encruzilhamento do tempo. O senhor das travessias e das mensagens não obedece à linearidade que a modernidade nos vendeu como verdade absoluta. Para ele, o movimento precede o impacto. A causa pode chegar depois do efeito. Não porque as leis da física quebraram, mas porque a compreensão humana é lenta demais para acompanhar o ritmo do real.
Quantas vezes alguém sentiu no corpo que algo estava errado, que aquele projeto era predatório, que aquele líder era vazio, que aquela política esmagaria os pobres? E foi chamado de pessimista, de louco, de ideológico. Não tinha prova. E sem prova, no tribunal do consenso dominante, não há verdade.
A consciência que não está embriagada pela ideologia dominante dos poderosos enxerga trajetórias. Ela não adivinha o futuro. Ela lê o presente sem anestesia. Quem compreende como o capital se move, como o racismo se reproduz, como a violência de Estado se justifica, acerta o alvo e a pedra da confirmação chega anos depois. E então os que riram voltam para perguntar: “Como você sabia?”
Não era profecia. Era lucidez.
Exu é o deus do caos necessário. Da comunicação verdadeira. O que entrega a mensagem sem os filtros do que é conveniente acreditar. Saudar Exu é saudar a coragem de nomear o que existe antes que o mundo oficial dê permissão para existir.
Avisamos que era golpe em 2015. Avisamos que era fascismo em 2018.
A pedra já foi lançada. Lembrem dos que antes diziam que quem a burguesia abraça é o inimigo.
Laroiê, Exu.
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