http://spiritandfleshmag.com/interviews/the-flight-of-takamasa-ishihara/
ShiniTsu
Peter Solarz
tumblr dot com
🪼

祝日 / Permanent Vacation
noise dept.

#extradirty
NASA
KIROKAZE
TVSTRANGERTHINGS
let's talk about Bridgerton tea, my ask is open

Product Placement
Not today Justin
Stranger Things

❣ Chile in a Photography ❣
One Nice Bug Per Day
i don't do bad sauce passes

titsay
d e v o n
trying on a metaphor

JVL
seen from United States

seen from Brazil

seen from Philippines
seen from United States
seen from Poland

seen from Germany
seen from United States

seen from Malaysia
seen from Canada
seen from T1

seen from United States

seen from T1
seen from United States

seen from Côte d’Ivoire
seen from United States

seen from Brazil

seen from United States

seen from Sweden

seen from United States

seen from Malaysia
@pr-naoki
http://spiritandfleshmag.com/interviews/the-flight-of-takamasa-ishihara/
ShiniTsu
❝ ― ライブが痛い : live hurts
@ naoki's house, dec 09th.
TW: depression & suicide thoughts
Estava errado em achar que os remédios o ajudariam a tirar aquele peso que carregava consigo há quase dez anos. Estava errado em pensar que a sua semana seria tranquila e nenhum fantasma lhe atormentaria, trazendo lembranças as quais ele tentava se esquecer. Mas elas estavam ali e vinham todos os dias, atingindo-o como uma bofetada, envolvendo os dígitos em seu pescoço e sussurrando rente ao seu ouvido, para que jamais pudesse se esquecer daqueles minutos que destruíram a sua vida.
Takashi achou que seria bem recebido e achou errado, era óbvio que algumas pessoas não gostavam de abordagens evasivas como aquela, mas ele não dava a mínima. Não precisava se adaptar às outras pessoas, elas que tinham a obrigação de se adaptar a si e com aquele DJ não seria diferente.
O rapaz sentiu toda a tensão que tomava conta do corpo alheio e um sorriso inconsciente surgiu em seus lábios, ele só queria pedir uma música, por que o loiro tinha que se encolher todo feito um ratinho? Qualquer pessoa que visse o desconforto de Jinhan se afastaria e pedia desculpas, mas com Takashi não era assim, muito pelo contrário, ver o que a sua aproximação causava no outro só o incentivou a continuar agindo daquela forma.
Ainda rindo, deu mais um gole na bebida que segurava e os dígitos do braço que envolvia o mais novo pela cintura passaram a trilhar caminhos imaginários por cima da roupa que ele vestia. Queria entender o motivo do outro rapaz se comportar assim, mas admitia que continuar causando aquele sentimento ruim e sentir o corpo dele tremer por um toque bobo era melhor ainda.
ー Você não vai conseguir crescer lá fora se não tiver humildade, garoto. Tsc. ー O mais alto estalou a língua em um claro sinal de desdém, continuando a percorrer o corpo alheio com os dedos enquanto ainda o mantinha em seu aperto. Só o deixaria ir caso ele tocasse a sua música. ー Não precisa enfiar o rabinho entre as pernas e se encolher como um cãozinho, bebê. Eu só quero uma música, é pedir demais?
❝ ― モンスターの第2の面 : the second face of the monster
@ naoki's house, dec. 08th, 01:35PM.
O relógio marcava um pouco mais de onze horas da manhã quando uma chave rodou na fechadura do tríplex onde Naoki morava com as filhas e estas foram correndo para receber o pai que desde a noite anterior não dava uma notícia sobre o seu paradeiro. Nada que as meninas não tivessem presenciado, visto que quando um dos alters mais irresponsáveis ( Takashi, Hiroto e Kenji) assumia, Naoki ficava um bom tempo sem voltar pra casa. O chef também quase perdeu o seu emprego uma vez, mas um restaurante como o Han não demitiria um profissional de peso como Naoki e depois que a proprietária entendeu sobre a condição do japonês, tudo foi colocado em pratos limpos.
Hana, a mais nova, foi a primeira a correr até o mais alto e logo os bracinhos envolviam o pai pelo quadril enquanto ele fechava a porta, a pequena tão inocente, não reparou o que de fato tinha acontecido, mas os olhos atentos de Kaori sim. As feições, a voz e as tatuagens eram as mesmas, mas a forma de andar e todo o comportamento não. O homem que acabara de adentrar sua casa estava longe de ser o seu pai e Naoki provavelmente descansava em algum lugar dentro de sua cabeça até que retomasse o controle.
