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@deadl21
Castanho Claro
Você precisa saber de duas coisas sobre os seres humanos, a primeira, é que fazemos coisas absurdamente idiotas quando estamos desesperados, e a segunda é que por mais impossível que as coisas pareçam ser, nós sempre temos a chance de fazer acontecer.
Meu nome é Ester Alcântara, eu passei minha adolescência lutando contra o câncer, perdi a chance de ter uma vida normal, foi doloroso ver os bailes, as viagens, e todas as coisas corriqueiras pra um jovem no seu âmbito estudantil, e que pra mim seria algo fantasticamente impossível, enquanto isso, eu estava em exames, macas, em volta de amigos que hoje já se foram, até hoje tenho este blog que conta sobre todo o caminho que eu fiz durante o combate com essa doença complexa, e me perdoem esses anos de ausência, e me perdoem esse ato de me alongar pra explicar o contexto, mas vocês precisam saber o quanto eu sofri, para entender a gravidade dos acontecimentos pós meu desaparecimento do Wordpress.
Essa história começa antes mesmo do câncer, em 2013 pra ser mais exata, quando conheci Maximus Cavalcante, ele não tinha nada de especial, além de ser um fofo, todo intervalo ele me comprava duas balas 7 belo, ele era daqueles garotos tímidos demais pra se enturmar com a minha turma, e orgulhosos demais pra se enturmar com os excluídos, tinha poucos amigos, o que de certa forma o tornava excluído também, envolta de si tinha todo tipo de amigo problemático, com pais separados, sem pais, com pais ausentes, com pais presentes e problemáticos, sempre tinham algum problema, menos Max, ele nunca se machucou, ou adoeçeu, ou qualquer coisa que o desse motivo pra desistir de alguma forma, isso vai fazer mais sentido lá pra frente. Depois de algumas intrigas e episódios aleatórios eu fui diagnosticada com a doença, e ele não me esqueceu, sempre me mandava parabéns e lembrava das minhas datas importantes, sou muito grata a isso inclusive, ele namorou uma das minhas melhores amigas, aparentemente eles não tinham muita química e após o término desastroso, ela me contou os podres dele, na verdade ela contou pra todos, Max ficou com a imagem suja pro nosso grupo, mesmo depois de ter saído da nossa escola, ter feito outros amigos, ter mudado, nada nunca mais foi como antes, mesmo quando nos aproximamos e ele se declarou pra mim, era estranho ver duas versões da mesma pessoa, sendo que uma fora criada pela pessoa de sua maior confiança, e então, devido a instabilidade de Cavalcante, cortamos laços, nós nunca mais o chamamos pra sair, não chamamos mais pra o churrasco anual do nosso grupo de amigos que formamos no fim do colegial, desistimos dele como se ele nunca tivesse existido.
Cinco anos se passaram e em 2020, um dos nossos amigos, que era muito próximo a Max, ainda andava com ele, sugeriu durante uma conversa no nosso grupo, que chamássemos todos os integrantes do primeiro churrasco, todos, sem exceção, como forma de relembrar os velhos tempos, eu estava no Rio de Janeiro fazendo exames e louca pra voltar pra Santa Catarina, meia década ja tinha se passado desde que o último integrante excluído não participava, seria legal se, ao menos, tentássemos comemorar a vida, que suponho, seja a melhor coisa que tenhamos. E todos foram chamados, inclusive Max que chegaria com Jean, nosso amigo em comum. E ele veio.
E realmente estava diferente, muita coisa mudou em cinco anos, ele tinha feito tatuagens, estava perto de terminar a faculdade de medicina, estava mais retido, quieto e um pouco ansioso, e o brilho nos olhos daquele garoto que conheci há quase uma década, não pairava mais sobre seu rosto pálido e estrelado de sardas. Deixamos o passado pra trás, aquele momento foi de todos nós, os meninos foram jogar bola, e as meninas, fomos pra piscina, é bem mais calmo e relaxante uma piscina de hidromassagem que um campo de areia molhada.
Até que Vitor simplesmente quebra a perna, seria cômico se não fosse trágico, os osso da perna dele perfurou a pele e ele estava com uma fratura exposta, a cena parecia de filme de terror, Max e Nathan trouxeram Vitor nos braços e colocaram na mesa, a gente saiu da piscina desesperadas, e a situação onde o motivo de eu estar até as 4 da manhã escrevendo nessa madrugada chuvosa acontece bem agora.
E a cena era essa, nós dezesseis, sozinhos, numa chácara, no meio do nada, há mais de 40 km do hospital mais próximo, Nicolas foi buscar a chave do carro no sítio enquanto Cíntia foi buscar a caixa de primeiros socorros, Vitor estava conversando com Max e simplesmente esqueceu que sua perna estava parencendo a cara do Jason de Sexta-Feira 13, nós começamos a descontrair também pra aliviar a barra, e começamos a falar sobre filmes de terror, filmes de comédia romântica, esses clichês como Simplesmente Acontece, Um dia, A culpa é das estrlas e então...
