Tanto quanto o mar. O som do ambiente poluído. Carros que invadem os templos, moradias dos homens e das mulheres. Os carros que falam por si só. E bicicletas que têm boca estridentes, chegam ao nono, ao primeiro andar, ao quintal da casa, ao banheiro, à cozinha, ao sanitário, ao décimo-segundo andar. Caixas falantes que são maiores do que o bicicleteiro, ensurdecem o homem na bicicleta primeiro. Depois, chegam. A nós.
Pruridos de som. Puses. De meia em meia hora. De quinze em quinze minutos. De hora em hora. De duas em duas horas. Ao meio-dia, mas antes do almoço, no instante da primeira mordida, na última, e depois, na sobremesa, na digestão. Às sete, às oito da manhã, às nove da manhã, às dez da manhã, a seja a que horas for o café no templo dos homens e das mulheres. Chegam. Caixas intrusas, usurpadoras, intrometidas. Caixas cheias de som metediço, abusado, enfiado. Onde? A maioria, ilegítimo, quase todos ilegais? Nos templos. Casa são lares. E aproveita que não são seis hora da tarde ainda, mas cinco e cinquenta e cinco e esgoela, grita, esganiça ainda mais uma promoção dos dinheiros. Pediu? Não. Que os homens e as mulheres, nem os anciãos, nem os bebês, nem os jovens, nem as crianças, principalmente, os cachorros, não pediram. Mas caixas falam. Por si só. Como numa Rússia acabada, como toques de recolher, vendendo comércio e argumentos marqueteados, quando há forró ou música-drama é pior, pela manhã e tarde, e à tardinha e, "jesuis" vê, à noite na orla. Eu já. Carro do camarão, caicó, padarias, casas de bolos, cabeleireiros, lanchonetes, pizzarias, igrejas, até. Ouvidos. Os Urinóis do comércio que vicia o mundo. Gostaria de chamar o Corona pra também gritar. Ah, já chamaram. A intromissão, a invasão das moedas e das cédulas do vil metal, do comércio que vem primeiro, na frente, que não para de azucrinar a vida das mulheres e dos homens. Submetidos, seguimos surdos. Ó patriarcado e teu filho capital, sem nobreza, ou respeito por quem te criou, vai-te embora assim que te cansares e tiveres vergonha de ti mesmo. Amém.