"É o tio Karu, Hacchan." O aviso em um tom chateado partiu da menina, que abandonou os dois ali mesmo na sala e subiu as escadas para o seu quarto. Hikaru, mesmo entretido com a sobrinha mais nova, percebeu a forma como a primogênita de Naoki o observou e sumiu de vista. Era óbvio que Kaori sabia, não era a primeira vez que o principal alter ego aparecia daquela forma quando as meninas estavam sozinhas e elas foram informadas sobre o transtorno do pai há um tempo. Hana ainda não entendia direito, mas a mais velha, ah, essa sim entendia cada personalidade do pai e mesmo amando o falecido tio que não teve a oportunidade de conhecer, não gostava nadinha daquilo.
Por outro lado, Hikaru não gostava de Naoki, o achava fraco e por isso costumava assumir com frequência para lidar com situações que achava que o portador daquele corpo não era capaz de enfrentar. Mas acordar naquela manhã, em um quarto de motel e fedendo a cigarro e sexo foi uma surpresa. O chef de cozinha não era nenhum santo, mas usava e abusava da discrição, no entanto, não esperava que ele fosse irresponsável ao ponto de dormir com qualquer um(a) na noite anterior e não dar sinal de vida para cuidar das filhas. Era desgastante e sabia que mais cedo ou mais tarde sobraria para si.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ~***~ㅤㅤ
― O Nao-kun está cuidando bem de vocês?
Hikaru cortava alguns vegetais para preparar o almoço das meninas, não tinha mãos de ouro para a cozinha, mas até que preparava coisas comestíveis e era isso o que vinha fazendo enquanto tinha Hana e Kaori sentadas à mesa da cozinha. Hana parecia entretida ao rabiscar algumas folhas e Kaori não desgrudava os olhos de si. Um olhar sério e congelante, como se pudesse ver até mesmo a sua alma.
"Queremos voltar para casa e ver a mamãe... Não queremos mais ficar aqui..."
― O que disse?! ― O som da faca atingindo a bancada com força ecoou pela cozinha e fez com que os vegetais se espalhassem sobre o tampo de mármore, assustando Kaori, que já recuou e permaneceu alerta. Ao perceber as lágrimas no canto dos olhos da pequena, o coração do alter se amoleceu e ele fechou os olhos por alguns segundos, suspirando pesadamente antes de sair de trás do balcão e se aproximar da sobrinha.
Hikaru ajoelhou-se em sua frente e afagou os fios curtos da pequena enquanto Hana observava tudo sem entender. Kaori sem dúvidas era uma cópia de Naoki e seria tão incrível quanto o pai. E por Deus, ele as amava tanto...! ― Olha, Kao-chan... Vocês vão deixar o Nao-kun triste se forem embora... Ele vai ficar muito chateado e nem você e nem a Hana querem ver o papai chorar, não é? Vocês são duas mocinhas lindas que precisam apoiá-lo para que nada desmorone, sim?
O alter sequer se deu conta do tom de voz choroso que tomava conta de si e quando menos percebeu, as lágrimas já inundavam seus olhos, descendo em cascatas pelo rosto masculino. Hana foi a primeira a descer da cadeira e enxugou as lágrimas do dito cujo, as mãozinhas pequenas voltando a abraçá-lo enquanto o choro do único homem preenchia aquele cômodo. Kaori se comoveu logo em seguida e nos segundos seguintes voava para os braços alheios, sendo recebida em um abraço apertado e os soluços daqueles dois se transformaram em uma melodia triste e depressiva que não era nada agradável aos ouvidos da pequena Hana.
E o dono das lágrimas agora era Yoshida Naoki.
Target
Cada tatuagem finalizada, era um cigarro que Jaehyun queimava. Sorte que já tinha chegado aos 30, então o risco de morrer de câncer de pulmão não estava mais assim tão perto. Suas intenções eram claras, estava enxergando apenas a porta lateral de saída, o cigarro em mãos e até mesmo podia sentir o gosto da nicotina em sua boca. Até que a coisa mudou de figura, o cigarro ia ficar de lado naquele momento porque seu radar estava ligado. E uma vez puta, sempre puta.