- Eu posso curar seu câncer.- Dito num tom forte, direto, tão direto como uma flecha entrando perfeitamente na minha mente.
- ... - Eu simplesmente demorei a perceber de onde essas palavras tinham saído, então só consegui balbuciar sílabas disformes e sem sentido.
Max olhava diretamente pra mim, e as outras pessoas, diretamente pra ele, algumas com expressões estranhas no rosto, como se fosse uma piada de mau gosto, algo estava diferente, seu cabelo estava mais uniforme, e sua barba mais clara, sua pele estáva pálida como se estivesse com muito frio, o próprio clima se tornara nublado, é provável que estivesse antes mas só percebi nesse momento, e seus olhos... Com certeza não chegou aqui com lentes azuis marinho.
- O que? - Eu disse, mesmo com a intensidade da situação, e torcendo pra não ser realmente uma piada de mal gosto.
- Eu posso curar seu câncer.
- Isso não tem graça Max. - Meus olhos enchem de água por lembrar todo meu passado com essa doença, todos os amigos e momentos perdidos por causa dessa maldita doença, isso realmente me assolou por dentro.
Ele vem até a minha direção e estende sua mão a mim, como se para eu apertá-la.
- O que você quer? - Digo com o rosto molhado de lágrimas.
- Desculpa, só quero que você... Aperte minha mão.
- Pra quê isso?
- Olha... Vitor. - ele vai até a mesa e se estende até Vitor, e sussurra algo em seu ouvido.
- Fechado? - e estende sua mão para Vitor apertá-la.
- Ah tá né, tu ta fumando mac...- ao apertar a mão de Max, as fratura exposta de Vitor se fecha e osso volta pro lugar, uma cicatriz se forma e logo some, aquilo foi surreal, a perna de Max se fratura sozinha, ele estava sentado na mesa também, a sua tíbia é exposta e logo se fecha e sua perna volta ao normal, e os dois ficam ilesos da fratura.
- QUE MERDA É ESSA COMO VOCÊ FEZ ISSO?- todos estão em choque nesse momento, apenas Vitor se pronunciou.
- Eu disse, nosso acordo está feito Vitor.- Max diz com um sorriso malicioso e tão icônico que ninguém ali, vai esquecer.
Uma das coisas que você precisa saber sobre os seres humanos, é que fazemos coisas absurdamente idiotas quando estamos desesperados, ao passo que Max se aproximava de mim eu logo lhe estendi a mão, e me lavantei, quando ele apertou, eu não senti mais nada.
Tudo ficou escuro, as coisas ficaram cada vez mais leves, mais tranquilas e felizes dentro de mim, toda aquele trauma, todas aquelas memórias e experiências, é como se ele catalizasse tudo numa combustão em que o produto fosse a minha paz, eu vi tudo, revivi tudo, só que com uma calmaria divina dessa vez, foi relaxante e pacato demais, até que eu abro os olhos e estou de pé enquanto vejo os olhos de Max brilharem, num tom amarelo ictérico, até voltarem ao normal num tom azulado e calmo, eu me sento, me sentindo mais leve e feliz, e ele continua de pé tendo alguns espasmos. Numa situação normal nós o ajudaríamos, mas essa com certeza não era uma delas, nós assistimos quase que em transe aquilo. Ele pôs a mão no pescoço e se ajoelhou, enquanto gritava em silêncio, e raspava o rosto com as mãos, até que tudo se acalmou e ele se levantou, sentou em sua cadeira, abaixou a sua cabeça e quando chamamos seu nome, ele nos olhou, e quando isso aconteceu, seus olhos estavam num tom de castanho claro.
Qual o sentido de tantas expectativas em cima de mim? Por que eu deveria provar algo para alguém, meu intelecto se resume a uma nota, minha capacidade a quanto tempo vou aguentar sem desabar. Devemos manter uma postura forte, me desculpe mas eu sou frágil, dói admitir isso porque em momento respeitaram meus "defeitos" (se é que fragilidade é um). Não, não tenho que provar nada para ninguém e não me compare a ninguém, machuca o suficiente quando faço isso sozinha... Minha dor só eu entendo, não tenho que provar nada, orgulhem-se apenas pelo que sou.
- Drika
Eu n aguento mais. Como faz pro tempo literalmente parar e tudo em que está em volta tbm? Preciso respirar sem essa pressão insuportável no meu peito!
embuscadeumbeijo
É sob pressão que encontramos caminhos para fazer da dificuldade uma aliada para nos aplaudir em nossas vitórias. 🍁😼👏
Deixe ir quem não se esforça pra te ter por perto. Não gaste o seu tempo com quem inventa pretestos e vive te evitando. Comece se desprendendo do que atrasa seus passos e suga o seu melhor. Foque em outras coisas e comece o dia se amando mais. Quem tiver que ficar em sua vida, vai ser por conta própria, sem mesquinharias e pressão. Você merece começar o ano se pertencendo mais, dando novo rumo ao daqui pra frente. Você prometeu que seria diferente, lembra? Então faça valer.
( Rogério Oliveira )
@loyx21