With: @pr-ollie - @ lights night, 01:24 am;
Como todo ser humano normal, Naoki se cansava. A rotina dentro de uma cozinha grande de um restaurante renomado como o Han era mais que cansativa e o japonês não parava. Claro, um estabelecimento de luxo daquele nível precisava de profissionais capacitados e modéstia parte, Naoki era o único da cidade capaz de administrar aquela cozinha como vinha fazendo nos últimos dois anos.
Fora a rotina de gritos nos ouvidos dos estagiários e papeladas sobre fichas técnicas e outros gastos, o bonitão ainda era pai. Felizmente os dois pedacinhos de céu que tanto amava já possuíam uma idade aceitável e podiam ficar facilmente em casa sozinhas que não davam trabalho algum, mas ainda sim havia a responsabilidade com a escola, as aulas de dança, balé, música, idiomas...
Claro que Naoki ficava estressado, seria absurdo se um homem tão atarefado não soltasse um xingamento sequer pela rotina estressante e a agenda mais que lotada toda a semana. Por um lado, tanta ocupação era boa, pois evitava que tivesse certos pensamentos que servissem de gatilho para acordar qualquer um dos sete demônios que viviam dentro de si.
E o demônio principal o apavorava.
Naquela sexta, o chef decidiu que precisava sair para se divertir e relaxar antes da próxima semana voltar a sugá-lo. Depois de pedir que suas filhas se comportassem e prometer uma lista de presentes, Naoki pegou seu carro e teve como destino a Lights Night, afinal a casa enchia na noite de sexta e ainda mais em grandes eventos, como o daquela noite.
Eram oito horas quando estacionou o carro e em quinze minutos já passava pelos seguranças com uma pulseira vip no pulso esquerdo, seguindo até um dos bares do local. Naoki fazia uso de antidepressivos e ansiolíticos para controlar os sintomas do maldito transtorno que adquiriu, os remédios foram deixados de lado, afinal ele queria beber e não era como se um alter não pudesse aparecer caso ele não os tomasse. Não mesmo.
Vinham de forma involuntária, muitas das vezes por se lembrar daquele maldito dia ou ver e presenciar os objetos dos seus traumas, era sempre assim. E naquela noite, um deles veio a aparecer. Horas de socialização com os conhecidos, o devido parabéns ao aniversariante que era cliente assíduo no restaurante, mais alguns drinks e Yoshida Naoki estava bem alto. O carro? Buscaria no dia seguinte.
Em um canto da boate, sozinho, tudo desmoronou. O sorriso morreu em seu rosto, os pensamentos negativos vieram juntamente com flashes de memória e então estava dissociando até que suas lembranças, manias e todo o pacote que compunha o chef de cozinha ficasse guardado lá no fundo da sua mente. Era hora de assumir.
Hikaru olhou ao redor e depois para as roupas que Naoki usava, não gostando nada daquilo, aquela calça justa e escura não lhe agradava, a camisa com os primeiros botões abertos muito menos e tampouco o par de coturnos caríssimos e lustrados. Aquele não era ele. Tentando dar um jeito no próprio visual, puxou novamente as mangas da camisa para que estas cobrissem as tatuagens de seu irmão e fez o mesmo com os botões da camisa, ajeitando os fios acizentados de forma que ficassem alinhados naquele corte de cabelo estranho.
Decidiu que queria sair dali, aquele não era o seu lugar, precisava voltar para casa, precisava de silêncio, tirar aquelas roupas e o cheiro de bebida do corpo. Sentia-se como um porco. E foi pensando nisso que Hikaru pagou a conta, não se importando com o troco, já que não sabia o quanto Naoki havia gastado.
Um tanto cambaleante, caminhou até a saída da boate, mas antes que pudesse finalizar seu percurso, sentiu alguém esbarrar em si e quase foi ao chão se não tivesse se agarrado com firmeza nos braços de tal.