Era difícil não notar aquele homem no bar, seja pela altura ou os desenhos na pele, as feições lhe despertaram interesse o suficiente para que deixasse sua vontade de fumar de lado para ter vontade de outra coisa. Ainda ficou parado por um tempo, só olhando, até finalmente decidir ordenar seus pés que o levassem até o balcão. E talvez fosse sua dia de sorte mesmo, foi só chegar que um banco ao lado do @pr-naoki ficou logo vago e foi ali que se enfiou sem demora.
— Meeei, amor da minha vida, eu quero o de sempre. — Piscou para a garota do outro lado do bar, o de sempre sendo uma garrafa de soju e Jay talvez fosse quem mais secava a adega da boate. Mordeu o lábio inferior enquanto manteve a atenção na garota, não querendo dar muito na cara que estava mesmo interessado em outra coisa, por isso apenas de uma olhada de canto de olho para o outro homem apenas para saber o que ele bebia. — E trás mais uma pro bonitão aqui. — Complementou, só então voltando o rosto para ele, lançando um sorrisinho de canto que de bobo nada tinha. Discrição e limites nunca foram palavras em seu vocabulário mesmo.
Aquela era mais uma das milionésimas noites que o chef passava na Lights Night, figurinha carimbada do local, Naoki se desdobrava como podia para não perder uma noite sequer de bebida, boa música e claro, beijar algumas bocas porque ninguém é de ferro e ter 33 anos e duas filhas não fazia dele um santo. Aliás, santo era uma palavra que sequer existia no dicionário do japonês, assim como outras que eram derivadas desta.
Os fios acizentados e longos há muito não estavam jogados para cima em seu costumeiro penteado que usava quando ia trabalhar no Han, mas sim caindo pelas laterais do rosto de traços fortes enquanto estava apoiado no balcão e terminava a sua primeira dose tequila. Noventa porcento do seu guarda roupa era completamente negro e não seria outra cor que Naoki usaria no momento.
Aquela era uma das noites de maior agitação dentro da boate e qualquer centímetro do balcão do bar era mais que disputado, mas felizmente conseguira um banco assim que se aproximou e desfrutava da bebida amadeirada em um canto, fingindo não notar o olhar de duas garotas sobre si. Se fazer de sonso era uma das suas especialidades.
Não era de reparar muito nas pessoas que ocupavam os bancos ao seu lado, porque meio que se desligava do mundo e ficava na sua própria bolha, pensando em milhares de coisas ao mesmo tempo já que a sua mente era uma bagunça e se alguém fosse capaz de invadí-la, se perderia ali. No entanto, o tom usado para falar com uma das bartenders fez com que o japonês tirasse brevemente a sua atenção do copo para espiar sob as mechas acizentadas quem era tão meloso a aquele ponto.
Não viu muito, mas também não importava tanto assim.
"E trás mais uma pro bonitão aqui." Aquilo surpreendeu Naoki de leve, que não estava acostumado a ser abordado daquela forma e sim fazer o contrário. Resolveu então erguer o rosto para encarar o dito cujo e o sorriso convidativo o fez sorrir em uma cópia perfeita do qual foi presenteado. Bem, talvez não tão perfeita assim, já que o chef de cozinha já estava com um sorriso um pouco mais aberto que o normal.
― Não precisava se incomodar. ― Pronunciou-se, virando o corpo levemente na direção alheia, os olhos percorrendo a figura masculina enquanto esperava pela outra dose de whisky grátis e Naoki gostou do que viu, era claro como a água que não perderia a chance de brincar pelo menos um pouquinho. E assim o fez. ― Não sabia que era o cara que ficava oferecendo drinks cortesia a todos que se sentarem nesse banco.
drinking game
— with @pr-naoki: public. 9:37 pm. Lights Nights pub. open.
Jiae estava feliz. Não só feliz, mas quase radiante - e o motivo não poderia ser mais óbvio. Havia conseguido, depois de alguns meses tentando, uma folga durante o final de semana inteiro. Considerando a sua profissão, isso era algo que poderia ser negativo ou positivo - mas ela preferia olhar pelo lado bom das coisas, pelo menos dessa vez. É evidente que a coreana não tinha muito do que reclamar, afinal, ser DJ proporcionava não só o seu sustento, como incontáveis noites maravilhosas; noites essas em que os problemas deixavam de existir e só o que importavam eram as músicas altíssimas e a massa de pessoas que se emaranhava na pista de dança - sua pista de dança.
