Conhecia Mikhail o suficiente para saber que ele provavelmente ficaria furioso — o que, para a infelicidade do melhor amigo, apenas tornava tudo mais interessante. Havia um prazer quase sádico em provocar o outro, especialmente quando a causa da irritação era algo que Stefan realmente desejava. E bem… estava em busca de uma noiva adequada. Que culpa tinha ele se Carissa estava muito bem viúva e era, sem sombra de dúvidas, uma escolha excepcional? Sua personalidade lhe agradava. Não era excessiva nem apagada, e havia nela um tipo de vivacidade contida que o fazia querer observá-la por mais tempo do que pretendia. Ficar em sua presença era surpreendentemente fácil — e isso, vindo dele, já era algo considerável. Levá-la para a sala de cinema fora uma escolha estratégica. Um ambiente escuro, silencioso, sem necessidade de manter diálogos contínuos — e ainda assim, aconchegante o suficiente para permitir uma aproximação maior, caso houvesse abertura para isso. No meio do filme, com um movimento natural, Stefan passou o braço por cima dos ombros dela, num gesto sutil. Não a pressionou, mas a puxou levemente para mais perto, oferecendo seu corpo como apoio. Deixou que ela decidisse se se aconchegaria ou não. E, ao notar que ela não se esquivava, inclinou-se até o ouvido dela, o timbre baixo, íntimo, quase uma promessa maliciosa escondida sob o tom educado. ❝Escolhi um bom filme? Ou devo escolher melhor numa próxima vez?❞ O sorriso que acompanhou a pergunta não foi visível — mas podia ser sentido na entonação, na respiração próxima à pele, no calor de quem estava acostumado a conseguir o que queria com sutileza. E ele queria Carissa. Não apenas por desafio, não apenas pela fúria previsível de Mikhail — mas porque, de alguma forma, ela lhe interessava de verdade. E isso era muito, vindo de Stefan Draganis.