O deus da guerra é metalúrgico. Não por coincidência.
#ogum #ogunhê #matrizafricana #orixá #orixás #axé #saravá #candomblé #umbanda #batuque #macumba #catimbó #povodeterreiro

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O deus da guerra é metalúrgico. Não por coincidência.
#ogum #ogunhê #matrizafricana #orixá #orixás #axé #saravá #candomblé #umbanda #batuque #macumba #catimbó #povodeterreiro
#laroye #exu #pombogira #marabô #trancaruadasalmas #seteencruzilhadas #mariapadilha#7saias #exucaveira #exutiriri #mariamulambo #damadanoite #povoderua #exuguardiao #umbanda https://www.instagram.com/p/B9LEeTXneLX/?igshid=1c024b4t02rnp
🚬🎩🍷
Oxalufã e Oxaguiã, dois fios do mesmo novelo de algodão.
Oxalufã é o silêncio que desce após a última palavra. A mão que repousa sobre o bastão nodoso, não por fraqueza, mas porque conhece o peso da pressa.
Seus passos são compassados como a maré cheia, certos, lavrando sulcos de paciência na terra.
Não há precipitação onde mora a eternidade. Ele é a intensidade que não precisa de voz alta. Expressa-se no respirar antes da resposta.
Oxaguiã é o aprendizado desse silêncio.
É o guerreiro que já entendeu que a calma também é um fundamento, que a palavra recolhida e a escolhida ganham peso e medida antes de serem lançadas. Nele, o raciocínio organiza o caos, amadurece a intuição, funde coragem com comedimento. A primeira investida nem sempre é a mais sábia e que há força no ato de recuar, reordenar o céu tempestuoso interior e só então avançar.
Mas quando a batalha os chama, quando o mundo pede para ser refeito, não hesitam.
São a mesma determinação, o mesmo olhar que escolhe o que deve perecer.
Não gritam
Não esbravejam.
Dobram o tempo a seu favor.
A luta que escolhem nunca é inútil: não combatem por vaidade, não sangram pelo ego. Combatem apenas pelo mundo que pode renascer, no silêncio que precede a criação, com a palavra certa que, enfim, se pronuncia.
Oxalufã e Oxaguiã, dois ritmos do mesmo coração sagrado, não imunes ao esquentar dos nervos, mas sabendo lidar quando ele ferve, ensinando que coragem também sabe esperar e o valor do passo firme na serenidade fecunda.
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Iemanjá recolhe cada choro que lhe é oferecido, cada canto lançado nas ondas.
A lágrima que mergulha no seu reino volta cristalizada em força salgada. O amor que acolhe é o mesmo que ensina respeito.
Toda entrega ao mar é um risco. Ela não promete apenas descanso. Promete transformação. A lágrima que você chorou e lhe deu, voltará.
Mas não como consolo. Voltará como maré alta dentro de você, ensinando a nadar na própria correnteza, a enfrentar os monstros do fundo. E a emergir, sempre, respirando diferente.
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Nenhuma história de Obá termina com ela ajoelhada. Ela aprendeu, no fio da própria dor, a não apagar as cicatrizes, mas a de usá-las como coroa.
É a força que se refaz depois do engano, a mulher que atravessa a traição sem se tornar traição, que aprende com a perda sem se tornar prisioneira dela.
O axé de Obá não mora na inteireza e sim na coragem de continuar com o que sobrou.
A orixá que mora passo dado com o pé ainda doendo, no grito erguido com a voz ainda trêmula.
Ela reconhece o próprio valor como o primeiro gesto de cura, antes de qualquer erva ou reza. E assim ela segue. Não apesar das feridas, mas através delas, por elas, com elas. Toda forma de reinar começa onde o corpo ousou não parar.
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Onde o rio beija a floresta habita Logun Edé, divindade de uma dança nada única, num vai e vem entre o verde de Oxóssi e o dourado de Oxum. O filho do silêncio que caça e do reflexo que seduz.
Seu corpo é de contradições harmoniosas.
De seu pai, herdou o arco de galho flexível, a flecha de pena afiada, os pés sem ruído sobre folhas secas. Olhos de falcão veem o que é quase invisível: o rastro do vento, o tremor da folha, a verdade atrás dos troncos.
A mesma mão que empunha o arco ergue o espelho para se admirar. A vaidade lhe é prece. Ele se contempla por reconhecimento. A herança da mãe: elegância, delicadeza, sofisticação que embalam as águas. Autoestima e amor-próprio.
Logun Edé brinca na fronteira dos opostos. Num momento, sua energia é rápida e decisiva, a flecha que parte sem hesitação. No instante seguinte, é banho de rio que cura e acalma.
Ninguém é uma coisa só.
Logun Edé é a encarnação divina desse mistério. Ele ensina que a existência não é uma cela, mas um salão de espelhos. Em cada reflexo, uma faceta diferente se revela. Provedor e artista, lutador e poeta, selvagem e leve.
Assim, canta e dança entre o musgo e o ouro, entre a lança e as joias.
O orixá que é o equilíbrio da multiplicidade. O caçador que conhece o valor do belo é mais sábio. O príncipe que conhece a ferocidade da mata é mais completo.
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Antes da ordem, houve o caos que dançava. E no princípio, ele já estava.
Ele é o eco que desafia a vastidão da resposta.
Ele rompe o silêncio com uma gargalhada antes que se saiba o que a alegria seria.
É o tropeço que ensina a firmeza ao pé, o primeiro olhar que escolhe o que se vê.
Ele ousa entrelaçar os caminhos, o que faz do vazio estrada.
Ele é o primeiro, porque o último não chega se o primeiro não vier. O primeiro que é o começo que o fim não contém. Que chega sozinho para que venham todos com ele.
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