Mas, é claro, todo mundo precisa de um tempo; mesmo quando as coisas parecem boas o suficiente. Às vezes, Jiae só queria ficar num lugar mais silencioso, jogar conversa fora e não se sentir responsável por nada a não ser voltar pra casa minimamente sóbria ao final da noite. E, como se viesse no momento predestinado, a mulher teria seu merecido descanso - que não serviria de descanso coisa nenhuma, no final das contas, porque ela era uma pessoa da noite e sua definição de “recarregar as energias” geralmente envolvia algum rolê e bebida. Muita bebida.
E era precisamente por esse motivo que a estudante estava vestida em suas roupas mais confortáveis, deixando de lado o uso dos desconfortáveis saltos e da maquiagem pesada, enquanto passava pelas portas da Lights Night não como funcionária, mas como cliente. A festa da noite anterior havia deixado suas sequelas e ela ainda se sentia esquisita dentro daquele ambiente, mas em uma cidade pequena como Hannabyul, eles não teriam muitas outras opções para curtir a noite.
Jiae, como de costume, havia chegado alguns minutos antes do horário combinado com Naoki e caminhou direto para o segundo andar, onde o ambiente do pub era mais silencioso e aconchegante. Escolheu uma mesa afastada do bar e não demorou para pedir a primeira garrafinha de Soju, a fim de começar os trabalhos. Enquanto esperava pela bebida, a mulher pegou o celular e tratou de enviar uma mensagem ao seu companheiro de noitadas.
| Nao, já estou aqui. :) Peguei uma mesa nos fundos e já pedi a primeira rodada. Hahaha
Corajoso era a palavra que definia Naoki ao sair pela segunda noite consecutiva para beber no mesmo local. Claro que um homem atarefado e pai de duas crianças como ele deveria ter seus momentos de sossego e lazer e não eram os seus problemas com os sete que fariam com que ele não tivesse uma vida normal como qualquer outro ser humano. Depois de "passar vergonha" na noite anterior e não se lembrar de nada não por culpa do álcool, lá estava ele, pronto para outra.
O carro foi deixado em casa e Naoki pegou um táxi que em dez minutos o levou até a Lights Night. Conhecia aquele lugar com a palma da mão e costumava frequentar no mínimo duas vezes por semana, já que era a melhor opção em uma cidade interiorana como Hannabyul. E aquilo não o incomodava, muitos daqueles rostos eram repetidos, fazia quase sempre a mesma coisa durante os dois anos que morava ali, mas o novo Naoki sabia aproveitar cada momento sem reclamar.
O celular vibrou em seu bolso assim que passou pelo segurança do estabelecimento o chef se dirigiu ao outro andar, marcado previamente com Jiae onde se daria a sua vitória. Não que estivesse se gabando, era óbvio que não até porque na noite anterior voltara a beber depois de muito tempo sem colocar grandes doses na boca e aquilo só serviu para mostrar que não era mais o mesmo Naoki que bebia mais que uma Lamborghini. Não duvidava que a DJ fosse ganhar de si.
nao· key [09:42PM]: Mas já começando sem mim?
nao· key [09:42PM]: Estou no andar debaixo, não demoro (/ー▽ー)/フフフ、、、
Dito e feito, Naoki praticamente correu até o pub e não demorou a reconhecer a morena, sentada am uma das mesas mais afastadas. O sorriso não tardou a se desenhar nos lábios do mais velho e ele já foi puxando uma cadeira para se sentar ao lado dela, os poucos pertences sendo largados sobre a mesa. ― Veio correndo hoje, hein? ― Aproveitando que um dos bartenders transitavam pelas proximidades da mesa onde estavam, pediu também uma garrafa de soju só para começar e apoiou os braços tatuados sobre a mesa. ― Nós vamos apostar? Espero que a senhorita esteja preparada para sair carregada daqui e me presentear com a vitória.
Desculpe. Você pode repetir a pergunta?
❝ Presta atenção em mim, Shion-kun... Você acha que ficaria legal tirar algum prato principal e substituir por salmão ao molho madeira? Ou camarão à bolognesa? Fui falar isso na cozinha e me olharam como se eu tivesse sete cabeças...❞
❝ ― すべての英雄はマントを着用していません : not all heroes wear caps
with: @pr-ilhoon, hannabyul medical center, nov 2nd, 02:45 pm.
