Quem dera...
Quem dera fosse fácil, acalmar essa dor dilacerante que transpassa o meu peito — mas ela acorda comigo, dorme em silêncio no travesseiro ao lado. Quem dera eu piscasse, e no momento seguinte apagasse esse desejo que eu tenho de você, como se fosse possível deletar um amor com o simples toque de pálpebras. Quem dera um devaneio bastasse, e assim, de esgueio, lembranças suas não tivessem mais. Mas elas são teimosas — vivem nas frestas do tempo, sussurram no aroma do café, e dançam na sombra da saudade.
E eu? Eu sigo... como quem deseja esquecer, mas ama lembrar.
_ vez ou outra, escrevo.










