O filósofo alemão do século XIX, Arthur Schopenhauer (1788 - 1860), aborda a natureza do desejo e a inevitabilidade do sofrimento em sua filosofia. Schopenhauer desenvolveu sua ideia de que seres mais elevados sofrem mais através de uma perspectiva filosófica que integra elementos do budismo, do pessimismo e da metafísica.
Schopenhauer postulou que a essência fundamental do universo é a Vontade, uma força cega e impulsiva que subjaz a todas as coisas. Os seres humanos, por sua vez, são capazes de ter consciência dessa Vontade, o que os diferencia dos outros seres.
Para Schopenhauer, o conhecimento da Vontade, que os seres humanos possuem em grau mais elevado do que outros seres, leva ao reconhecimento da insatisfação fundamental que permeia a existência. Quanto mais uma pessoa é capaz de compreender a natureza do mundo e sua própria condição, mais ela está ciente do sofrimento inerente à vida.
Ele também argumentou que os desejos humanos são insaciáveis e muitas vezes levam ao sofrimento. Enquanto os animais podem seguir seus instintos sem questionamento, os seres humanos são constantemente atormentados pelo desejo e pela busca de algo além do que têm, o que pode resultar em angústia e dor.
Schopenhauer acreditava que os seres humanos são únicos em sua capacidade de compreender a mortalidade e a finitude da vida. Essa consciência da própria mortalidade pode levar a um sofrimento existencial profundo, já que os seres humanos são confrontados com a inevitabilidade da morte e a transitoriedade de suas próprias vidas.
Em suma, Schopenhauer via a capacidade humana de consciência, reflexão e desejo insaciável como elementos que contribuem para um maior sofrimento. Quanto mais elevado o ser, mais ele está imerso na complexidade e na dor da existência consciente.
“Querer é essencialmente sofrer, e como o viver é querer, toda a existência é essencialmente dor. Quanto mais elevado é o ser, mais sofre...”
— Arthur Schopenhauer. “As Dores do Mundo”, (1ª Edição, 3ª reimpressão – São Paulo: Editora Edipro; [2020]) p.38.
Obra: “The Sleep of Reason Produces Monsters”, por Francisco Goya (1797 - 1799).

