Ah o hospital, lugar que assombrava tanto, mas ao mesmo tempo era capaz de fazer com que sentisse paz... Há dois anos, Yoshida Naoki frequentava aquele local no mínimo uma vez por semana para ter consultas com o psiquiatra depois que a tarefa de seguir com seu tratamento fora retirada do médico responsável de Tokyo. Toda Terça feira ele se largava sobre a poltrona branca ou se deitava no divã cinza claro e passava duas horas contando sobre a sua rotina, seus medos e claro, os sete demônios.
Por mais que não odiasse todos os seus alters egos, era assim que Naoki se referia aos sete no geral. Eram demônios que vieram tornar a sua vida um inferno, que lhe fizeram receber olhares de pena, deboche e preconceito caso contasse a sua condição para qualquer um. Há quase dez anos convivia com aquele maldito transtorno, passava noites em claro, chorava aos cantos, pensava até mesmo em desistir de tudo, mas havia algo que ainda o prendia à vida e o fazia ver como seu mundo era bonito.
Yoshida Kaori e Yoshida Hana. Duas princesas que mesmo não entendendo direito como tudo funcionava, ajudavam o pai a todo momento fazia a vontade de viver para vê-las crescerem aumentar cada vez mais. Eram o melhor remédio que Naoki poderia ter e tratamento nenhum era capaz de superar.
A rotina dentro do Han era puxada até demais e às vezes - para não dizer a maioria - custava muito ao chef de cozinha, manter a calma e não se estressar. O estresse fazia com que algum alter inventasse de aparecer e tomar o controle e sabe-se lá quando Naoki voltaria a comandar o próprio corpo, então não eram raras as vezes que os funcionários e clientes viam o japonês respirando fundo, contando até dez e usando outros métodos para relaxar ali dentro.
E aquele era o dia.
Naoki terminava de gritar com um estagiário que salgou demais o prato de um dos clientes quando fora informado que seus dois anjos estavam em seu local de trabalho porque foram liberadas mais cedo da escola. Trabalho passado para o souschef, retirou-se da cozinha e foi receber as meninas, dizendo a um dos garçons que as levasse até uma das mesas e escolhessem o que quisessem pois iriam almoçar ali hoje. Mais algumas palavras de amor para a dupla e então precisou comandar os cozinheiros outra vez.
Se ao menos tivesse amado a ex esposa como amava as meninas... Seriam uma família bem mais feliz.
Pensamentos à parte, os pedidos começaram a sair dessa vez e os clientes pareciam satisfeitos, claro, sem Naoki o que seria daquela cozinha? Tudo ocorria sob controle até um dos garçons invadir a cozinha um tanto desesperado e apreensivo, ao questionar o que era, fora informado que uma de suas filhas estava tendo uma crise alérgica naquele momento e Naoki se transformou. O chef não deu mais nenhuma ordem e saiu praticamente levando as portas junto até chegar na mesa onde estavam.
Kaori, a mais velha, começava a chorar e abanava com as mãozinhas pequenas a irmã, que estava mais vermelha que um pimentão e repleta de bolhas. Hana era alérgica a amendoim. Algumas pessoas se prestaram a ajudar o chef e Naoki sequer conseguia procurar pelo culpado, não havia raiva nem nada, somente o desespero.
Depois daquilo, não disse uma palavra e muito menos comunicou sua chefe, o Yoshida dirigiu o mais rápido que podia até o hospital enquanto tentava acalmar a filha mais velha e ao mesmo tempo se acalmar. Aquele não era um momento para nenhum deles aparecer e caso aparecesse, tinha medo de quem pudesse ser.
Ainda vestia o uniforme do trabalho e pouco se preocupou com ele quando desceu do carro enquanto carregava a pequena em seus braços e a outra corria atrás. Felizmente a emergência não estava cheia e assim que passaram pela porta, um pai desesperado tratou de atrair a atenção de um grupo de enfermeiros ao longe.
❝ ― 本当の意図 : true intent.
With: @pr-ollie - @ lights night, 01:24 am;
Como todo ser humano normal, Naoki se cansava. A rotina dentro de uma cozinha grande de um restaurante renomado como o Han era mais que cansativa e o japonês não parava. Claro, um estabelecimento de luxo daquele nível precisava de profissionais capacitados e modéstia parte, Naoki era o único da cidade capaz de administrar aquela cozinha como vinha fazendo nos últimos dois anos.
Fora a rotina de gritos nos ouvidos dos estagiários e papeladas sobre fichas técnicas e outros gastos, o bonitão ainda era pai. Felizmente os dois pedacinhos de céu que tanto amava já possuíam uma idade aceitável e podiam ficar facilmente em casa sozinhas que não davam trabalho algum, mas ainda sim havia a responsabilidade com a escola, as aulas de dança, balé, música, idiomas...
Claro que Naoki ficava estressado, seria absurdo se um homem tão atarefado não soltasse um xingamento sequer pela rotina estressante e a agenda mais que lotada toda a semana. Por um lado, tanta ocupação era boa, pois evitava que tivesse certos pensamentos que servissem de gatilho para acordar qualquer um dos sete demônios que viviam dentro de si.
E o demônio principal o apavorava.
Naquela sexta, o chef decidiu que precisava sair para se divertir e relaxar antes da próxima semana voltar a sugá-lo. Depois de pedir que suas filhas se comportassem e prometer uma lista de presentes, Naoki pegou seu carro e teve como destino a Lights Night, afinal a casa enchia na noite de sexta e ainda mais em grandes eventos, como o daquela noite.
Eram oito horas quando estacionou o carro e em quinze minutos já passava pelos seguranças com uma pulseira vip no pulso esquerdo, seguindo até um dos bares do local. Naoki fazia uso de antidepressivos e ansiolíticos para controlar os sintomas do maldito transtorno que adquiriu, os remédios foram deixados de lado, afinal ele queria beber e não era como se um alter não pudesse aparecer caso ele não os tomasse. Não mesmo.
Vinham de forma involuntária, muitas das vezes por se lembrar daquele maldito dia ou ver e presenciar os objetos dos seus traumas, era sempre assim. E naquela noite, um deles veio a aparecer. Horas de socialização com os conhecidos, o devido parabéns ao aniversariante que era cliente assíduo no restaurante, mais alguns drinks e Yoshida Naoki estava bem alto. O carro? Buscaria no dia seguinte.
Em um canto da boate, sozinho, tudo desmoronou. O sorriso morreu em seu rosto, os pensamentos negativos vieram juntamente com flashes de memória e então estava dissociando até que suas lembranças, manias e todo o pacote que compunha o chef de cozinha ficasse guardado lá no fundo da sua mente. Era hora de assumir.
Hikaru olhou ao redor e depois para as roupas que Naoki usava, não gostando nada daquilo, aquela calça justa e escura não lhe agradava, a camisa com os primeiros botões abertos muito menos e tampouco o par de coturnos caríssimos e lustrados. Aquele não era ele. Tentando dar um jeito no próprio visual, puxou novamente as mangas da camisa para que estas cobrissem as tatuagens de seu irmão e fez o mesmo com os botões da camisa, ajeitando os fios acizentados de forma que ficassem alinhados naquele corte de cabelo estranho.
Decidiu que queria sair dali, aquele não era o seu lugar, precisava voltar para casa, precisava de silêncio, tirar aquelas roupas e o cheiro de bebida do corpo. Sentia-se como um porco. E foi pensando nisso que Hikaru pagou a conta, não se importando com o troco, já que não sabia o quanto Naoki havia gastado.
Um tanto cambaleante, caminhou até a saída da boate, mas antes que pudesse finalizar seu percurso, sentiu alguém esbarrar em si e quase foi ao chão se não tivesse se agarrado com firmeza nos braços de tal.
❝ ― 誰かを思い出させましたか?: did you remind someone?
with: @pr-jinha - @ lights night, dec 2nd, 10:32 pm;
― Eu não estou nem aí pra vocês, pirralhas do demônio! Eu vou voltar a hora que eu quiser, não tenho compromisso com ninguém!
A porta foi batida e Takashi saiu pisoteando do apartamento até o elevador, onde apertou o botão que o levaria ao térreo daquele edifício, não deixando de suspirar ao se encostar em uma das paredes. Isso mesmo, Takashi. Assumindo o corpo de Naoki há cerca de quatro horas e arrancando muitas lágrimas de Kaori e Hana durante os 240 minutos. Se era doloroso para um adulto conviver com alguém que possuía TDI, para crianças então era algo quase insuportável.
Kaori, a mais velha, entendia um pouco mais sobre a condição do pai e tinha todas as instruções passadas pelo psiquiatra de Naoki, o próprio e a família caso estivessem presentes quando algum alter ego tomava o controle. Não que as outras sete personalidades fossem agressivas, estavam longe de ser, mas a precaução era o melhor a se fazer.
Não deviam questionar muito, não deviam se assustar, precisavam ser pacientes, correr para a casa da vizinha ou ligar para a polícia caso algo passasse dos limites. Felizmente isso nunca chegou a acontecer, os alters não machucavam terceiros e sim apenas Naoki. Física e mentalmente.
Takashi era o alter mais podre dentre todos os sete, um cara de vinte e três anos, esnobe, com um ego imundo e que se achava o dono do planeta. O típico riquinho nojento que acha que podia pisar em alguém só porque possuía muitos zeros à direita em sua conta bancária. Humilhar as pessoas era o seu forte, gostava de rebaixar os mais pobres, fazer piadinhas de mal gosto... Era de longe o alter ego que Naoki mais desgostava e implorava para que desaparecesse de sua vida.
E infelizmente estaria no comando até sabe-se lá quando.
Ainda dentro do elevador, deu uma olhada no próprio visual e ergueu uma das sobrancelhas, aprovando o que via ali. Era de longe o humano mais bonito da face da terra vestido naquele conjunto justo e negro e não haveria quem dissesse o contrário. Naquela noite Takashi teria qualquer coisa - e pessoa - que quisesse em suas mãos.
Pegar um uber usando o próprio celular de Naoki foi a coisa mais rápida do mundo e em poucos minutos o veículo já tinha parado em frente ao Lights Night, Takashi possuía acesso a toda a documentação, números dos cartões e senhas do chef de cozinha e não era à toa que sempre vivia gastando até não poder mais. Era um rapaz que vivia de aparências, então se tinha todo aquele dinheiro disponível, era porque deveria gastar.
O rapaz gastou as suas primeiras horas alternando entre o bar e a pista de dança, o último apenas para beijar algumas bocas e fazer com que estas pagassem mais bebida para si. Ele nunca se importava com as consequências do que fazia, afinal nada sobrava para ele e sim Naoki. Takashi fazia o que quiser e beijava quem quisesse, não era como Hikaru, que mesmo não indo com a cara do Yoshida e até mesmo atrapalhando um pouco a vida do chef, ainda tinha lá no fundo um coraçãozinho de manteiga. Não mesmo.
Naoki que fosse para o inferno com aquelas duas pirralhas nojentas.
Naquela noite simples, os DJs da casa estavam tocando e a playlist até que agradava os ouvidos de Takashi, que resolveu ir um pouquinho para mais perto do palco a fim de ver quem fazia a trilha sonora da sua noite. Já esteve naquela local algumas vezes, mas nunca ficou por muito tempo porque Naoki sempre "acordava" e acabava com a sua felicidade antes do tempo. Ele não gostava do repertório da outra DJ e se o colocassem em seu lugar, com certeza faria melhor, já o outro DJ era bom, não um Martin Garrix ou um Hardwell da vida, mas fazia um bom som.
O sorriso reinou em seu rosto assim que viu o DJ loirinho abandonar o palco, provavelmente estava encerrando a noite ou só ia fazer um intervalo, aquela era a sua chance de elogiar um pouquinho o trabalho alheio e pedir que ele tocasse algo do seu interesse. Com o copo de bebida na mão e desviando majestosamente daquele bando de corpos suados e fedorentos, Takashi correu até o DJ, o abordando de uma forma não muito respeitosa. O braço livre envolveu a cintura do loirinho e ele o puxou levemente contra o seu corpo rindo de forma gostosa em seu ouvido antes de se pronunciar.
― Não, não foge de mim não! Escolheu bem a playlist de hoje, em breve vai sair dessa cidadezinha medíocre e tocar na capital. Uau. Você pode me fazer um favorzinho?
that feeling when you’re doing something really important and your brain just does the
Thank you.
the face you make when someone begins to Suspect™ and you have to try and act cool even though you weren’t even the person fronting 2 minutes ago
Me: i'm in a really bad place right now, i really need to talk to someone
Someone: hey, how are you?
Me: I'M FINE! F I N E! NO NEED TO TALK HERE! MY MENTAL AND PHYSICAL HEALTH HAS NEVER BEEN BETTER! what about you though?:)